A decisão foi anunciada mais cedo pela chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, no contexto da repressão de Teerã aos protestos contra o governo nas últimas semanas. Segundo ONGs, mais de 6 mil pessoas morreram.
“Os ministros das Relações Exteriores da UE acabaram de dar o passo decisivo de designar a Guarda Revolucionária do Irã como uma organização terrorista. Qualquer regime que mata milhares de seus próprios cidadãos está caminhando para a própria destruição”, afirmou Kallas.
O bloco também anunciou sanções contra o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, o procurador-geral e dirigentes da Guarda Revolucionária.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Irã, a decisão é “ilegal e injustificada”. O governo iraniano criticou ainda a classificação de uma instituição militar oficial de um país como organização terrorista.
No comunicado, a chancelaria iraniana afirmou que a justificativa da União Europeia, baseada em preocupações com direitos humanos, é uma “mentira descarada” e um ato de hipocrisia.
O Irã declarou ainda que “reserva seus direitos legítimos e legais” de adotar medidas recíprocas em resposta à decisão europeia.
A Guarda Revolucionária do Irã já é considerada uma organização terrorista pelos Estados Unidos, Canadá e Austrália.
Autoridades iranianas de primeiro escalão, começando pelo líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, afirmam que protestos são instigados do exterior — Foto: Reuters
As medidas anunciadas pela União Europeia ocorrem após uma onda de protestos iniciada por causa da crise econômica e do alto custo de vida no país. Com o passar dos dias, as manifestações também passaram a pedir a queda do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que governa o país há 35 anos.
A repressão aos protestos, com relatos de que policiais e militares executaram manifestantes nas ruas, gerou indignação internacional. Segundo ativistas e a agência de notícias Reuters, milhares de pessoas morreram ou foram presas durante a onda de violência.
O governo iraniano nega as acusações e afirma que as mortes de civis e agentes de segurança foram causadas pelos próprios manifestantes que incitaram a violência. As autoridades também acusam os Estados Unidos e Israel de infiltrarem agentes nos protestos.
Khamenei condenou as manifestações e afirmou que as autoridades do país “têm a obrigação de quebrar as costas dos insurgentes”. Ele responsabilizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas mortes ocorridas durante a repressão.
“Não pretendemos levar o país à guerra, mas não perdoaremos os criminosos domésticos, assim como não perdoaremos os criminosos internacionais, piores que os domésticos”, disse Khamenei a apoiadores reunidos durante uma festividade religiosa.

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