Quentin Deranque, de 23 anos, morreu no fim de semana após uma agressão sofrida na quinta-feira (12) em meio a um protesto da extrema direita contra um evento de uma eurodeputada de esquerda em uma universidade de Lyon, no sudeste do país.
A Justiça abriu uma investigação por homicídio doloso, disse em coletiva de imprensa o promotor de Lyon, Thierry Dran. Ainda não foram realizadas detenções, e as investigações continuam para identificar os autores.
A morte de Deranque reativou o confronto entre a extrema direita e a esquerda radical em um cenário de crescente polarização, pouco antes das eleições municipais de março — a próxima eleição presidencial ocorrerá em 2027.

Veja os vídeos que estão em alta no g1
A extrema direita atribuiu o ataque a ex-ativistas do movimento antifascista Jeune Garde (Jovem Guarda), cofundado por um deputado da LFI antes de ser eleito, e que foi dissolvido em junho do ano passado.
O grupo negou no domingo qualquer vínculo com os "eventos trágicos".
Traumatismo cranioencefálico
Segundo uma fonte próxima à investigação, a agressão ocorreu na quinta-feira (12) à tarde em meio a "um confronto entre grupos de extrema esquerda e de extrema direita".
Deranque foi derrubado e agredido por ao menos seis indivíduos encapuzados, segundo investigadores que não quiseram revelar seus nomes, em paralelo a uma aparição da eurodeputada de esquerda Rima Hassan, indicou o representante do Ministério Público.
Quando foi atendido pelos serviços de emergência, o jovem "apresentava essencialmente lesões na cabeça", entre elas "um traumatismo cranioencefálico grave", disse o promotor Dran durante a coletiva.
Um suposto vídeo do ataque divulgado pelo canal TF1 mostra cerca de dez pessoas agredindo três jovens no chão. Dois deles conseguem escapar. Uma testemunha disse à AFP que "eles se agrediam com barras de metal".
O veterano líder da LFI e três vezes candidato à presidência, Jean-Luc Mélenchon, rejeitou qualquer responsabilidade no caso, que acendeu o debate para as eleições municipais do próximo mês.
Essas eleições também são consideradas um teste para a presidencial de 2027, que elegerá o sucessor de Emmanuel Macron, impedido de se candidatar após dois mandatos consecutivos.
As pesquisas de opinião apontam como favorita a legenda de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN), que, com Marine Le Pen como candidata, passou ao segundo turno nas duas eleições presidenciais vencidas por Macron.
No entanto, a líder de extrema direita está atualmente inelegível por uma condenação por desvio de recursos públicos e, após recorrer, aguarda agora a sentença em segunda instância, prevista para julho.
Caso a inelegibilidade seja mantida, seu protegido, Jordan Bardella, poderá ser o candidato à presidência pelo RN.
Segundo uma pesquisa divulgada no domingo, Bardella, de 30 anos, jovem e popular, seria o candidato preferido pelos franceses, à frente de Le Pen e do ex-primeiro-ministro de centro-direita Édouard Philippe.

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