Relatos de mulheres no LinkedIn levantam suspeitas de que o algoritmo da plataforma estaria favorecendo publicações feitas por homens. Usuárias afirmam que, ao alterar gênero, nome ou estilo de linguagem dos perfis, passaram a registrar aumentos expressivos no alcance das postagens. O LinkedIn nega usar dados de gênero no ranqueamento, enquanto especialistas apontam riscos de discriminação algorítmica indireta. Para entender mais sobre o caso, o TechTudo conversou com a advogada especialista em Direito Digital, Antonielle Freitas. Confira.
LinkedIn prioriza homens? Denúncias levantam suspeitas e especialista analisa o caso — Foto: Reprodução/Shutterstock O LinkedIn tem priorizado postagens feitas por homens? Entenda o caso segundo uma especialista
Para entender melhor o problema exposto por mulheres em publicações no próprio LinkedIn, o TechTudo analisou o caso e conversou com a advogada especialista em Direito Digital, do Viseu Advogados, Antonielle Freitas sobre a responsabilidade da plataforma e como o caso é visto juridicamente. A seguir, veja um índice do que vamos abordar na matéria:
- Mulheres denunciam o algoritmo do LinkedIn
- Especialista analisa o caso
- O que o LinkedIn alega
1. Mulheres denunciam o algoritmo do LinkedIn
Os relatos publicados por mulheres no LinkedIn e repercutidos em veículos de tecnologia e comportamento vêm levantando questionamentos sobre o funcionamento do algoritmo da plataforma. Segundo as usuárias, conteúdos publicados por perfis masculinos — ou percebidos como masculinos — estariam recebendo mais visibilidade e engajamento do que posts equivalentes assinados por mulheres. As denúncias não partem de análises técnicas do sistema, mas de testes empíricos realizados pelas próprias usuárias. Em comum, os relatos descrevem mudanças simples nos perfis, como a alteração do nome, do gênero exibido ou do estilo de escrita, seguidas por aumentos significativos na distribuição dos conteúdos no feed.
Um dos casos que mais repercutiram foi o da comunicadora Felice Ayling, que relatou em um post no próprio LinkedIn ter alterado o gênero informado no perfil e, em seguida, percebido que as impressões de suas publicações haviam dobrado. O depoimento ganhou projeção internacional após ser citado por veículos como The Guardian e TechCrunch, tornando-se um dos exemplos mais conhecidos do debate sobre possível viés algorítmico na rede profissional.
Outras experiências semelhantes foram reunidas pela colunista Geri Stengel em um artigo publicado no LinkedIn Pulse, no qual ela analisou relatos de mulheres que decidiram testar, de forma prática, o impacto do gênero na performance dos conteúdos. Entre elas está a profissional de marketing Lucy Ferguson, que contou ter alterado seu nome para Luke por apenas um dia e observado um crescimento superior a 800% nas impressões dos posts publicados nesse período, sem mudanças no conteúdo, no horário ou na rede de contatos.
No mesmo artigo, a escritora e estrategista de conteúdo Jessica Doyle Mekkes relatou ter feito um experimento ainda mais discreto: mudou apenas o marcador de gênero do perfil para masculino. Segundo ela, as visualizações das publicações seguintes cresceram cerca de 700%, o que levantou dúvidas sobre como padrões sociais de engajamento podem influenciar o funcionamento do algoritmo. A lista inclui ainda relatos como o da profissional Rosie Taylor, que afirmou ter observado um aumento de mais de 200% no alcance após a alteração, e o da empreendedora Kamales Lardi, que disse ter visto as impressões de seus posts crescerem mais de 400% depois da mudança no gênero exibido no perfil.
Além das alterações diretas no gênero, algumas usuárias relataram testes focados apenas na linguagem. Em textos que circularam no próprio LinkedIn, as criadoras contaram que publicaram versões praticamente idênticas de um mesmo conteúdo, alterando apenas o tom da escrita. Segundo esses relatos, textos com linguagem mais direta, assertiva e associada a liderança masculina tiveram desempenho superior a versões com abordagem mais colaborativa ou reflexiva.
Mulheres relataram aumento no engajamento após se passarem por homens — Foto: Reprodução/Primakov/Shutterstock 2. Especialista analisa o caso
Do ponto de vista jurídico, os relatos levantam questionamentos sobre a chamada discriminação algorítmica. Para Antonielle Freitas, advogada especialista, sistemas automatizados podem produzir efeitos discriminatórios mesmo quando não há intenção explícita por parte das empresas.
Segundo Antonielle, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece o princípio da não discriminação como um dos pilares do tratamento de dados pessoais, inclusive em decisões automatizadas. Ela lembra que o artigo 20 da legislação garante ao titular o direito de solicitar a revisão de decisões tomadas exclusivamente por sistemas automatizados quando essas decisões impactam seus interesses.
Na avaliação da especialista, o fato de mulheres relatarem a necessidade de ajustar identidade ou linguagem para ampliar alcance já indica uma assimetria relevante no funcionamento das plataformas. Mesmo quando não há tratamento explícito de dados sensíveis, os impactos sobre visibilidade, reputação digital e oportunidades profissionais podem ser juridicamente relevantes.
Antonielle também destaca que plataformas digitais podem ser responsabilizadas mesmo sem intenção discriminatória, já que a LGPD impõe um dever de diligência contínua para prevenir impactos desiguais decorrentes de decisões automatizadas. Essa responsabilização pode ocorrer nas esferas civil, administrativa e regulatória, inclusive com sanções aplicadas pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Especialista afirma que plataformas digitais podem ser responsabilizadas mesmo sem intenção discriminatória — Foto: Reprodução/Rafapress/Shutterstock 3. O que o LinkedIn alega
Em meio às denúncias sobre possível viés algorítmico, o LinkedIn afirma que não utiliza características pessoais como gênero, idade ou raça para definir quais conteúdos ganham mais visibilidade no feed. Em um texto publicado em seu blog oficial de engenharia, a empresa sustenta que esses dados não fazem parte dos sinais usados para ranqueamento.
Segundo a plataforma, a organização do feed se baseia em uma combinação de sinais, como relevância do conteúdo, histórico de interações, conexões do usuário e probabilidade de engajamento. O LinkedIn também afirma que realiza testes constantes para avaliar como mudanças no algoritmo impactam diferentes grupos de usuários.
A empresa reconhece que sistemas automatizados aprendem a partir do comportamento das pessoas na rede social, mas argumenta que ajustes frequentes são feitos para priorizar conteúdos considerados úteis e reduzir práticas como spam, engajamento artificial ou publicações repetitivas.
LinkedIn afirma que não utiliza características pessoais como gênero para definir quais conteúdos ganham mais visibilidade — Foto: Reprodução/Pexels/Tobias Dziuba
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