Leão é o primeiro papa nascido nos Estados Unidos. Logo após ser eleito, em maio de 2025, ele se encontrou com o vice-presidente J.D. Vance e o secretário Marco Rubio no Vaticano. Na ocasião, o papa foi convidado a visitar a Casa Branca.
A viagem para Washington nunca aconteceu, e Leão passou a criticar políticas do governo Trump, principalmente contra imigrantes. A fala mais contundente veio em novembro, sem citar o nome do presidente norte-americano.
“Se alguém está nos Estados Unidos ilegalmente, há maneiras de lidar com isso. Existem tribunais. Há um sistema judicial. Acho que há muitos problemas nesse sistema. Ninguém disse que os Estados Unidos devem ter fronteiras abertas”, afirmou.
Desde o fim de 2025, no entanto, o papa passou a atenuar o tom:
- demonstrou preocupação com a situação no Caribe e na Venezuela, mas chegou a sugerir maior pressão econômica contra o regime de Nicolás Maduro, em vez do uso da força;
- evitou comentar ameaças de Trump contra a Groenlândia e não mencionou a morte de cidadãos americanos em operações antimigratórias em janeiro;
- em fevereiro, limitou-se a dizer que via com “grande preocupação” as tensões entre Cuba e Estados Unidos e pediu que a violência fosse evitada.
Ainda em fevereiro, a agência AFP afirmou que o papa Leão adotava uma abordagem discreta diante do governo Trump. Uma das estratégias seria confiar em críticas feitas diretamente por bispos americanos, enquanto o Vaticano recorria a canais diplomáticos para dialogar com Washington.
O tom mudou de vez com a guerra no Irã.
O papa Leão XIV em 7 de abril de 2026 — Foto: REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Um dia após o início da guerra no Irã, o papa Leão disse estar “profundamente preocupado” e afirmou que uma grande tragédia poderia ocorrer caso a violência escalasse.
“Faço às partes envolvidas um apelo sincero para que assumam a responsabilidade moral de interromper a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável”, disse.
No fim de março, o pontífice elevou o tom. Ao celebrar a missa de Domingo de Ramos, afirmou que Jesus não pode ser usado para justificar guerras e criticou lideranças mundiais, sem citar nomes.
No dia 7 de abril, Leão classificou como “inaceitáveis” as ameaças contra o povo do Irã. As declarações foram feitas no mesmo dia em que Trump afirmou que uma “civilização inteira” poderia morrer em um ataque dos EUA caso um acordo não fosse fechado.
“A ameaça contra o povo do Irã é inaceitável. Há questões de direito internacional, mas, mais do que isso, é uma questão moral”, afirmou.
O papa manteve as críticas após o início da trégua entre Irã e Estados Unidos:
O presidente dos EUA, Donald Trump, na porta do Salão Oval da Casa Branca — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst
Trump publicou uma forte crítica ao papa Leão na noite de domingo (12). Na Truth Social, ele chamou o pontífice de “fraco” e disse que o líder da Igreja Católica tenta agradar a “esquerda radical”.
“Eu não quero um papa que ache que tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Não quero um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela. E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos”, escreveu.
- Apesar das falas do presidente dos EUA, não há registros de que o papa Leão XIV tenha defendido que o Irã tenha uma arma nuclear.
- Em 2025, Leão fez um apelo para um mundo livre da ameaça nuclear. Já no mês passado, ele disse que as nações deveriam renunciar às armas.
Trump disse ainda que Leão só foi eleito para o cargo porque ele é o atual presidente dos EUA. Para ele, o pontífice deveria ser grato por isso.
“Leão deveria se recompor como papa, usar o bom senso, parar de agradar a esquerda radical e focar em ser um grande papa — não um político. Isso está prejudicando muito ele e, mais importante, está prejudicando a Igreja Católica.”
Trump também postou uma imagem feita por inteligência artificial em que aparecia usando uma túnica e com poderes de cura, em uma estética semelhante à de Jesus. A imagem foi excluída no dia seguinte após várias críticas, inclusive de apoiadores.
“Colocar minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente tentou fazer aqui, creio eu, é não compreender qual é a mensagem do Evangelho. Lamento ouvir isso, mas continuarei com o que acredito ser a missão da Igreja no mundo hoje”, disse.

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1 mês atrás
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