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'Lágrimas de sangue', protestos e eliminação para os EUA: como foi a última participação do Irã na Copa

Esta não é a primeira vez, no entanto, que a política cruza a trajetória da seleção iraniana na Copa.

A presença do Irã na Copa do Mundo de 2022, no Catar, foi muito além do futebol. A seleção chegou ao torneio carregando o peso de uma crise política interna, marcada por protestos contra o regime dos aiatolás e tensão diplomática.

A campanha iraniana há 4 anos ficou conhecida até então como um das mais politizadas da história dos Mundiais. Dentro de campo, o Irã caiu no mesmo grupo dos EUA e perdeu a partida decisiva que valia vaga nas oitavas, sendo eliminado da competição.

O g1 relembra abaixo a participação da seleção iraniana no Mundial do Catar:

  1. Convocação sob protestos
  2. Silêncio no hino e pressão do regime
  3. Eliminação pelos EUA e pedido de perdão
  4. Lágrimas de sangue na arquibancada
  5. Espiões e repressão

1. Convocação sob protestos

Antes mesmo da bola rolar, a seleção iraniana já estava envolvida em polêmicas. A convocação foi adiada em meio às manifestações que tomavam conta das ruas do país após a morte de Mahsa Amini, jovem de 22 anos detida pela polícia da moralidade.

Houve pedidos internacionais para que o Irã fosse excluído da Copa, como o do time ucraniano Shakhtar Donetsk, que sugeriu a entrada da Ucrânia em seu lugar.

Contexto: o Irã viveu uma onda de protestos em 2022 em reação ao caso da jovem curda Mahsa Amini, de 22 anos, que apareceu morta após ser presa pela polícia dos costumes do país por "uso inadequado" do véu islâmico, obrigatório no Irã. Na época, os atos foram duramente reprimidos pelo regime dos aiatolás.

2. Silêncio no hino e pressão do regime

Seleção iraniana durante apresentação no campo em Doha, no Catar — Foto: Marko Djurica/REUTERS

O gesto ganhou repercussão mundial, mas trouxe consequências: relatos apontaram que o regime ameaçou prender e torturar familiares dos atletas caso o silêncio se repetisse. A partir do segundo jogo, os jogadores voltaram a cantar, sob evidente pressão.

3. Eliminação pelos EUA e pedido de perdão

Foto compartilhada pelo meia da seleção iraniana Saeid Ezatolahi do jogador com jovem morto a tiros por policiais no Irã após derrota do país na Copa, em 30 de novembro de 2022. — Foto: Reprodução/ Redes sociais

Em campo, o Irã foi eliminado na fase de grupos, após uma vitória e duas derrotas - uma delas para os EUA.

  • Estreia contra a Inglaterra (21/11): Derrota por 6 a 2, marcada também pelo choque violento entre o goleiro Alireza Beiranvand e um zagueiro, que obrigou sua substituição.
  • Vitória contra o País de Gales (25/11): Triunfo por 2 a 0 nos acréscimos. Nas arquibancadas, torcedores choraram e exibiram cartazes com mensagens como “Todos somos Mahsa”.
  • Confronto contra os EUA (29/11): O duelo decisivo carregava décadas de rivalidade política. A partida foi antecedida por polêmica: a federação norte-americana publicou a bandeira do Irã sem o emblema islâmico, o que gerou pedido de exclusão da Copa por parte dos iranianos. Em campo, derrota por 1 a 0 e eliminação. Após o apito final, jogadores caíram no gramado chorando. O volante Saeid Ezatolahi pediu perdão: “Espero que nos perdoem” (veja a imagem acima).

Contexto: 24 anos separaram o primeiro do segundo confronto entre o Irã e os EUA nas Copas do Mundo. Em 1998, as duas seleções viveram um duelo memorável na Copa da França, com uma vitória por 2 a 1 para os iranianos. A partida foi batizada como "Jogo da Paz" e ocorreu em um período de reaproximação entre o Irã e o Ocidente.

4. Lágrimas de sangue na arquibancada

Uma torcedora do Irã é fotografada dentro do estádio antes da partida enquanto protestava — Foto: Dylan Martinez/REUTERS

Torcedores protestaram dentro e fora dos estádios durante a Copa do Catar. Uma das imagens mais marcantes é da torcedora que pintou o rosto representando lágrimas de sangue durante a partida entre Irã e País de Gales. Ela também exibiu uma camiseta de seleção iranina com o nome de Mahsa Amini.

A mulher não foi identificada ne época por questões de segurança.

Grupos de torcedores também foram vistos do lado de fora do estádio Ahmad Bin Ali se manifestando de diversas formas. Parte deles vestia camisetas com as palavras "Mulher, Vida e Liberdade". Também foram vistos cartazes pedindo liberdade para o Irã e o fim da república islâmica.

Apoiadores agitam bandeiras iranianas e uma mulher segura uma placa com os dizeres "Liberdade para o Irã. Não à República Islâmica" — Foto: Jin-Man Lee/AP

Durante o torneio, torcedoras acusaram o governo iraniano de enviar espiões ao Catar para vigiar as manifestações. A tensão política se refletia também fora dos estádios, com relatos de intimidação e monitoramento de quem protestava.

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