
Os financiamentos são uma das modalidades de crédito mais comuns para quem deseja comprar um imóvel, um veículo ou realizar planos pessoais. Com a manutenção da taxa básica de juros no maior patamar em quase 20 anos, essas operações perdem atratividade, mas o cenário abre espaço para oportunidades e preços mais baixos aos potenciais compradores.
O que aconteceu
Juros elevados limitam acesso aos financiamentos. Ao optar pela manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, o BC (Banco Central) torna o dinheiro mais caro e dificulta o acesso ao crédito para conter a inflação. Para atingir o objetivo, o Copom (Comitê de Política Monetária) defende a persistência da política monetária restritiva por um "período bastante prolongado" e não dá indícios de eventuais cortes no início do ano que vem.
Taxa básica de juros serve como referência no mercado. Quando o BC muda a taxa de juros, ele altera a engrenagem dos financiamentos. Juliana Inhasz, diretora de Economia da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), explica que o cenário impõe restrições para quem quer solicitar ou oferecer os empréstimos. "Quem faz a oferta de crédito tem que captar com um preço mais alto, e isso acaba gerando um repasse para quem toma emprestado", diz ela.
Ambiente adverso é prejudicial para todos os setores. Em diferentes proporções, todas as atividades econômicas são dependentes de financiamentos. Inhasz afirma que o comércio foi aquele que mais sofreu com o cenário, mas também tende a ser o primeiro a se reestruturar após a queda dos juros. Para a indústria, os efeitos negativos dos juros levam mais tempo a serem sentidos.
A indústria ainda é um ponto sensível da história, porque o financiamento é o investimento de uma compra ou negociação que demora a retornar. [...] No comércio, a ponta do consumidor reage mais rápido [à queda dos juros], porque as pessoas vão ver uma taxa menor, uma oferta maior de crédito e mais propagandas de empresas tentando vender seus produtos.
Juliana Inhasz
Volume de financiamentos imobiliários caiu 21,4% neste ano. Dados da Abecip (Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança) mostram que foram contratadas 369.056 operações entre janeiro e outubro, contra 469.531 negócios no mesmo período do ano passado. O total é o menor para o intervalo desde 2020 (324.599). A queda foi puxada pelos financiamentos relacionados à construção, que recuaram 48,9%, de 158.478 para 81.047. Entre as compras, a baixa foi de 7,4%, de 311.053 para 288.038 unidades.
Cortes da taxa Selic geram grande expectativa. O mercado de financiamentos avalia que o ciclo de reduções dos juros, planejado para acontecer a partir do primeiro trimestre de 2026, vai impulsionar a atividade. "Estamos na expectativa pelo início do ciclo de quedas da taxa Selic. Isso é fantástico, porque ela serve como base para os juros do financiamento do imóvel e também para a produção", diz Fernando Guedes Ferreira Filho, presidente-executivo da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção).
Mercado financeiro prevê cortes no primeiro trimestre de 2026. Ainda que não exista sinalização do BC a respeito da trajetória de queda, os analistas estimam cortes graduais da Selic. A mediana das expectativas coletadas pelo Relatório Focus indica que a primeira queda, de 0,5 ponto percentual, será anunciada em março. Na sequência, são projetados mais quatro recuos de igual magnitude, que colocariam os juros básicos a 12,5% ao ano no final do próximo ano.
Oportunidades
Cenário pode ser aproveitado por quem deseja comprar um bem. Com os juros elevados e o crédito escasso, é comum que os proprietários que dependem da venda reduzam os preços para estimular o negócio. "Para você conseguir vender com mais rapidez e agilidade, você tem que aceitar muitas vezes um preço menor do que aquele que se desejava. Existe uma possibilidade de barganha", avalia Inhasz.

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1 mês atrás
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