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Itens que causam mais desconforto responderam por 80% da inflação em abril

Gasolina sobe menos

As projeções para maio sinalizam menor ritmo de alta, com a variação do IPCA registrando aumento nas proximidades de 0,4%, em relação à base do índice em abril. Confirmadas as projeções, em 12 meses, porém, a inflação deve subir de novo e superar o teto, passando de 4,5% no fechamento de 2026.

Embora a gasolina tenha sido o item de maior peso individual na evolução do IPCA de abril, a alta do combustível, de 1,9% no mês, foi a maior surpresa baixista na inflação do mês. O avanço foi bem mais lento do que os 4,6% de março, e sua relativa moderação no mês passado tende a se confirmar, com níveis menores de alta em maio, conforme avalia o economista Fábio Romão, experiente responsável pelo acompanhamento de preços na consultoria 4intelligence.

"A redução da alta na gasolina e nos combustíveis em geral reflete o vaivém das negociações entre Estados Unidos e Irã, com vistas ao fim da guerra. Também reflete a entrada da safra de etanol, que é misturado à gasolina. A tendência baixista reflete ainda as subvenções para o diesel e está sendo sinalizada pelas coletas recentes de preços da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis)" Fábio Romão, economista da 4intelligence.

Menos espaço para corte de juros

Mesmo recuando em relação a março e com tendência de recuar ainda mais em maio, ficando abaixo de 0,4% a cada mês no resto do ano, mas com altas sucessivas no acumulado em 12 meses, a inflação de abril mostra preços pressionados em diversos grupos de bens e serviços. Essas pressões não só apontam elementos para confirmar a tendência de um ciclo de cortes da taxa básica de juros (taxa Selic) mais curto e a um ritmo mais lento, como mostram também de onde vem o desconforto da população com o custo de vida.

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