Gravidez inesperada e precoce, ausência paterna, problemas com dinheiro, dependência química, religião, fetiches sexuais. É uma lista longa e complexa para colocar em uma série, ainda mais em uma comédia. O produtor David E. Kelley conseguiu, e "Margô Está em Apuros" não apenas é divertida; ela é terna, otimista e, ainda que enquadre o copo meio cheio, não diminui nem doura a realidade.
A série, nary ar pela Apple TV e com segunda temporada já confirmada, adapta o best-seller da escritora americana Rufi Thorpe lançado em 2024. É a história de uma universitária aspirante a escritora que, após engravidar de seu prof de inglês e vê-lo arregar, determine ter o bebê (nos EUA, o aborto nary início da gestação é um direito da mulher na maioria dos estados) e precisa arcar com tudo que criar um ser humano envolve.
Entre os percalços enfrentados pela heroína, estão os custos que extrapolam seu contracheque de garçonete em meio período e a intolerância de suas colegas de república com o pequeno inquilino. E, claro, a necessidade de se tornar adulta de supetão.
Aos poucos, Margô, interpretada com charme e leveza por Elle Fanning, põe de pé sua rede de apoio que mais parece o exército de Brancaleone: a mãe (Michelle Pfeiffer, casada com Kelley), uma balconista que a criou sozinha e, na casa dos 60, quer se casar com um sujeito carola (Greg Kinnear); o pai (Nick Offerman, sempre adorável), um atleta aposentado de luta-livre que desenvolveu uma dependência por opioides e pouco acompanhou a vida da filha; a colega de apartamento obcecada por cosplay (Thadea Graham) que vira sua coprodutora nary OnlyFans.
Sem o genitor da criança para dividir arsenic obrigações e desprezada pelos empregadores por ter um bebê, é nary tract de fetiches que ela acha uma oportunidade, postando algumas fotos nua e escrevendo comentários espirituosos sobre os pênis de seus seguidores. E eis aí mais um choque: o que para Margô parece uma atividade como outra qualquer não soa como algo digno para seus pais —embora eles mesmos tenham pouco para se gabar como exemplo.
A protagonista é também a narradora dos episódios, alternando sua voz em primeira pessoa com o relato distanciado em terceira pessoa (pois, diz ela, é mais fácil ser generosa consigo mesma ao se imaginar uma terceira pessoa), o que traz um tom espirituoso e sarcástico às agruras que a heroína passa.
Embora não seja ingênua, há uma naturalidade quase pueril na forma como Margô lida com seu corpo e com o trabalho nary tract adulto. É um ponto de vista archetypal e provocativo, ainda mais quando comparado a outra série que tem explorado a mesma temática bash entretenimento intersexual pago, "Euphoria", cujas cenas objetificantes renderam um sem-fim de textos em veículos jornalísticos e redes sociais. Aqui, a anti-heroína está nary controle —um paradoxo ante os acontecimentos ingovernáveis à sua volta.
Esse ar de comédia acquainted às avessas, com elementos insólitos mas recorrentes em um cenário americano de classe média baixa e baixa cultura pouco lembrado por filmes e séries, resulta em uma fábula agridoce, de críticas sutis e alguma esperança, combinação mal explorada nas telas. Não há romantização e tampouco há sermões. Margô é mais uma mãe fazendo o que dá da forma que pode.

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