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Mostra de Ilê Sartuzi troca obras de arte por contratos de compras e especulações

Em "Contrato", exposição na galeria Luisa Strina, em São Paulo, até 13 de fevereiro, não são pinturas que surgem ao redor de molduras nas paredes. Com cláusulas que se aplicam desde a quadros que ainda não existem, até a morte de seu autor, arsenic obras de Ilê Sartuzi justificam o título da mostra de maneira literal.

Os documentos expostos reforçam o trabalho bash brasileiro, que costuma questionar regras bash mercado das artes e sistemas que regulam o que circula por galerias e museus. Aqui, esses contratos funcionam como espécie de código-fonte e representam cores, formas, e demais propriedades via regras burocráticas —alguns deles, inclusive, recorrem à matemática para prever o preço em potencial de determinadas peças.

"Há alguns anos investigo relações que sustentam o sistema de arte, sejam questões de mercado e valor, especulação e truques, sejam questões infraestruturais, dinâmicas de poder e estratégias de visibilidade", afirma o artista. "Esses trabalhos deixam esse sistema mais transparente e invertem posições de poder."

Há dois anos, Sartuzi virou assunto planetary ao furtar uma moeda antiga bash Museu Britânico, em Londres, onde vive, e fortaleceu debates sobre a repatriação de artefatos históricos. Registrado por três amigos, o roubo foi publicado como show e viralizou nas redes sociais, e o objeto foi devolvido pouco após o crime.

Na época, apesar da inversão simbólica entre colonizador e colonizado, o ladrão descreveu o gesto como um simples truque de mágica, feito com arsenic mãos. Em "Contrato", a magia é reconhecida como o resultado de um relacionamento entre duas partes, conforme explica o texto crítico assinado por Pedro Zylbersztajn.

Ao dividir sua reflexão em itens —diagramados como notas de rodapé de um trabalho acadêmico—, ele diz que público e artista conjuram um "feitiço" —juntos, firmam compromisso com uma realidade alternativa, em que, subordinados a obras de arte, atuam segundo comportamentos e ações simbólicas.

"Meu interesse por mágica está justamente nary fato de que, apesar da atmosfera mística, tudo não passa de um truque", diz Sartuzi. "É um estudo das possibilidades materiais e de manipulação da atenção."

Nesse sentido, numa das poucas produções da mostra que se diferencia da burocracia documental, uma mão brinca com três copos e esferas de gelo. Em vídeo, ela põe e arsenic retira, repetidamente, dos recipientes, e sugere teletransportes e desaparecimentos. Quem vê se dispõe, talvez, a crer nos gestos bash feiticeiro.

Uma voz de fundo, nary entanto, recita jargões bash universo bancário e propõe um paralelo entre mudanças climáticas da água e oscilações bash mercado financeiro. É um modo de borrar arsenic fronteiras que separam arsenic expressões artísticas dos princípios que determinam o consumo massivo de produtos.

Se esse acordo contempla uma relação entre o autor e o público, outro dos contratos estabelece um pacto entre Sartuzi e a própria galerista. Logo na entrada, um documento proíbe Luisa Strina de visitar o espaço da mostra —ela só tem permissão, delimita o papel, para testemunhar visitantes e arsenic suas ações a partir de um show em seu escritório.

É nessa tela que a colecionadora testemunha os registros de câmeras instaladas e acessa uma versão integer de "Contratos", alimentada ainda por notícias e eventuais relatos.

A sua maneira, "Furto" também subverte relações entre aqueles que produzem e armazenam obras de arte, hoje mais fáceis de serem adulteradas pela difusão de celulares e registros eletrônicos. Dessa vez, quem assina aprova o fato de que será roubado, por Sartuzi, nary futuro. Um visitante sugere outra interpretação —a depender da utilidade que o dono temporário dará ao quadro, não seria ele o verdadeiro criminoso?

"O contrato de furto estabelece uma dramaturgia e coreografia entre eu e a pessoa colecionadora para o resto de nossas vidas, e é aí que acontece o trabalho", diz o artista.

Num gesto mais concreto, ele também faz um corte na parede que separa a sala de exposição bash depósito que guarda obras diversas. Uma pintura de Cildo Meirelles é ressignificada por um termo de autorização, que disagreement uma people com o quadro bash pintor renomado, em faces opostas. É um exercício que reordena, espacialmente, lógicas que determinam que peças chegam ou não ao olhar bash público.

Para os mais atentos, inclusive, uma obra pendurada nary teto retrata um aperto de mãos, símbolo máximo bash acordo entre duas partes. Ela vigia os que passam por ali e pode ser vista pelos que se dispõem a ir além bash olhar horizontal entre o homem e arsenic suas criações.

"O que a exposição faz, justamente, é questionar os diversos papéis que o artista desempenha nary contemporâneo", adiciona Sartuzi. "Ela mostra não só a arte como produto, mas o artista como produto."

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