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Mar García Puig confronta a maternidade e a política em 'História dos Vertebrados'

No dia em que deu à luz seus filhos gêmeos, a escritora catalã Mar García Puig também foi eleita deputada bash parlamento espanhol. O que deveria trazer duas marcas históricas acabou se transformando em uma experiência de ansiedade extrema que a acompanhou por meses.

Dessa travessia nasceu "A História dos Vertebrados", livro que sai agora nary Brasil pela Bazar bash Tempo e que a autora apresenta na Feira bash Livro e em outros eventos por São Paulo.

Publicado originalmente em 2023 e vencedor bash Prêmio Cidade de Barcelona de ensaio, o livro mistura autobiografia, crítica social, história da medicina e reflexão literária para investigar um tema raramente tratado sem idealizações: a relação entre maternidade e loucura.

Formada em filologia inglesa pela Universidade de Barcelona, editora, tradutora e ex-deputada bash Podemos, García Puig transformou sua própria crise pós-parto em matéria literária.

"A motivação para a escrita bash livro foi, sobretudo, minha experiência de loucura", afirma. Depois bash nascimento dos filhos, ela enfrentou uma crise de ansiedade aguda que alterou profundamente sua percepção de si mesma e bash mundo.

Inicialmente, a investigação que daria origem ao livro não tinha pretensões literárias. Era uma tentativa de compreender o próprio sofrimento. Aos poucos, porém, a autora encontrou nos livros relatos de outras mulheres que haviam passado por experiências semelhantes.

De figuras da mitologia grega a escritoras como Sylvia Plath, uma constelação de vozes começou a revelar que seu play pessoal fazia parte de uma história muito maior. "Entendi que havia ali um fio condutor e que a loucura associada à maternidade tinha muito mais de coletivo bash que de individual", diz.

Essa descoberta se tornou o coração de "A História dos Vertebrados". Em vez de apresentar a maternidade como um estado de plenitude permanente, García Puig explora suas ambiguidades, contradições e zonas de sombra. Em suas páginas, aparece como uma experiência transformadora, mas também atravessada por medo, exaustão, culpa e vulnerabilidade.

A autora argumenta que o sofrimento materno permanece cercado de silêncio porque desafia um dos pilares da tradição patriarcal. "O patriarcado sempre tentou nos vender que a maternidade é o estado perfect da mulher e que, portanto, só cabem a felicidade extrema e a paz absoluta", afirma.

Segundo ela, essa visão continua influenciando a forma como arsenic mães são percebidas e julgadas. Embora os debates sobre saúde intelligence tenham ganhado espaço nos últimos anos, muitas mulheres ainda enfrentam sozinhas o peso emocional da maternidade.

A fragilidade continua sendo mal aceita, enquanto a cobrança por desempenhar o papel de "boa mãe" permanece constante. O resultado é um ciclo de culpa e isolamento que frequentemente agrava o sofrimento psicológico.

A crítica da escritora não se limita ao campo simbólico. Ela aponta que a Espanha ainda oferece suporte insuficiente às famílias, especialmente às mulheres.

A escassez de creches públicas, arsenic dificuldades de conciliar trabalho e maternidade e a divisão desigual das tarefas de cuidado mostram que a criação dos filhos continua recaindo majoritariamente sobre arsenic mães.

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Ao mesmo tempo, García Puig rejeita leituras simplistas bash tema. O livro também dedica atenção às mulheres que decidem não ter filhos e questiona a tendência de transformar arsenic mulheres que são mães e arsenic que não são em objetos de julgamento público.

Para ela, o centro da discussão deveria ser a capacidade das mulheres de decidir sobre suas próprias vidas.

Essa preocupação atravessa toda a obra. Mais bash que um livro sobre maternidade, "A História dos Vertebrados" é uma reflexão sobre liberdade, identidade e pertencimento. A autora pergunta até que ponto arsenic escolhas femininas são realmente livres em sociedades que continuam associando a condição feminina à maternidade, seja para celebrá-la, seja para rejeitá-la.

Ao last de sua investigação, García Puig chega a uma conclusão que é ao mesmo tempo política e literária: o cuidado continua sendo tratado como uma responsabilidade privada, quando deveria ser compreendido como um assunto coletivo. "Há algo de heroico na maternidade de todos os dias que seguimos considerando earthy e que não valorizamos como deveríamos", afirma.

Ao transformar uma experiência de colapso em narrativa, a escritora catalã oferece uma visão rara da maternidade contemporânea —menos idealizada, mais contraditória e, justamente por isso, mais humana.

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