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'Mercado quer que Fictor quebre', diz holding que queria comprar Master

2024 | Phillippe Rubini (ex-sócio), Rafael Gois (sócio) e Rafael Paixão (à dir.), na entrada da Fictor na B3
2024 | Phillippe Rubini (ex-sócio), Rafael Gois (sócio) e Rafael Paixão (à dir.), na entrada da Fictor na B3 Imagem: Reprodução

A Fictor, empresa que pretendia adquirir o Banco Master, está negociando a venda de ativos para poder honrar com pedidos de resgate de investimento, que estão atrasados desde dezembro. O UOL teve acesso a informações de uma reunião interna realizada ontem. Nela, o diretor Rafael Paixão culpa a mídia e o mercado pela crise da Fictor.

O que aconteceu

  • Executivo diz que a Fictor possui quase R$ 6,5 bilhões de ativos, que estão sendo negociados por menos de 50% (R$ 3 bilhões). Na reunião, Paixão admite o atraso no pagamento de colaboradores e de clientes. Diz que o prazo para concluir o negócio é "sexta que vem", sem especificar se se trata de 23 ou 30 de janeiro.
  • Procurada, a Fictor não confirmou nem desmentiu que há expectativa de concluir venda de ativos. "A Fictor informa que tem ciência do contato e não comenta conteúdos supostamente obtidos e/ou divulgados fora dos canais oficiais, sobretudo quando relacionados a reunião interna e a eventual gravação/áudio cuja origem e contexto ainda precisam ser verificados", afirmou, em nota (leia a íntegra abaixo).
  • Diretor culpa mídia, mercado e administradora de fundo financeiro. Na reunião, Paixão diz que a Fictor atravessa uma crise após a tentativa frustrada de compra do Master, de Daniel Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero. Também estaria sendo "massacrada" pelo mercado, citando instituições como CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Banco Central e Febraban (Federação Brasileira de Bancos). Na reunião, afirma que a administradora de um fundo de R$ 240 milhões não está dando acesso ao dinheiro, daí o atraso.

A gente está sendo massacrado. O mercado está engolindo a gente. O mercado quer que a gente quebre Rafael Paixão, da Fictor

Vocês, na ponta, mais do que ninguém sabem: o telefone não para de tocar, o número de saque só começa a aumentar e é normal no momento. Se eu fosse cliente, eu sacaria também Rafael Paixão, da Fictor

  • Diretor cita que pode ter pagamentos pós-fevereiro. Na reunião, Paixão diz que a Fictor não gostaria de "queimar" os ativos todos de uma vez. "Estão querendo comprar nossas coisas --coisas que valem 500 por 100, coisas que valem 50 por 10. Se a gente fizer isso, a gente resolve o problema pontual. Só que tenho responsabilidade, tem dinheiro que eu não posso pagar agora, mas tenho condição de pagar dentro de um tempo", diz.

No fim do dia, resolvo o problema de quem está [esperando] saque agora, e os clientes que estão para frente? Rafael Paixão, da Fictor

Hoje, se a gente tem R$ 3 bi, a gente tem R$ 1,2 bi de saque. Posso queimar tudo agora? Posso, mas se eu queimar de forma desordenada, e os próximos clientes? Rafael Paixão, da Fictor

  • Perguntado se a Fictor não deveria se posicionar publicamente, diretor indicou que não. Segundo Paixão, isso poderia "matar" a operação de venda. "Tudo pode acontecer amanhã. Eu quero que aconteça amanhã. Só que todo dia eu tô nesse amanhã, depois de amanhã? O que tá matando é todo dia, amanhã, amanhã, amanhã, amanhã e, por exemplo, a gente hoje tá muito mais apagando incêndio do que resolvendo."
  • Advogado diz que discurso da Fictor é complicado. Segundo a análise do advogado Vitor Gomes R. de Mello, Paixão "está colocando a culpa da inadimplência da empresa pautada no pedido de resgates dos investidores". "Esse é um discurso comum em esquemas de captação de recursos ilícitos. Colocam a culpa nas ações judiciais para inibir o direito dos investidores em reaver o que é seu. Com isso, a empresa e os sócios vão ganhando tempo e podem dissipar os bens", afirma.
  • Fictor Invest vem atrasando pagamentos de dividendos desde dezembro, revelou o UOL. Reclamações foram registradas no ReclameAqui de diversos cantos do país --de Campo Bom (RS) a Oeiras (PI), além de capitais como Belo Horizonte e São Paulo-- são similares: resgates previstos para fins de dezembro foram de repente postergados para 12 de fevereiro.
  • Fictor Invest diz que atravessa momento 'atípico'. No dia seguinte à reportagem do UOL, a empresa emitiu uma nota dizendo que estaria passando por um "desafio temporário de liquidez" e pagaria os clientes até fevereiro. "Não se trata de insolvência, mas de um evento pontual", afirmou.
  • Novas acusações contra a Fictor foram protocoladas na CVM neste mês, apurou o UOL. O caso foi encaminhado para análise da superintendência responsável pela fiscalização de ofertas públicas de investimentos.

O que diz a Fictor

A Fictor informa que tem ciência do contato e não comenta conteúdos supostamente obtidos e/ou divulgados fora dos canais oficiais, sobretudo quando relacionados a reunião interna e a eventual gravação/áudio cuja origem e contexto ainda precisam ser verificados.

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Dito isso, a Fictor permanece serena e confiante quanto à sua capacidade financeira. A companhia possui ativos em montante superior aos seus passivos, com estrutura patrimonial e operacional compatível com o cumprimento de suas obrigações.

O que se observa neste momento é um cenário atípico de mercado, potencializado por narrativas de FUD (fear, uncertainty and doubt) difundidas por terceiros que não conhecem integralmente o acervo patrimonial, a composição de ativos e o ciclo de liquidez das operações.

Como em qualquer instituição que enfrenta um volume de solicitações de resgate acima do padrão histórico, é natural a adoção de medidas extrajudiciais de equalização, com racionalização de fluxo e alinhamento isonômico com credores e clientes, sem que isso implique insolvência ou incapacidade de pagamento.

Em linha com uma postura de transparência responsável, a Fictor disponibilizará a partir da próxima semana um canal para que clientes, assessores e/ou representantes legais possam agendar, presencialmente, a demonstração da capacidade financeira da empresa, mediante apresentação de documentação idônea e incontroversa, em ambiente controlado e com os devidos protocolos de confidencialidade e segurança de informação.

A Fictor segue comprometida com a regularidade de suas operações, com seus clientes e com a integridade de sua governança, reiterando que se trata de uma situação pontual e transitória, e que a companhia permanece confiante na solidez de sua estrutura empresarial.

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