▶️ Contexto: A crise ganhou força em janeiro, quando Trump ameaçou atacar o Irã após a repressão a manifestantes que protestavam contra o governo. Com o enfraquecimento dos atos, o presidente norte-americano passou a focar no programa nuclear iraniano.
- Os EUA querem que o Irã limite ou encerre o programa de enriquecimento de urânio.
- O Irã afirma que a iniciativa tem fins pacíficos, mas a Casa Branca acusa o país de tentar desenvolver uma arma nuclear.
- Segundo a imprensa americana, os EUA também querem restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e encerrar o apoio do país a grupos armados no Oriente Médio.
- O Irã defende que as negociações se limitem ao programa nuclear e afirma estar disposto a reduzir o nível de enriquecimento de urânio em troca do fim de sanções.
- Três rodadas de conversas ocorreram nas últimas semanas. A última ocorreu na quinta (26), em Genebra. Uma nova reunião foi marcada para a próxima semana em Viena.
Mesmo com as negociações em andamento, EUA e Irã passaram a trocar ameaças militares. Em janeiro, Trump ordenou o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Oriente Médio. Segundo o presidente, o objetivo era monitorar Teerã “de perto”.
Nas últimas semanas, os EUA enviaram um segundo porta-aviões para a região. O USS Gerald R. Ford, que havia auxiliado na operação que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro, deixou o Caribe com destino ao Oriente Médio. A embarcação já está perto da costa de Israel.
- As forças enviadas se somaram a navios de guerra e às bases militares já mantidas pelos EUA na região.
- Ao todo, os norte-americanos controlam ao menos 10 bases em países vizinhos ao Irã e mantêm tropas em outras nove.
👉 Veja no infográfico a seguir onde ficam as embarcações e em quais locais há soldados norte-americanos.
Infográfico mostra cerco dos EUA ao Irã — Foto: Arte g1
A movimentação dos EUA no Oriente Médio ganhou força após Trump determinar o envio do USS Abraham Lincoln para a região. Antes, o porta-aviões participava de manobras no Mar do Sul da China. Além da embarcação, caças e sistemas de defesa aérea também foram deslocados.
O porta-aviões já atuou no Oriente Médio em outras ocasiões, como na guerra do Afeganistão, após os atentados de 2001. Também serviu de apoio às forças americanas em uma operação contra o grupo rebelde Houthi, em 2024.
- A embarcação pode levar até 5.500 tripulantes e é equipada com lançadores de mísseis e metralhadoras.
- Segundo a Marinha, o USS Abraham Lincoln é um “aeroporto flutuante” e pode lançar até quatro aviões por minuto.
- O porta-aviões abriga vários esquadrões, incluindo caças F-35 Lightning II e F/A-18 Super Hornet, e tem capacidade para transportar até 90 aeronaves, entre aviões e helicópteros.
A força-tarefa inclui ainda outros três navios de guerra: USS Spruance, USS Frank E. Petersen Jr. e USS Michael Murphy.
👉 Veja a seguir detalhes do USS Abraham Lincoln.
Conheça o USS Abraham Lincoln, porta-aviões dos EUA — Foto: Gui Sousa/Arte g1
Ao mesmo tempo, os EUA decidiram enviar um segundo porta-aviões para o Oriente Médio. Trump escolheu o USS Gerald Ford, o maior do mundo, que participava de uma operação contra o tráfico internacional de drogas no Caribe.
- Incorporado à Marinha em 2017, o porta-aviões tem capacidade para transportar até 90 aeronaves, entre caças e helicópteros.
- A pista para pousos e decolagens tem área equivalente ao triplo do gramado do Maracanã.
- O grupo de ataque inclui esquadrões de caças F-18, helicópteros militares e três destróieres: USS Mahan, USS Bainbridge e USS Winston Churchill.
👉 Veja a seguir detalhes do USS Gerald Ford.
Conheça o USS Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo e o mais avançado da Marinha dos Estados Unidos. — Foto: Gui Sousa/Arte g1
O jornal The Guardian publicou na segunda-feira (23) que Trump deve tomar uma decisão final sobre um ataque ao Irã com base na avaliação dos enviados Steve Witkoff e Jared Kushner após uma reunião com autoridades iranianas. O encontro foi na quinta-feira (26).
Fontes ouvidas pelo jornal afirmaram que Trump disse a assessores que considera ataques limitados para pressionar o Irã. O presidente também avalia uma campanha mais ampla, com o objetivo de derrubar o governo do aiatolá Ali Khamenei.
Já a CBS News informou que Trump tem demonstrado frustração com a limitação das opções militares disponíveis neste momento. Segundo a imprensa americana, o general Daniel Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, alertou o presidente para uma série de riscos.
- Fontes ouvidas pelo The Washington Post disseram que os EUA podem enfrentar dificuldades devido ao estoque limitado de munição.
- O arsenal estaria reduzido por causa do apoio americano aos conflitos envolvendo Israel e Ucrânia, segundo a reportagem.
- O jornal afirmou ainda que Caine está preocupado com o risco de mortes de americanos, além de uma guerra generalizada.
- Trump nega as informações.
O The New York Times informou que Trump considera um ataque mais limitado já nos próximos dias, caso avalie que as negociações não avançaram. Um bombardeio mais amplo, com o objetivo de derrubar Khamenei, ocorreria apenas nos próximos meses, se a pressão inicial não surtir efeito.
O Irã prometeu uma resposta “feroz” a qualquer tipo de ataque dos EUA, mesmo que seja limitado. O governo já indicou que pode atingir bases militares americanas no Oriente Médio.
O porta-aviões USS Abraham Lincoln transitando pelo Estreito de Ormuz em 2019 — Foto: Zachary Pearson/U.S. Navy via AP

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