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Jornada ilimitada a quem ganha R$ 21 mil extingue hora extra e não inibe PJ

CLT já tem artigos que flexibilizam jornada

Relator da PEC do fim da escala 6x1 na Câmara, o deputado federal Leo Prates (Republicanos/BA) argumenta que a medida seria uma forma de desestimular a "pejotização", como é conhecida a contratação de profissionais por meio de empresas de uma só pessoa.

Usada geralmente para evitar o pagamento de encargos trabalhistas, a pejotização é alvo de críticas por mascarar potenciais fraudes a vínculos empregatícios e reduzir a arrecadação da Previdência.

O tema também é objeto de discussão no Supremo Tribunal Federal. Um processo sob relatoria do decano Gilmar Mendes, sem previsão de desfecho, deve decidir sobre a licitude desse tipo de contratação.

Na avaliação de Prates, ao terem a garantia de que trabalhadores com remuneração acima de R$ 21 mil não estariam sujeitos ao controle de jornada, empregadores teriam mais incentivos para realizar contratações formais, seguindo a CLT. Procurada, a assessoria de imprensa do deputado não retornou até o fechamento desta reportagem.

Especialistas ouvidos pela coluna, no entanto, avaliam que a ideia não traz tantas novidades porque a CLT já prevê mecanismos para flexibilizar o controle de jornada, sobretudo a dos empregados de alta patente.

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Desde 1994, por exemplo, o código já prevê em seu artigo 62 que funcionários em cargos de gerência não estejam submetidos a um limite máximo de horas de trabalho.

Além disso, a reforma de 2017 introduziu no artigo 444 o conceito de empregado "hipersuficiente", nome dado a profissionais que, por disporem de capacitação e remuneração elevadas, estariam aptos a negociar diretamente com seus empregadores, sem a mediação de sindicatos.

"Se ninguém falar nada, quem tem diploma superior e ganha acima de R$ 21 mil não vai ter direito a hora extra, exceto se as partes negociarem", resume José Dallegrave Neto, advogado e professor da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

Na prática, a regra aprovada na Câmara "inverte" o princípio contido na atual redação da CLT, avalia Dallegrave Neto.

Hoje, a lei diz que o profissional hipersuficiente a princípio tem direito a hora extra, exceto se o acordo firmado com o empregador afastar essa possibilidade.

Porém, se a matéria aprovada na Câmara também passar no Senado, o empregado só terá direito a hora extra se o acordo trouxer explicitamente essa previsão.

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Empregado com salário alto não está em pé de igualdade com empregador, diz professora

Na avaliação de Olívia Pasqualeto, professora de direito do trabalho da Fundação Getúlio Vargas (FGV), tanto a mudança trazida pela reforma trabalhista como a nova medida em discussão no Congresso partem de um "pressuposto errado".

"Independentemente do salário, o empregado ainda é subordinado, ainda está sob controle, e tem a ameaça do desemprego", explica a professora.

"É claro que, quanto mais valorizado é o trabalhador, ele vai ganhando um poder de barganha maior. Mas daí a dizer que ele está numa relação simétrica, equivalente com o empregador, eu acho que tem um erro de premissa aí: ignorar a subordinação", complementa Olívia Pasqualeto.

Para Rodrigo Carelli, procurador do Ministério Público do Trabalho e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o fim do controle de jornada para quem ganha acima de R$ 21 mil contraria a própria Constituição.

"Trabalhadores intelectuais estão sendo expulsos da proteção trabalhista, em ofensa direta ao artigo sétimo: proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos", finaliza.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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