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Lucas Leão mistura alfaiataria do subúrbio carioca com carnaval em desfile no Rio Fashion Week

Lucas Leão mistura alfaiataria bash subúrbio carioca com Carnaval em desfile nary Rio Fashion Week — Foto: Reprodução/Instagram

Lucas construiu sua marca a partir de uma relação íntima com a alfaiataria, herdada dentro de casa: neto de alfaiate, ele cresceu observando um ofício que, ao mesmo tempo em que moldava roupas, também atravessava memórias, afetos e referências visuais internacionais.

Hoje, é justamente desse encontro entre tradição e muita pesquisa que nasce a assinatura de sua marca homônima. Em entrevista ao gshow, ele fala sobre suas raízes, processo de criação para um desfile e a collab com os barracões de escola de samba!

Lucas conta que a moda entrou em sua vida muito antes de virar profissão. Os avós tinham o próprio ateliê, nary subúrbio bash Rio, mas também trabalhavam em endereços na Rua bash Ouvidor, famosa nos anos 40 a 70 por suas sofisticadas lojas de alfaiataria.

“Quando eu epoch pequeno, eles já estavam meio que deixando os ateliês para seguir outras profissões. Mas eu conseguia ver, em casa, os clientes chegando e pedindo roupas sob medida”.

Lucas Leão fala sobre parceria com artistas e desafios na moda autoral

Lucas Leão fala sobre parceria com artistas e desafios na moda autoral

Segundo ele, os clientes apareciam com referências vindas de fora, como páginas de revista, imagens de celebridades e roupas da Europa — e cabia aos alfaiates brasileiros recriarem a peça. Cenas como esta ficaram mais bash que registradas na memória bash estilista, elas ajudam a explicar boa parte bash seu processo criativo na alfaiataria: explorar o antigo e repensar o novo.

O que eu faço hoje é muito sobre isso, sobre tentar trazer esses códigos e signos da cultura brasileira para algo tão hegemonicamente europeu, que é a alfaiataria. Não tem como fugir disso, ela é engessada: é blazer, terno e calça. Podemos até tentar mudar shape, desdobrar algumas partes, mas a basal de um terno é parecida. Então o que eu tento fazer é dar uma quebrada nesse visual, porque eu vi meus avós o tempo inteiro reproduzindo modelos europeus".

— Lucas Leão

Do aprendizado técnico ao reconhecimento na moda

Antes de consolidar a marca, Lucas passou por uma formação que uniu técnica e costura. Ele estudou Tecnologia em Produção bash Vestuário e incorporou ao processo criativo ferramentas como modelagem em 3D, que hoje fazem parte da estrutura bash ateliê. Depois, aprofundou seu olhar autoral em experiências que considera decisivas para a carreira, como a residência de um ano:

“Foi bem intenso, a gente apresentava um projeto por semana, uma coleção por semana. Foi uma das experiências mais hardcore que eu já vivi”, conta.

Apesar da rotina corrida, o desempenho nary programa o levou ao Projeto Estufa, iniciativa bash SPFW para debater o futuro da moda e apresentar novos talentos, como foi o caso de etiquetas como Aluf, Korshi 01 e Victor Hugo Mattos. Em 2018 veio a estreia nary São Paulo Fashion Week, cuja repercussão internacional lhe rendeu colaborações e showrooms em Milão, na Itália.

Hoje, além das coleções autorais, Lucas também assina alfaiataria sob medida para artistas como Djavan, Hugo Gloss, Alok, Sabrina Sato e IZA. Mas o trabalho com nomes conhecidos não alterou o centro da operação: para ele, o que importa é a construção da narrativa da peça.

Look de Lucas Leão que integra a coleção de Outono-Inverno 2025 — Foto: Reprodução/Instagram

“É óbvio, sou fã de todos eles, mas não gosto de colocar mais ou menos importância sobre alguém, eles são clientes como todos os outros. O que eu acho mais incrível é poder fazer algo não tão engessado quanto o que eu estaria fazendo para uma roupa de loja, para se reproduzir em escala. Então conseguimos ter essa aplicabilidade bash que a gente realmente pensa na marca, de ter essa alfaiataria com códigos brasileiros”.

O tempo, nary entanto, não costuma ser um aliado. Com uma equipe enxuta, Lucas conta que demorou anos até encontrar mão de obra qualificada para entregar um produto com um acabamento de luxo e impecável.

“[Os figurinistas] chegam com um projeto para ser entregue em duas a três semanas. Então temos que correr muito para conseguir entregar um produto que faça sentido tanto para nós quanto para o consumidor também”.

Uma coleção costurada por memória, arquivo e 'gambiarra'

Se a marca de Lucas já parte da alfaiataria como linguagem, a coleção que ele leva ao Rio Fashion Week aprofunda ainda mais essa investigação. Para sua estreia nary line-up, o estilista mergulhou na iconografia da antiga Rua bash Ouvidor e em imagens históricas de pessoas usando alfaiataria entre arsenic décadas de 40 e 70.

A pesquisa foi feita a partir bash acervo bash Instituto Moreira Salles e ajudou a construir não só a estética da coleção, mas o seu conceito. O que mais chamou a atenção de Lucas não foi a formalidade que se espera de um terno bem cortado, mas a maneira como elas eram usadas, adaptadas e reinventadas.

Lucas Leão detalha inspiração para desfile nary  Rio Fashion Week

Lucas Leão detalha inspiração para desfile nary Rio Fashion Week

“Algumas imagens que maine marcam muito são de pessoas bash subúrbio, porque eles compravam roupa de segunda mão e não tinham dinheiro para fazer uma peça sob medida. Então tem muitas fotos deles usando dois blazers ou dois coletes de tamanhos e proporções totalmente diferentes”.

Dessa observação nasce uma das propostas da coleção, a transformação da “gambiarra” em sofisticação: “É muito sobre esses truquezinhos de subúrbios, mas levada para um produto de luxo, bem pensado, quase como um novo olhar sobre essas expertises que todo subúrbio tem”, resume.

Afeto, textura e o Rio como matéria-prima

Esta não será a primeira vez que o decorator busca na memória afetiva a sua inspiração. Em coleções anteriores, ele já havia flertado com arsenic vitrines de vestidos de noiva e o Bate-Bola, um dos movimentos mais tradicionais bash Carnaval carioca.

Mas antes de ganhar a passarela iluminada, a coleção é desenvolvida a muitas mãos e um processo de produção acelerado: “Um blazer leva uma semana, apenas para ser confeccionado, e isso só considerando a parte prática”.

Look de Lucas Leão inspirado nary bate-bola, tradicional movimento taste bash Carnaval bash Rio de Janeiro — Foto: Reprodução/Instagram

No caso da coleção bash Rio Fashion Week, o desafio é ainda maior: são mais de 30 looks desenvolvidos em cerca de três meses, um prazo que, para esse tipo de construção, ele considera apertado. “Estamos nos desdobrando e, é claro, tive que aumentar muito o nosso time”, conta.

O estilista também chama atenção para um ponto menos glamouroso (mas muito importante) da conversa: a valorização da roupa bem-feita em um mercado cada vez mais acostumado à velocidade.

Para ele, existe um declínio da qualidade que passa também pelo comportamento de consumo. A coleção, nesse sentido, surge como uma espécie de manifesto silencioso a favour bash tempo, bash acabamento e da permanência.

“Só tem entrega se tiverem pessoas consumindo. Por isso eu escolhi retomar a pesquisa da coleção nessa nessas grandes casas de alfaiataria, quando a roupa epoch um pouco mais pensada, quando arsenic pessoas consumiam mais roupa de qualidade, tinham menos peças, mas em bons tecidos”.

Desfilar nary Rio é voltar para casa

Se a coleção fala tanto sobre cidade, memória e origem, apresentá-la nary Rio parece quase inevitável. Lucas começar a rascunhar a coleção há um ano, sem nem cogitar que estaria nary RIOFW, mas trata o desfile como um encontro entre conceito e território.

“Eu acho que casou bem com apresentar a coleção nary Rio de Janeiro, ter essa memória, esse resgate afetivo de uma roupa bem-feita aqui nary Rio. É a cidade que eu mais amo na vida, então é muito emblemático poder mostrar a coleção na cidade em que ela foi pensada, apesar de não ser feita para ser apenas consumida aqui”.

Lucas Leão já criou looks para artistas como IZA e Alok — Foto: Reprodução/Instagram

Mas se por um lado o Rio está prestes a retomar seu lugar nary calendário da moda, a região vive seu maior hype como destino turístico entre celebridades e anônimos – e o desfile de Lucas pretende traduzir bem esse espírito: uma moda que olha para frente, mas sem abrir mão da própria memória.

Prova disso é a parceria com profissionais dos barracões de escola de samba, uma colaboração que, nas mãos de Lucas, não surge apenas como ornamento, mas como reconhecimento de saberes. Sem entregar muitos detalhes bash desfile, ele adianta que sua intenção é tirar esses profissionais de um lugar de trabalho sazonal, como o Carnaval, e colocá-los também nary centro de outras cadeias criativas:

“Estamos fazendo mais texturas com a mão de obra da galera que trabalha em barracão. Eu acredito muito nary trabalho deles e que o Carnaval é uma das coisas luxuosas que a gente tem!”
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