O iFood lembrou ainda que está proibido de assinar contratos com grandes redes de restaurantes e que não pode ter mais do que 8% de estabelecimentos exclusivos na cidade. "Além disso, há exceções que permitem contratos com prazo superior a dois anos quando o iFood faz investimentos que geram o crescimento para o restaurante parceiro", disse a empresa, lembrando que essas regras estão previstas em acordo firmado pela plataforma com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). "Nos causa estranheza que os contratos de exclusividade estejam impactando uma determinada plataforma, sem atingir outros concorrentes que seguem investindo na cidade e expandindo suas operações."
O vice-presidente de Parcerias Estratégicas da Keeta Brasil, Danilo Mansano, disse ter coletado evidências "da complexidade e disfuncionalidade com que o mercado opera com relação às exclusividades". "São restaurantes que não podem operar com a Keeta, porque têm um contrato travando eles a uma das plataformas", afirmou o executivo.
Segundo ele, ainda, no caso do iFood esses acordos envolvem "redes menores". "O iFood tem uma determinação do Cade que não pode ter contrato de exclusividade com redes com mais de 30 restaurantes. E, no caso da 99Food, são redes de todos os tamanhos, mas o contrato deles bloqueia exclusivamente a Keeta. Então, no caso do iFood é bloqueio de mercado, e do 99Food é mirando especificamente parcerias com a Keeta", acusa Mansano.
Novata
A Keeta chegou ao Brasil no ano passado, com planos de investir R$ 5,6 bilhões no País ao longo de cinco anos. A operação em São Paulo teve início em 1.º de dezembro, com investimento de R$ 1 bilhão. Além da capital, a plataforma já atua nos municípios de Guarulhos, São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, Osasco, Barueri, Diadema e Itaquaquecetuba. Mas sua entrada no Brasil começou com operações de teste em Santos e São Vicente.
O plano de atuar no Rio de Janeiro prevê um investimento de R$ 400 milhões. Segundo a Keeta, seu compromisso de longo prazo de investir R$ 5,6 bilhões no Brasil "permanece firme e inalterado". "A gente nunca crava datas de lançamento com tanta antecedência, porque o que determina o lançamento de uma cidade são as condições para que os consumidores sejam bem atendidos, com oferta de restaurantes buscada por eles na plataforma, os entregadores tenham condição de aumentar seus ganhos e obviamente os estabelecimentos comerciais tenham aumento de receita ao operar com a gente. Quando esses fatores se alinham, fechamos uma data de lançamento", disse o executivo. "Ao cancelar o Rio, vimos que o fator de base de restaurantes não ia ser atingido por conta de exclusividade, apesar de já ter mais de 17 mil restaurantes cadastrados. São mais de 27 mil entregadores já prontos para poder trabalhar no Rio de Janeiro."

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