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Maior grupo estrangeiro, venezuelanos encaram trabalho precário no Brasil

No jargão do programa, isso quer dizer que elas tiveram sua documentação regularizada e depois foram encaminhadas para postos de trabalho — os principais destinos têm sido os estados da região Sul.

O número total de venezuelanos no Brasil, no entanto, é consideravelmente superior ao dos oficialmente contemplados pela Operação Acolhida.

Atualmente, eles formam o maior grupo estrangeiro no país, com mais de 271 mil pessoas, segundo dados do Censo de 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2010, o contingente era quase cem vezes menor.

Apesar do importante esforço da Operação Acolhida, a explosão do fluxo migratório tem exposto esse público, marcado pela vulnerabilidade, a ocupações precarizadas e degradantes.

Um relatório produzido pelo Banco Mundial e pela UNHCR, a agência de refugiados da ONU, revela que a probabilidade de um venezuelano encontrar um emprego formal por aqui é 64% menor que a da média dos brasileiros.

Não à toa, episódios de trabalho escravo e de tráfico de pessoas têm se avolumado. Em fevereiro de 2023, por exemplo, uma fiscalização do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) resgatou 24 migrantes na construção de galpões de madeira, em Rio do Sul (SC), a 200 quilômetros da capital Florianópolis. O grupo estava alojado em um local sem cozinha, sem colchões e sem abastecimento de água.

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No ano seguinte, outra operação do MTE encontrou seis venezuelanos em um restaurante em Itapetininga, no interior paulista, submetidos a jornadas diárias de mais de 12 horas, com folga a cada quinzena. Arregimentados por um compatriota, eles sofreram descontos em seus salários para quitar uma dívida fraudulenta, cobrada em virtude dos custos com o transporte do grupo até o local. A prática, típica das redes de tráfico de pessoas, é proibida por lei.

Uma simples busca no Google revela diversos outros episódios semelhantes, que se espalham de obras públicas em Rondônia a propriedades rurais no Rio Grande do Sul. Sinal de que o louvável esforço da Operação Acolhida — uma importante parceria entre poder público, sociedade civil e iniciativa privada — precisa ser aprimorado.

Como já apontaram diversas entidades, é necessário redobrar a fiscalização para impedir que migrantes prejudicados pela ditadura venezuelana sejam explorados por maus empregadores brasileiros. A ação autoritária e intempestiva de Donald Trump acende um importante alerta sobre o agravamento desse problema.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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