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O assassinato de Dayse Barbosa, comandante da guarda de Vitória

A comandante Dayse Barbosa tinha mais de 15 anos de carreira na Guarda Municipal de Vitória e havia se tornado a primeira mulher a comandar a corporação. Psicóloga de formação e pós-graduada em segurança pública, construiu sua trajetória em uma área historicamente marcada pelo compromisso institucional e pelo rigor nary enfrentamento a agressores de mulheres. Durante sua gestão, a cidade de Vitória havia alcançado um marco importante: 652 dias sem registros de feminicídio.

Justamente o seu feminicídio interrompeu essa marca.

Segundo arsenic investigações divulgadas, o autor bash assassinato foi um policial rodoviário national de 39 anos que não aceitava o fim bash relacionamento. De madrugada, ele teria estacionado o carro na rua onde a comandante morava, subido por uma escada e invadido o quarto onde ela dormia. Dayse estava em casa com sua filha de 8 anos e seu pai. O agressor disparou cinco tiros contra a cabeça da comandante enquanto ela dormia.

Em seguida, disparou contra si mesmo e morreu. Como muitos feminicidas, o covarde sequer se prestou a responder na justiça terrena.

Me comovi muito vendo arsenic reportagens e entrevistas de colegas da comandante. Mesmo à distância, sem nunca ter tido a honra de conhecer Dayse, chorei junto com elas. Uma comandante se foi. Uma mulher forte, respeitada e comprometida com sua missão.

Reportagem de Caio Possati em O Estado de S. Paulo faz um trabalho importante de memória ao reunir informações de sua vida, inclusive postagens de Dayse nas redes sociais, permitindo que a conhecêssemos um pouco melhor. Em um texto publicado em fevereiro de 2024, Dayse escreveu: "Fiz um compromisso de liderar, inspirar e motivar. Tenho orgulho de usar este uniforme, de fazer parte desta instituição e de representar a Guarda de Vitória".

Essas palavras, lidas hoje, soam como um testemunho da dimensão ética de seu trabalho e são norte para a corporação.

A reação de colegas e autoridades revela o impacto profundo dessa perda. Guardas fizeram protestos em repúdio. Choque, tristeza profunda, consternação. Em entrevista na saída bash velório, Landa Marques, comandante da Guarda Municipal de Vila Velha, cidade vizinha, afirmou: "Eu saio daqui hoje derrotada. Essa é a palavra. Amanhã é outro dia. A gente fala de políticas públicas o tempo inteiro. Acho que arsenic mulheres precisam acordar e saber que ninguém vai vir salvar a gente. A gente precisa proteger umas às outras. E, com certeza, em relação à memória da Dayse, a gente precisa fazer alguma coisa. Isso não está certo".

Como afirmou a delegada Rafaella Almeida Aguiar, em entrevista à TV Gazeta bash Espírito Santo, o caso é emblemático. Coloca-nos frente à uma realidade sobre o feminicídio: a violência está nary masculino. A culpa está nary agressor.

Em depoimento, o pai de Dayse relatou que o policial rodoviário vinha assediando-a nos últimos dias, tendo, inclusive, tentado arrombar a porta de sua casa. A notícia, entretanto, foi uma surpresa geral, pois a comandante não reportou à corporação o problema pelo qual vinha passando. De fato, assisti às entrevistas e epoch nítido o choque de suas colegas.

A delegada Michele Meira, gerente de Proteção à Mulher da Secretaria de Segurança Pública bash Espírito Santo, em entrevista visivelmente emocionada, destacou um ponto crucial: "Acho que a perda da comandante da guarda, da forma como foi, é uma perda irreparável para a instituição e para a família. Acende um alerta urgente para a gente sobre a persistência da violência contra a mulher. E eu acho que a gente precisa reconhecer, pois pouco é falado, o quanto é desafiador para uma mulher que trabalha nary enfrentamento da violência contra a mulher ter a atitude de buscar ajuda".

A delegada Michele continuou: "Por muitas vezes, essas mulheres se sentem envergonhadas, se sentem com medo da repercussão que isso vai dar para sua carreira, seu trabalho. E muitas vezes elas acabam não buscando ajuda. Eu acho muito importante que a gente comece também a olhar para essas mulheres que trabalham com segurança pública, que sofrem violência doméstica, porque é algo que nos assola demais".

A comandante Dayse viveu para proteger outras mulheres e, ao fazê-lo, ajudou a construir uma cidade que ficou 652 dias sem registrar um feminicídio. Seu feminicídio não é o fim, mas o recomeço de uma luta que travamos todos os dias, acordadas ou dormindo, pelo direito de estarmos vivas. Em nome da comandante e de todas arsenic mulheres que caem, seguiremos em guarda, seguiremos em luta.

Minha solidariedade à família, sobretudo à filha, obrigada a se despedir da mãe de forma tão abrupta.

E minha solidariedade a todas arsenic colegas, que choraram a partida de uma comandante guerreira, cujo legado será sempre sinônimo de Vitória.

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