A ativista iraniana Narges Mohammadi, de 53 anos, vencedora do Nobel da Paz em 2023, apresentou um quadro de saúde instável neste sábado (2), um dia após ser transferida da prisão a um hospital de Zanjan, no noroeste do Irã. Segundo comunicado da Fundação Narges, ela depende de suporte de oxigênio e tem pressão arterial instável.
A organização cita "uma deterioração catastrófica de sua saúde, incluindo dois episódios de perda total de consciência e uma grave crise cardíaca". Médicos e a família da ativista continuam pedindo a autoridades locais o acesso a um hospital na capital, Teerã. Até a última atualização desta reportagem, a solicitação não havia sido atendida.
O comunicado da Fundação Narges afirmou ainda que a iraniana, condenada a 7,5 anos de prisão, perdeu mais de 19 quilos e sente dores constantes no peito. Advogados que visitaram a ativista em 28 de abril disseram que o estado de saúde dela chegou a um ponto crítico, com pressão arterial "em níveis perigosos". O uso de medicamentos não teria sido suficiente para reverter o quadro.
Ainda de acordo com a organização, autoridades iranianas inicialmente se recusaram a suspender temporariamente a pena para permitir atendimento cardíaco especializado, apesar de recomendações médicas. O irmão da ativista, Hamidreza Mohammadi, afirmou:
A Fundação Narges, então, pediu à comunidade internacional, à Organização das Nações Unidas (ONU) e a entidades de direitos humanos que pressionassem o Irã pela transferência imediata a uma unidade de saúde especializada, além da libertação de Mohammadi e de outros presos.

Quem é Narges Mohammadi, ganhadora do Nobel da Paz de 2023
O estado de saúde da ativista se agravou após uma crise cardíaca grave em 24 de março. Mohammadi teve dores no peito, perdeu a consciência e recebeu atendimento apenas na enfermaria da prisão, segundo familiares.
Mohammadi foi presa novamente em dezembro de 2025 após críticas ao governo iraniano. Em fevereiro deste ano, recebeu uma nova condenação que ampliou a pena em 7,5 anos.
Transferida para a prisão central de Zanjan, no norte do país, ela enfrenta condições consideradas severas por organizações de direitos humanos.
Narges Mohammadi — Foto: Reuters
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