3 horas atrás 5

Mercado de Influencers em crise: você venderia a sua alma virtual?

Há algumas semanas eu tenho um novo hiperfoco: a venda de almas virtuais.

Imagina só: você é uma pessoa pública que ganha a vida por meio de sua imagem nas redes sociais.
Recebe muito dinheiro, especialmente, com acordos publicitários.
E investe essa grana em produção de conteúdo, em viagens, compras, procedimentos...
Banca um (caro) lifestyle que cria uma conexão com milhares de seguidores.

Porém um dia a plataforma muda as regras e seu alcance despenca do dia para a noite.
Ou algo que você fez (ou não fez) vira motivo de hate e o famigerado cancelamento.

É mais ou menos esse um dos grandes desafios de quem resolve ter a vida de criador de conteúdo ou influenciador.
Daí o meu interesse enorme ao saber que o maior deles, no TikTok, decidiu vender a sua marca para uma holding listada na bolsa americana por quase US$1 bilhão.

Você já deve ter visto o rosto de Khaby Lame por aí, mesmo que não seja um dos seus mais de 160 milhões de seguidores no app chinês.
Lame virou um fenômeno com seus vídeos reagindo a situações óbvias e absurdas. Os chamados "life hacks".
E sempre sem falar, expressando-se por meio de sorrisos e caretas. Um tipo de humor bem universal.

No negócio, a Rich Sparkle Holdings não irá apenas cuidar dos acordos comerciais do creator, mas também está autorizada a criar um "gêmeo de IA" do mesmo.
É uma linha de produção que daria orgulho a Henry Ford Ford: Kame agora pode trabalhar 24h por dia, falar diversos idiomas e vender todo tipo de produto.

Os primeiros vídeos já estão no ar.
Em um deles, uma parceria paga com a Fórmula E e uma montadora, o creator aparentemente dirige um carro de corrida e experienciando o glamour do paddock.
É longo, quase um trailer de Hollywood.

Por que escrevi "aparentemente"?
Porque não dá para saber se é Lame no vídeo é ou se já é o clone dele de IA em ação.
Os próprios seguidores já questionam nos comentários se algo daquilo é real ou não.

Por isso se diz que o creator vendeu a sua "alma virtual" para um esquema de máquina de influência eterna.
A holding estima mais de US$4 bilhões em vendas anuais com essa ideia.
Se vai dar certo, não se sabe: Lame tem agora participações na empresa e o mercado não reagiu muito bem ao negócio: as ações da companhia tem despencado desde o anúncio.

Veja, a Inteligência Artificial generativa veio para mudar a forma como trabalhamos.
Com os criadores de conteúdo não é diferente.

O porém é que as redes sociais foram inundadas por conteúdos 100% criados por IA.
De pessoas que não existem fazendo reviews de produtos no TikTok Shop.
De perfis de comédia com esquetes curtas para o Reels com atores que não são reais.
De artistas que não são humanos, como Sienna Rose, que emplacou três canções no Spotify Viral Top 50.

Segundo o CEO do YouTube, em média mais de 1 milhão de canais usam diariamente suas ferramentas de IA.
Alguns relatórios apontam que 90% do conteúdo que irá circular pela internet neste ano será feito por inteligência artificial.

Por isso nunca se produziu tanto conteúdo para as redes sociais.
O problema é que nunca tanta gente também se identificou como criador de conteúdo.

Vivemos naquilo que Byung-Chul Han chamou de sociedade do desempenho.
Segundo o filósofo sul-coreano, vender uma imagem de desempenho e positivismo é pura performance.
E o brasileiro, que é cronicamente online por natureza, fez da sua vida nas redes um reality show à la Virginia.


É selfie no espelho da academia todo dia para contar no Gymrats.
É print da tela do computador mostrando a agenda cheia de reuniões.
É registro de curso de pintura, cerâmica, de panificação, de percussão...
Tudo é performance.

Só que entra aqui o "Unshittification".
O movimento quer ir contra tudo isso aí e defende a autenticidade nas redes.
Despoluir o feed, sabe?
E um dos principais alvos é evitar conteúdo raso, genérico e publicitário.

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro