Por Sandra Cohen
Especializada em temas internacionais, foi repórter, correspondente e editora de Mundo em 'O Globo'
Rosto da linha-dura do regime, Ahmad Vahid ocupou cargos estratégicos e liderou a repressão aos protestos recentes no país.
Ahmad Vahid, nomeado novo chefe da Guarda Revolucionária Islâmica em 1º de março de 2026. — Foto: REUTERS/Morteza Nikoubazl/Foto de arquivo
As credenciais de Ahmad Vahid, o novo chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, revelam um histórico de força bruta dentro e fora do Irã. Ele assume o lugar de Mohammad Pakpour, assassinado neste sábado no ataque coordenado entre EUA e Israel ao país, que matou 40 integrantes da cúpula do regime, entre eles, o líder supremo Ali Khamenei.
Vahid é procurado pela Interpol como suspeito pelo atentado de 1994 contra o centro comunitário judaico AMIA, em Buenos Aires, que matou 85 pessoas e feriu outras 300. Na época, ele comandava a Força Quds, que opera como um braço paramilitar da Guarda Revolucionária e conduz operações no exterior e foi apontado pela Justiça como um de seus planejadores.

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Aos 67 anos, o atual comandante da Guarda Revolucionária está sob sanções do Departamento de Tesouro dos EUA e da União Europeia e ocupou cargos estratégicos no regime teocrático. Foi ministro da Defesa entre 2009 e 2013, durante o governo Mahmoud Ahmadinejad e ministro do Interior, de 2021 a 2024.
Coube a ele liderar a repressão à onda de protestos que em setembro de 2022 convulsionaram o país após a morte da estudante Masha Amini, presa sob a alegação de ter desrespeitado o rígido código de vestimenta do país.
Em dezembro do ano passado, Vahid foi alçado por Khamenei ao cargo de vice-comandante da Guarda Revolucionária e supervisionou a repressão igualmente violenta aos protestos contra o regime, que tiveram a adesão de comerciantes e se espalharam pelas principais cidades, matando milhares de iranianos.
A Guarda Revolucionária atua como o principal pilar de proteção do regime clerical muçulmano xiita do Irã e era comandada por Pakpour desde junho de 2025, em substituição a Hossein Salami, que também foi assassinado em um ataque israelense. A nomeação de Vahid para ocupar o posto de Pakpour sinaliza que o regime teocrático optou por dar continuidade à linha-dura para a assegurar a sua manutenção.

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2 semanas atrás
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