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Militares na Groenlândia: quais países enviaram tropas e como EUA e Rússia reagiram

▶️ Contexto: Trump defende que os EUA anexem o território da Groenlândia desde, pelo menos, 2019. O tema voltou à pauta após ele retornar à Casa Branca, em janeiro do ano passado.

  • Os Estados Unidos consideram a Groenlândia estratégica para a segurança nacional.
  • A avaliação é que a ilha poderia abrigar sistemas de defesa capazes de interceptar mísseis lançados a partir da Europa ou do Ártico.
  • A região também é rica em minerais, petróleo e gás natural. A exploração desses recursos, no entanto, enfrenta restrições impostas por autoridades locais.

A Groenlândia está geograficamente localizada no continente norte-americano, mas mantém vínculos políticos com a Dinamarca.

A ilha foi colônia dinamarquesa e passou a integrar oficialmente o Reino da Dinamarca em 1953. Há mais de 15 anos, a Dinamarca autorizou a realização de um referendo que pode resultar em uma declaração de independência da Groenlândia.

No entanto, em meio às ameaças de Trump, a Dinamarca passou a planejar uma presença “maior e mais permanente” de tropas da Otan na Groenlândia. O governo local apoia a medida.

  • A Alemanha deslocou uma equipe de 13 militares. A França enviou cerca de 15 especialistas em operações em áreas montanhosas. Um oficial britânico também participa da missão.
  • Suécia e Noruega enviaram, respectivamente, três e dois oficiais.
  • Holanda e Finlândia mandaram um e dois militares.
  • Segundo autoridades europeias, os primeiros envios têm como objetivo preparar exercícios militares e planejar um reforço maior ao longo de 2026.

Atualmente, cerca de 200 militares dos Estados Unidos já atuam na Groenlândia por meio de um acordo bilateral. O país mantém uma base militar na região.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 14 de janeiro de 2026 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

Trump afirma que a Groenlândia é vital para a segurança dos EUA devido à localização estratégica no Ártico. Ele já declarou que a ilha deveria pertencer aos Estados Unidos e não descartou o uso da força para tomar o território.

Na quarta-feira (14), após uma reunião sem avanços entre autoridades dos EUA, da Dinamarca e da Groenlândia, o presidente norte-americano voltou a dizer que o governo dinamarquês não seria capaz de proteger a ilha caso Rússia ou China tentassem ocupá-la.

"Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!", escreveu.

  • 👉 O Domo de Ouro é uma estrutura militar planejada pelos EUA para interceptar mísseis lançados contra o território norte-americano.

Um dia após o encontro, a Casa Branca afirmou que o envio de tropas europeias não altera a posição de Trump sobre a Groenlândia. A porta-voz Karoline Leavitt disse que o presidente ainda quer que a ilha seja controlada pelos Estados Unidos.

“Não acho que tropas europeias influenciem o processo de decisão do presidente, nem o objetivo de adquirir a Groenlândia”, disse.

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em coletiva de imprensa de fim de ano em Moscou em 19 de dezembro de 2025. — Foto: Sputnik/Gavriil Grigorov/Pool via REUTERS

A Rússia criticou a presença militar da Otan na Groenlândia e disse que a aliança promove uma mobilização militar acelerada na região.

Segundo o governo russo, a narrativa dos EUA de que existe uma ameaça russa ou chinesa à ilha é um “mito” usado para gerar histeria. Atualmente, há poucos indícios de presença significativa de navios chineses ou russos nas águas próximas à Groenlândia.

“Primeiro, surgiu a ideia de que havia alguns agressores e, depois, que estavam prontos para proteger alguém desses agressores”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, na quinta-feira.

A embaixada da Rússia na Bélgica, onde fica a sede da Otan, afirmou em comunicado que o governo russo está seriamente preocupado com o envio de militares da aliança para a região do Ártico.

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