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Lula viaja aos EUA para encontrar Trump; Brasil quer debater combate ao crime organizado

O encontro é visto por fontes da diplomacia brasileira como um passo para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após um período de incertezas e tarifas de importação.

Além da economia, devem compor a mesa de discussões os seguintes temas (clique no assunto para mais detalhes):

A viagem a Washington é fruto de um processo de aproximação que ganhou tração em 26 de janeiro de 2026, quando Lula e Trump conversaram por telefone por cerca de 50 minutos.

De janeiro para cá, a relação já marcada por divergências entre Lula e Trump ganhou novos elementos de tensão no cenário internacional.

A guerra no Oriente Médio, episódios diplomáticos como o cancelamento do visto do assessor Darren Beattie e ruídos envolvendo a prisão e posterior soltura do deputado Alexandre Ramagem contribuíram para tornar o ambiente mais complexo, adicionando desafios à interlocução entre os dois governos.

Enquanto a reunião era negociada nos últimos meses, um auxiliar do presidente Lula explicava que a reunião entre Lula e Trump poderia ser "mais um ponto de partida do que um ponto de chegada" em termos de acordos.

Lula e Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN em Kuala Lampur, Malásia. — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

🔎A Seção 301 é um procedimento administrativo conduzido exclusivamente pelos Estados Unidos, sem caráter judicial ou semelhança com os painéis da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A investigação foi anunciada sob a alegação de que o país adota práticas econômicas desleais relacionadas ao PIX e ao etanol, por exemplo. Os EUA também alegam que o Brasil adota “há décadas” uma série de medidas para restringir o acesso de exportadores americanos ao mercado brasileiro.

Lula tem repetido que "ninguém" vai fazer o Brasil fazer mudanças no PIX. Fontes da diplomacia brasileira afirmam que, apesar de declarações públicas de autoridades americanas contra o Brasil, a ordem é negociar a questão comercial e chegar a um consenso.

Combate ao crime organizado e narcotráfico

Na mesma semana, o Brasil apresentou um plano inicial de discussão. Propôs que os dois países trabalhassem juntos para coibir a lavagem de dinheiro, sugerindo:

  • o bloqueio nos Estados Unidos de ativos ilícitos de criminosos brasileiros;
  • medidas para combater o tráfico internacional de armas que abastece o Comando Vermelho e o PCC no Brasil.

Reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” mostrou que o governo Trump fez uma contraproposta sugerindo que o Brasil receba em prisões brasileiras os estrangeiros capturados nos Estados Unidos, tal como faz El Salvador. A ideia foi rejeitada pelo governo brasileiro.

A reportagem mostrou ainda que os Estados Unidos também queriam que o Brasil apresentasse um plano para acabar com o PCC, o Comando Vermelho, o Hezbollah e as organizações criminosas chinesas em solo brasileiro.

O governo americano vem discutindo classificar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas, o que, segundo uma interpretação das regras internas do país, justificaria medidas unilaterais – inclusive com uso de força militar.

O governo brasileiro deve fazer uma apresentação ao governo americano sobre essa proposta com intuito de demonstrar o esforço do Brasil em enfrentar o crime.

Minerais críticos e terras raras

🔎 O Brasil, por sua vez, detém uma das maiores reservas desses minerais, é a segunda maior do mundo.

O acordo firmado entre o governo de Goiás e os Estados Unidos para a exploração de minerais críticos, que provocou reação do governo federal, pode se abordada nas negociações. A avaliação é de que a iniciativa não tem validade jurídica.

  • Lula deve buscar informações atualizadas sobre as condições de Nicolás Maduro e da esposa, presos pelos EUA no início do ano. O Brasil classificou a ação como uma violação da soberania e do direito internacional.
  • Lula condenou a operação e cobrou resposta de organismos internacionais. A posição brasileira tem sido a de evitar uma escalada de tensão, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de transparência e de solução dentro das regras do direito internacional.
  • A crise humanitária em Cuba também é uma preocupação do governo brasileiro e deve ser tema nas discussões internacionais. O Brasil teme que o agravamento da situação no país caribenho pode aumentar a instabilidade na região.
  • O governo brasileiro receia que uma eventual postura mais dura de Trump contribua para uma escalada de conflitos na América Latina, o que poderia impactar diretamente o equilíbrio político e econômico do continente.
  • Lula deve aproveitar o encontro com Trump para tentar uma posição de neutralidade do líder americano em relação às eleições no Brasil. A expectativa não é buscar um apoio direto, mas evitar que Trump sinalize apoio a Flávio Bolsonaro (PL), possível candidato da oposição.
  • A avaliação é de que o encontro também deve ser explorado durante a campanha eleitoral do petista. A ideia é reforçar a imagem de Lula como um líder com trânsito internacional, capaz de dialogar, inclusive, com figuras associadas à direita global.
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