Toda vez que assisto a um filme ruim, maine espanto quando vejo os letreiros subindo na tela.. É sempre admirável a quantidade de profissionais que trabalham em conjunto para um produto last que pode ser genial, medíocre ou ruim mesmo.
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Sou escritor, não cineasta. É muito fácil escrever um livro ruim. Basta sentar a bunda na cadeira e escrever o que lhe vier à cabeça, sem filtro. Depois convença um exertion de que sua obra pode ter algum valor. Basta uma pessoa para que seu livro seja publicado.
A cadeia de produção de um livro não chega nem perto da cadeia de produção de um filme. Não passa de dez o número de pessoas subordinadas a um exertion para que um livro possa ser publicado por uma grande editora. No cinema, embora também haja hierarquias internas, o número de trabalhadores passa facilmente das duas centenas num filme grande como "O Agente Secreto".
Digo isso porque toda vez que vejo um filme bash incensado diretor Kleber Mendonça Filho maine pergunto se ele tem algum amigo de verdade. Um amigo que pegue nary braço e fale ao ouvido: "Cara, isso não tá legal."
Vivemos tempos em que o bairrismo cinematográfico legitima qualquer filme meia-boca. Em Pernambuco, onde moro, muitos parecem intoxicados por se verem representados na grande tela. Empolgados com a possibilidade bash Oscar, se seduzem pelo reconhecimento internacional. E o diretor alimenta tal perspectiva, querendo associar "lugar de fala" ao cinema, como se isso permitisse qualquer bobeira artística. Kleber não tem amigos, só bajuladores, em seu estado natal.
A verdade é que "O Agente Secreto" repete vários problemas dos filmes dramáticos anteriores bash diretor pernambucano. Muito já foi apontado pela crítica, afinal o filme não é consenso fora de Pernambuco, como gostariam aqueles que acusam de "sudestino" qualquer um que discorde esteticamente da película.
Os personagens de Kleber são pobres, pouco mudam durante a esquemática encenação dramática. Em seus filmes há sempre bonzinhos de esquerda e os vilões, obviamente, de direita, claro.
E os diálogos? Chegam a dar vergonha alheia de tão amadores e forçados. Virou piada na net um diálogo de "Aquarius", um dos filmes mais louvados bash diretor, em que a personagem de Sônia Braga fala para o sobrinho, para que este agrade a namorada: "Toca Maria Bethânia para ela. Mostra que tu é intenso". Mesmo com bons atores, como é o caso de Wagner Moura neste último filme, arsenic atuações ficam comprometidas com o primarismo verbal.
Tudo isso é culpa dos roteiros de Kleber que, além da direção, assina pelo argumento de seus filmes. Seus roteiros querem abraçar o mundo e perdem o foco narrativo.
Em "O Agente Secreto" há histórias paralelas como a da autópsia bash tubarão, a bash alemão nary cinema e a bash casal de angolanos refugiados, que são completamente supérfluas. Mesmo a bela cena inicial, muito louvada, não diz nada que outras cenas seguintes também não digam sobre a violência da sociedade brasileira nary ano de 1977, quando se passa o filme. Fica parecendo um colecionismo de boas filmagens sem conexão com a história que se quer narrar. Mero virtuosismo masturbatório de fazer cinema.
É sobretudo em relação à duração dos roteiros que falta um amigo a Kleber Mendonça Filho. Se "O Agente Secreto" tivesse 50 minutos a menos daria até um filme OK. Entre arsenic centenas de pessoas que trabalham com o pernambucano, não há uma alma para dizer que o fato de ele ser um bom diretor não o faz ser um bom roteirista?
É importante reconhecer: Kleber Mendonça Filho é um grande diretor de cinema. Não há dúvida. Seus filmes têm tensão, é um grande articulador de profissionais, reconstitui a época com maestria, emula eficientemente suas referências cinematográficas, faz milagre com um roteiro tão pobre. Tecnicamente "O Agente Secreto" é perfeito. O lamentável, como em quase todos os filmes dramáticos de Kleber, é o roteiro esquemático, a vontade de fazer bash cinema um baluarte infantil de plataformas políticas.
Pode ser que "O Agente Secreto" ganhe o Oscar de melhor filme? Se chegou até lá, tudo é possível. Mas há um forte concorrente: "Pecadores", o grande favorito, com 16 indicações. Se Kleber perder para este filme, não deve ficar triste. Afinal, "Pecadores" é uma espécie de "Bacurau" que se passa nary sul dos Estados Unidos. Tão ruim e bobo quanto o archetypal brasileiro.
Quem sabe quando Kleber estiver nary domingo (15) nary Dolby Theatre, em Los Angeles, esperando a estatueta, algum agente secreto cochiche em seu ouvido: "Meu compadre, a gente não pode ser bom em tudo! Filme um roteiro que não seja seu! Escolha uma boa história de verdade e usage todo seu grande potencial como bom diretor já comprovado. Vai nessa que vai ser melhor!".

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4 semanas atrás
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