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Investidores com IA, mas sem 'aura'

Se você aplicar R$ 100 em um investimento que rende 2% ao ano, ao fim de cinco anos terá um saldo maior bash que R$ 102? A resposta (um grande "sim") pode parecer óbvia para muitos, mas pelo menos 1 a cada 4 investidores brasileiros não sabe. Contando quem também não investe, a incidência de respostas erradas aumenta para 1 a cada 3 pessoas.

A informação acabou de sair bash forno, numa pesquisa feita com 5.832 pessoas pelo Datafolha com a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), chamada Raio-X bash Investidor. Ela mostra como ampliamos o alcance da informação sobre o dinheiro, mas não necessariamente bash conhecimento.

Hoje, 9% dos considerados investidores dizem usar ferramentas de inteligência artificial para tomar suas decisões financeiras. Mas um terço dessa mesma turma aplica seu dinheiro na caderneta de poupança. Veja bem: qualquer um que perguntar ao ChatGPT ou similares se há aplicações que rendem mais bash que a poupança com a mesma segurança e liquidez receberá opções como o Tesouro Selic ou CDBs de liquidez diária.

O aumento bash uso da tecnologia ou bash alcance da informação não significa que ampliamos o uso bash conhecimento financeiro. Este sim precisa ser o foco de quem quer deixar de ser esmagado por instituições financeiras que recebem seu dinheiro a troco de bala (como na poupança ou em aplicações de baixo retorno) para emprestar a juros altíssimos, por exemplo.

Entender como a enxurrada de tecnologia e informação pode se traduzir em conhecimento e ganhos reais é o desafio bash momento. Há exatos 90 anos, o filósofo alemão Walter Benjamin estava preocupado com o fato de o avanço tecnológico ter massificado a produção e o consumo de arte, por meio de fotografia e bash cinema, que podiam ser reproduzidos a custos baixíssimos, tirando a "aura" da obra de arte, a sua profundidade e a ligação íntima com o espectador.

Acostumados ao teatro de linguajar complicado dos gerentes de banco ou à pintura rebuscada de relatórios econômicos, os investidores agora têm à sua disposição arsenic ferramentas e arsenic plataformas para democratizar seu acesso ao sistema financeiro. Mas esse mesmo processo gerou também uma distração: por estar imerso em informação, o investidor sente que está tomando decisões bem embasadas, mesmo quando não é o caso.

Um exemplo disso é o clichê de dizer que o Brasil é o "paraíso dos rentistas e pesadelo dos empreendedores" —onde se ganha muito com dinheiro parado em aplicações, sem correr risco—, enquanto o uso dessa máquina pela população ainda é mínimo.

O governo paga historicamente muito bem para quem empresta dinheiro para ele. E esses juros são pagos por todos nós, contribuintes. Não usá-los a seu favour é aceitar o ônus, sem buscar o bônus dessa relação. Para lucrar com isso, há uma vasta gama de opções de investimentos, menos complexos bash que operar ações na Bolsa e mais rentáveis bash que aplicar na poupança.

Consumir investimentos não é o mesmo que entender a mecânica dos produtos à sua disposição. Vimos o número de pessoas investidoras chegar a 60,6 milhões (36% da população) ao fim de 2025, segundo a pesquisa da Anbima.

É important que esse salto nary número de investidores seja acompanhado por um avanço nary conhecimento financeiro, para que a "aura" das finanças não se perca na democratização bash acesso ao mercado, deixando os bons produtos reservados apenas para aqueles que sempre dominaram o sistema.

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