Segundo auxiliares do presidente, Lula ainda não decidiu se vai aceitar ou não o convite. O presidente e sua equipe estão fazendo uma análise detalhada do documento e, principalmente, das implicações de aceitar a proposta.
Integrantes do governo brasileiro afirmam que serão levados em conta alguns pontos, entre os quais:
- quais os objetivos do conselho;
- quais países aceitarão fazer parte do grupo;
- o que esses países pensam acerca da guerra;
- se haverá custos financeiros a partir das decisões tomadas.
O anúncio sobre a criação do conselho aconteceu na semana passada. Segundo a Casa Branca, o conselho vai discutir questões como "fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital".
Diplomatas afirmam que há muitas dúvidas a serem respondidas antes de o governo brasileiro tomar qualquer decisão sobre aceitar ou não o convite.
"Nada disso está claro", afirmou um diplomata a par das conversas.
Segundo esse diplomata, é necessário o Brasil consultar, inclusive, países que tenham algum tipo de relevância sobre o tema, para que as decisões eventualmente tomadas possam ser levadas adiante.
"Trocar ideias com outros países relevantes na questão, é assim que se constrói uma posição em questão de tamanha relevância", afirmou.
Em discursos públicos, no Brasil e em fóruns internacionais, Lula já acusou o governo de Benjamin Netanyahu de praticar atos de "genocídio" contra o povo palestino e que está em curso não somente uma tentativa de "extermínio do povo palestino", mas, sim, uma tentativa de "aniquilamento de seu sonho de nação".
Além disso, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, classificou como "carnificina" as ações militares israelenses em Gaza e disse ser legítimo que Israel queira defender sua população, mas afirmou que as ações contra os civis em Gaza "já ultrapassaram há muito tempo qualquer limite de proporcionalidade".
A criação do "Conselho de Paz" é considerado elemento-chave da segunda fase do plano respaldado por Washington para encerrar a guerra no território palestino.
"Posso dizer com certeza que é o maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar", ressaltou o presidente americao ao fazer o anúncio nas redes sociais.
Segundo a Casa Branca, o conselho vai discutir questões como "fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital".
Diferentemente dos Estados Unidos e de Israel, o Brasil reconhece o Estado da Palestina. Em outubro de 2023, quando a guerra na região se intensificou – após ataques do grupo terrorista Hamas ao território israelense –, o Brasil tentou aprovar no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) uma resolução que levasse a um cessar-fogo e à entrada permanente de ajuda humanitária para os palestinos.
Mas a tentativa fracassou diante do veto do governo dos EUA, à época chefiado por Joe Biden, que alegou que o texto não deixava claro o direito de Israel de se defender.
Desde então, Lula tem criticado tanto as ações do Hamas como a forma de Netanyahu de lidar com os palestinos, o que provocou um distanciamento diplomático entre Brasil e Israel.
Nesse cenário, o governo brasileiro tem afirmado apoiar iniciativas que possam garantir a paz na região.

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