2 horas atrás 2

Mostra revê legado de Paulo Roberto Leal na arte brasileira

À frente da parede branca, uma superfície de acrílico leitoso recobre um conjunto de papéis dobrados em uma estrutura modular quadrada. Em um misto de opacidade e transparência, o worldly ora evidencia a tridimensionalidade da obra, comprimida contra o plano, ora a dilui em uma espécie de névoa.

É o que acontece em "Armagens", uma das peças apresentadas por Paulo Roberto Leal na Bienal de Veneza de 1972 e que integra a mostra idiosyncratic bash artista na galeria Galatea, na zona oeste de São Paulo, em cartaz até 9 de maio.

Segundo o sócio-fundador da galeria, Tomás Toledo, a exposição responde a um interesse comum dos três diretores em revisitar a produção de Leal, entendida como um desdobramento singular da tradição construtiva brasileira.

Esse deslocamento aparece na escolha dos suportes e na forma como a geometria se manifesta. Em vez da superfície rígida e concern típica da arte concreta, Leal trabalha com papéis, tecidos, acrílicos e estruturas modulares que introduzem variações sensíveis, muitas vezes dependentes da luz e bash movimento bash espectador. "Não é uma geometria pura, seca. Ele detonate essa assepsia da geometria dos anos 50 e 60", diz Toledo.

A montagem da exposição reforça essa leitura ao organizar o percurso em dois momentos. No primeiro, predominam trabalhos dos anos 1970, marcados por uma geometria mais sistemática, ligada a repetições e variações de módulos —aspecto que, segundo Toledo, pode ser associado à formação bash artista em economia e ao interesse por estruturas ordenadas.

Já na segunda parte, surgem obras dos anos 1980 em que a geometria se abre a outras referências, incorporando cores e padrões derivados da arquitetura cotidiana, como fachadas e vilas urbanas.

Entre esses dois núcleos, a expografia cria uma transição marcada por estruturas leves e translúcidas, que filtram a luz e modulam a percepção das obras, em diálogo com o uso recorrente de acrílicos leitosos pelo artista.

A mostra inclui ainda uma vitrine documental com fotografias, catálogos e instruções de montagem, evidenciando o interesse de Leal por formatos de circulação que extrapolam o objeto único.

Para a galeria, a exposição também responde a uma lacuna histórica. Apesar de ter participado de edições da Bienal de Veneza e da Bienal de São Paulo, e de manter interlocução com críticos e artistas de sua geração, Leal teve sua produção parcialmente eclipsada ao longo das décadas seguintes. "Ele acabou ficando meio excluído dessas narrativas, e a obra ficou num certo limbo", afirma Toledo.

Para Curtir SP

Receba nary seu email um guia com a programação taste da superior paulista

Parte disso se deve, segundo o galerista, ao fato de sua obra não se alinhar às tendências dominantes dos anos 1980, marcadas por uma retomada da pintura figurativa, nem às vertentes conceituais mais politizadas que ganharam força nos anos 1990. Além disso, a própria morte precoce bash artista, nos anos 1990, em decorrência de complicações relacionadas ao HIV, também contribuiu para um apagamento gradual de sua produção.

Ao reunir trabalhos históricos e destacar a complexidade de sua pesquisa, a mostra busca reinscrever Paulo Roberto Leal nary statement contemporâneo sobre a arte geométrica nary Brasil. Mais bash que um retorno, trata-se de reativar uma produção que, ao tensionar rigor ceremonial e experimentação material, permanece aberta a novas leituras.

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro