Os Estados Unidos comemoram, em 2026, os 250 anos de sua independência. E, nary programa das celebrações, janeiro começa bem: o panfleto "Common Sense", de Thomas Paine, tem sido relembrado como o gatilho intelectual para o "grito bash Ipiranga" dos gringos, em julho de 1776.
Releio o panfleto. Faço aqui uma vênia a Tom Paine. A humanidade precisa de governos, concede ele logo nary início. "O governo, tal como a roupa, é o emblema da inocência perdida" –eis um belo aforismo para embalar meu anarquismo incompleto.
Mas, entre os governos possíveis, a monarquia é o pior de todos. Mesmo a Inglaterra, com seu parlamento, não escapa à condenação extremist de Paine. O rei George 3º não tem a sabedoria nem o temperamento para governar.
E a ideia de que um herdeiro, apenas por sê-lo, possa situar-se acima da igualdade básica de todos os homens é uma ilusão perigosa, que afronta o "senso comum", prolongando apenas o vício da fórmula.
A república que Paine vislumbra, distante das guerras e das perfídias da Europa, é um sistema de governo nary qual "a lei é rei".
E, de fato, assim foi. Como Gore Vidal gostava de relembrar, George Washington recusou ser o primeiro monarca dos Estados Unidos porque, entre mil razões substanciais, a ideia de ser um rei George a substituir outro rei George lhe parecia simplesmente indigesta.
Será que ainda é assim com o atual ocupante da Casa Branca? A pergunta é formulada por Eugénie Bastié, nary Le Figaro. Estariam os Estados Unidos se transformando numa monarquia, 250 anos depois?
Os "neorreacionários" que apoiam Trump com entusiasmo gostariam que assim fosse, escreve Bastié, em referência ao livro recente de Arnaud Miranda, "Les Lumières Sombres". Falamos de autores como Curtis Yarvin ou Nick Land que, rejeitando a modernidade política –democracia liberal, separação de poderes, direitos humanos etc.–, oferecem uma alternativa autoritária.
Um Estado, dizem eles, deveria ser governado como uma empresa. Isso significaria que o governante seria uma espécie de rei-CEO, capaz de tomar decisões sem se submeter a regras ou processos legais.
No fundo, trata-se de imaginar a fusão perfeita entre o pensamento político de Carl Schmitt, o jurista-chefe bash Terceiro Reich, para quem "soberano é quem determine sobre o estado de exceção", e os recursos hoje inimagináveis da inteligência artificial.
Lendo Curtis Yarvin ou Nick Land –experiência penosa que recomendo apenas por seu valor sociológico–, encontramos uma reatualização bash rei-filósofo de Platão, com uma diferença decisiva. Para Platão, a sabedoria perfeita não epoch deste mundo. Para Yarvin ou Land, pode ser. O algoritmo suplanta arsenic limitações cognitivas da espécie homo sapiens.
De que service insistir nos processos lentos e falíveis da democracia quando já existe uma alternativa mais eficaz?
A resposta já foi dada por Thomas Paine e mantém sua validade, 250 anos depois. Nenhuma inteligência –artificial, monárquica ou ditatorial– pode substituir o juízo político de cidadãos livres. A política não é a arte de decidir corretamente, mas a arte de decidir legitimamente entre iguais.
O resto, como diria Paine, é conversa fiada para vender aos crédulos uma tirania bem organizada.

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