Uma mãe iraniana que perdeu dois filhos no bombardeio que atingiu a escola em Minab, no sul do Irã, no primeiro dia de ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel. Mohaddeseh Fallahat cobrou justiça e relembrou a última frase que ouviu das crianças antes da tragédia: “Venha nos buscar depois da escola”.
A fala foi feita em uma reunião de emergência no Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta sexta-feira (27). O ataque deixou cerca de 175 mortos, entre crianças e professores, e é alvo de disputa de versões entre Irã e Estados Unidos.

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Fallahat fez um depoimento emocionado e descreveu o vazio deixado pela morte dos filhos, Amin e Mehdi. Ao saírem de casa, os filhos disseram apenas que ela fosse buscá-los depois da aula — frase que, segundo ela, se repete “mil vezes” em sua mente.
A mulher disse que ainda guarda roupas compradas para o Ano Novo e cadernos que ficaram inacabados. Para ela, os filhos tiveram sonhos interrompidos de forma abrupta.
A mulher pediu que a tragédia não seja esquecida e que os responsáveis sejam punidos. “Não por vingança, mas por justiça”, disse.
Na reunião, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, acusou os Estados Unidos e Israel de cometer genocídio durante a guerra e pediu que a ONU condene os dois países pelo ataque à escola. A sessão em Genebra teve como tema central o ataque à escola.
O chanceler iraniano disse que as vítimas do ataque foram "massacrados de forma completamente intencional e brutal", em um crime de guerra e contra a humanidade. O bombardeio foi feito por engano pelo Exército dos EUA, segundo análises da mídia norte-americana. Uma investigação militar também indicou em caráter preliminar que as forças dos EUA teriam responsabilidade no ocorrido.
Veja abaixo outras coisas que Araqchi falou ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em sessão nesta sexta:
- acusou EUA e Israel de destruírem ou danificarem mais de 600 escolas durante a guerra, o que resultou em mais de 1.000 alunos e professores mortos ou feridos;
- voltou a criticar os EUA por iniciarem a guerra durante negociações nucleares entre os dois países;
- criticou ameaças de ataques a infraestruturas vitais —feitas pelos EUA nos últimos dias— e disse que instalações dessa natureza e também civis já sofreram ataques durante a guerra;
- disse que o Irã nunca buscou a guerra e continuará se defendendo pelo tempo que for preciso.
Na sessão, o chefe de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, pediu que os EUA concluam sua investigação sobre o ataque à escola em Minab e que publiquem os resultados.
O representante do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU, o ministro André Simas Magalhães, afirmou que o país condena fortemente o ataque. "Este ato é grave violação dos direitos humanos e da lei internacional humanitária. Estamos presenciando uma sistemática violação da carta da ONU. Isso parece ter virado uma constante em guerras pelo mundo", disse.
Infográfico detalha ataque contra escola em Minab, no Irã — Foto: Alberto Correia/Arte g1

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