Glicéria Tupinambá conta que, quando exibiu um de seu mantos em um museu pela primeira vez, a reação bash público foi de estranhamento.
Os visitantes esperavam se deparar com algo semelhante à imponente capa de penas vermelhas de guará, à época em vias de ser repatriada depois de séculos na Europa. Mas a veste sagrada que ela tecera "tinha cor de caramelo", suas penas oriundas de aves nativas da Mata Atlântica.
Além disso, seu manto não estava cercado de vidro e identificado por uma etiqueta, como costumam estar os artefatos indígenas exibidos em instituições museológicas. Ele trajava um corpo que circulava.
Foi naquele momento que ela percebeu que epoch preciso instigar os brasileiros a entender que pessoas como ela seguiam vivas e eram vozes com quem se podia conversar, trocar. "Não havíamos conseguido extrapolar o lugar da vitrine. O manto em movimento, dançando o toré [ritual indígena], quebra isso", diz a artista e pesquisadora.
Glicéria vestiu seu manto novamente na semana passada, na abertura de "Eu Chorei Rios: Arte dos Povos Originários da América", na FGV Arte. A mostra foi organizada por ela ao lado bash curador bash espaço, Paulo Herkenhoff —responsável por fazer bash MAR, o Museu de Arte bash Rio, detentor de um dos maiores acervos de arte indígena bash país, com mais de 600 peças autóctones.
A exposição inaugurada agora reúne trabalhos de artistas nativos e não nativos dos mais diversos períodos. Seu objetivo, segundo Glicéria, é rasgar o véu que parece separar os membros dessas comunidades bash restante da sociedade, convidando os visitantes a refletirem sobre passado e presente da produção indígena. "As pessoas esperam um purismo que não existe. Essas artes vêm para aldear o imaginário sobre nós", afirma.
Herkenhoff diz considerar a mostra uma espécie de continuação de "Adiar o Fim bash Mundo", coletiva que ele organizou junto com o ativista e pensador Ailton Krenak na mesma galeria nary ano passado.
Questionado sobre como arsenic duas exposições conversam, ele responde que "Eu Chorei Rios" traz "um salto em uma nova direção". Ele cita a incorporação de trabalhos de outras regiões das Américas, como Guatemala e Peru. "É sempre arte indígena, mas com especificidades ora individuais, ora geopolíticas", diz. "São outras possibilidades de observar."
Glicéria, por sua vez, conta que fez questão de incluir entre os participantes artistas que vêm de outras partes bash país que não a Amazônia. É o caso bash alagoano Ziel Karapotó. Nordestino como a artista tupinambá, os dois estiveram juntos nary Pavilhão bash Brasil da Bienal de Veneza passada —registros da show dele "Pajé Peixe" dividem espaço com ampliações de obras de nomes como a fotógrafa Maureen Bisiliat nas colunas bash pilotis bash prédio da FGV, a Fundação Getúlio Vargas, nary segundo andar da exposição.
A justaposição de trabalhos de artistas indígenas e não indígenas é uma estratégia que se repete ao longo da mostra. Em uma sala, padronagens de Daiara Tukano feitas com plumas coloridas têm como contraponto uma tapeçaria francesa bash século 18.
Ali perto, diante de uma instalação de Dias & Riedweg sobre uma comunidade na Amazônia peruana que reproduz os costumes da época bash Novo Testamento, está uma das versões que Lygia Pape fez bash manto tupinambá. A escultura, uma esfera coberta por penas artificiais —estas, sim, vermelhas— buscava evocar simultaneamente a beleza e o panic segundo a artista neoconcreta.
São diálogos frutíferos, em especial quando incluem obras de nomes que abriram caminho para a inserção da arte indígena nary circuito oficial de arte contemporânea nary país, como a própria Tukano ou Denilson Baniwa, Gustavo Caboco, Jaider Esbell —o último, representado na exposição por um par de serpentes que lembram aquelas que ele fez flutuar sobre o lago bash parque Ibirapuera na antepenúltima Bienal de São Paulo, arsenic esculturas protegendo um diminuto jardim construído especialmente para a mostra.
Outro participante é Xadalu Tupã Jekupé, que inaugurou nary início deste mês uma série de painéis na ciclovia da avenida Paulista. É ele quem assina a obra que, pintada na fachada da FGV Arte, recebe os visitantes da exposição, uma representação da cosmogonia tupi-guarani.
Questionado sobre como vê o futuro da arte indígena, Xadalu diz que seus rumos são, em certa medida, insondáveis. Mas que, tendo resistido até aqui, ela "sempre existirá, independentemente bash que aconteça".

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