Donald Trump reiterou no início desta semana suas ameaças de assumir o controle da ilha e disse que poderia fazer "qualquer coisa" que quisesse com o país caribenho – o que aumentou as especulações de que os principais líderes cubanos poderiam enfrentar o mesmo destino do ex-líder venezuelano, Nicolás Maduro.
A prisão de Maduro, em janeiro, não apenas mostrou aos cubanos até onde Trump estava disposto a ir, como também deixou o regime sem um de seus principais aliados e fornecedores de petróleo.
Relações espinhosas entre EUA e Cuba
Localizada a cerca de 150 quilômetros do estado da Flórida, no sul dos EUA, Cuba tem sido uma pedra no sapato dos norte-americanos desde a revolução de 1959 liderada por Fidel Castro.
O regime comunista se impôs de maneira consistente perante os EUA, que costumavam exercer forte influência sobre a ilha e, durante a Guerra Fria, consideravam Cuba um ponto de entrada para outros Estados comunistas, como a União Soviética e a China.
Muitos exilados cubanos nos EUA esperam a queda do regime em Cuba para poder voltar ao país — Foto: Carl Juste/Miami Herald/ZUMA/picture alliance
O ex-presidente dos EUA, Barack Obama, até buscou uma aproximação e tentou reavivar as relações com Havana, no entanto, os esforços foram revertidos por Trump durante seu primeiro mandato (de 2017 a 2021).
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, é um dos americanos de ascendência cubana mais proeminentes. A diáspora cubana, por sua vez, constitui um importante bloco eleitoral — especialmente na Flórida, estado-chave nas eleições.
Klemens Fischer, especialista em política externa da Universidade de Colônia, na Alemanha, afirmou à emissora alemã ZDF que a atual escalada da retórica de Trump em relação a Cuba é provavelmente motivada por questões de política interna.
Trump, no entanto, já havia intensificado a pressão sobre Cuba.
Em janeiro, o presidente norte-americano pediu à nova líder venezuelana, Delcy Rodríguez, que interrompesse por completo o envio de petróleo à ilha caribenha.
Os EUA também bloquearam as rotas marítimas para a ilha e ameaçaram com sanções os países que fornecem petróleo a Cuba.
De acordo com o governo cubano, o país não recebe carregamentos de petróleo há três meses. Ao mesmo tempo, a produção interna — em queda há anos — cobriu menos de 30% da demanda em 2024, agravando os apagões, já que a principal fonte de energia local ainda são as usinas termoelétricas movidas a petróleo.
Pior crise econômica em três décadas
A escassez de energia é apenas um – embora significativo – aspecto da atual crise econômica, afirmou à DW o economista cubano Elias Amor, que vive na Espanha.
Ele disse que, além de um breve período de recuperação, a economia cubana encolheu em média 2,75% ao ano desde o início da pandemia de covid-19 em 2020, sendo que em 2025 essa retração aumentou para 5%.
O Período Especial é o termo dado pelo regime cubano à profunda recessão que atingiu o país após o colapso da União Soviética no início da década de 1990, quando os salários reais caíram 90% em quatro anos.
O governo de Fidel Castro introduziu reformas temporárias, incluindo a abertura gradual do setor de turismo, o que resultou em uma recuperação parcial. Mas foi somente quando Hugo Chávez chegou ao poder na Venezuela e o país assumiu o papel de patrocinador de Cuba, substituindo a União Soviética, que a economia realmente começou a se recuperar de maneira substancial.
O economista avalia que a abertura gradual da economia cubana nas últimas décadas ajudou a evitar uma crise semelhante à do início dos anos 1990. Ainda assim, projeta que as reformas implementadas por Raúl Castro e por seu sucessor, Miguel Díaz-Canel, não tiveram grande impacto.
Rubio: sistema cubano precisa "mudar drasticamente"
Aparentemente, foi a enorme pressão interna e externa de Cuba que forçou o regime à mesa de negociações. Na semana passada, o presidente cubano confirmou que as conversas aconteceriam, como Trump havia anunciado no início de março.
No início desta semana, o vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva, sobrinho-neto dos irmãos Castro, afirmou que Cuba estava aberta a permitir o comércio com empresas americanas e a permitir que cubano-americanos investissem em empresas cubanas.
Secretário de Estado, Marco Rubio, é um dos descendentes cubanos mais proeminentes nos EUA — Foto: Jonathan Ernst/AFP
Rubio, no entanto, disse que os esforços do regime não foram "suficientemente drásticos". Ele afirmou que o sistema político e governamental não poderia ser consertado e acrescentou que a economia não estava funcionando, acrescentando que "eles precisam mudar drasticamente".
Apesar da grave situação econômica, Maria José Espinosa, diretora do Centro para o Engajamento e Ativismo nas Américas (Ceda), com sede em Washington, duvida que o regime cubano esteja à beira do colapso.
"O aparato estatal – o partido comunista, as forças de segurança e o sistema militar-econômico – permanece relativamente coeso", afirmou.
Somente os Castro podem introduzir mudanças reais
No entanto, as rachaduras estão começando a aparecer. Para muitos, Miguel Díaz-Canel é visto como um membro do partido que perdeu influência e se tornou, na prática, substituível. De acordo com Ted Henken, professor da City University of New York (Cuny), somente os militares – e os Castros – seriam realmente capazes de introduzir mudanças fundamentais no país.
"É a família Castro que controla e dirige as negociações com os Estados Unidos", disse o especialista à DW.
Além do vice-primeiro-ministro Pérez-Oliva, cuja estrela está em ascensão, também está se tornando cada vez mais importante o neto de Raúl Castro, Raúl Guillermo, conhecido como El Cangrejo ("O caranguejo").
"Tudo aponta para o fato de que eles representarão os interesses da família Castro e, de uma forma ou de outra, acabarão liderando o governo", afirmou Henken. Ele disse ainda duvidar que a nova geração consiga promover reformas estruturais que levariam vários anos até que fossem implementadas.

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