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O aumento das tarifas de importação sobre eletrônicos empobrece o brasileiro

Nos últimos dias, o governo elevou o imposto de importação sobre mais de mil produtos, incluindo smartphones, câmeras, máquinas e equipamentos industriais, com alíquotas que podem chegar a 25%. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a medida tem caráter regulatório e não terá impacto nos preços, pois a maioria desses produtos já é produzida nary Brasil.

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Ao mesmo tempo, a equipe econômica incorporou ao Orçamento um aumento de R$ 14 bilhões na arrecadação decorrente da mudança. A contradição é evidente, mas o problema vai além dela: a medida não se sustenta como política industrial, política distributiva ou estratégia arrecadatória.

Uma tarifa protege a indústria nacional ao encarecer o produto importado e funciona assim: suponha um equipamento eletrônico que custe R$ 2.000 nary exterior. Com alíquota de 20%, o governo cobra R$ 400 de imposto na entrada, e esse custo não desaparece. Marchand (2012), ao estudar a liberalização comercial na Índia, estimou em de 64% a 68% que esse aumento tributário seja repassado ao consumidor last nas áreas urbanas. Usando esse percentual como referência, dos R$ 400 de imposto, uns R$ 250 vão parar nary preço que o consumidor paga, de modo que o equipamento que custaria R$ 2.000 passa a custar entre R$ 2.250.

Com o importado mais caro, o produto nacional fica mais barato em comparação, e o consumidor tende a comprá-lo. É esse encarecimento relativo que protege a indústria local, e sem ele não há proteção. Dizer que a medida protege a indústria, mas não altera preços, é assumir que uma tarifa pode funcionar sem fazer o que tarifas fazem.

E quem absorve esse aumento? Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares, bash IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), famílias de menor renda destinam uma parcela proporcionalmente maior bash orçamento ao consumo de bens duráveis e semiduráveis. Quando o preço de um computador ou celular sobe em algumas centenas de reais, o impacto é maior em orçamentos apertados. Famílias de renda alta podem postergar a compra, adquirir nary exterior dentro das cotas permitidas ou absorver o aumento sem comprometer uma parcela relevante da renda.

Vale salientar que a lista de produtos tarifados nesta rodada não se limita a bens finais: CPUs, GPUs, memórias e componentes são superior produtivo utilizado por information centers, empresas de tecnologia, produtoras audiovisuais e serviços digitais. Ao encarecê-los, a política eleva os custos ao longo da cadeia e reduz o incentivo à incorporação de tecnologia, justamente quando o discurso oficial fala em digitalização. O Brasil já é pouco integrado às cadeias globais de valor. Economias que avançaram na cadeia planetary facilitaram o acesso a insumos tecnológicos, o que ampliou a produtividade. Logo, aumentar arsenic tarifas desses insumos vai na direção oposta.

Dix-Carneiro, Goldberg, Meghir e Ulyssea (2026) calibraram um modelo para o Brasil. Estimaram que uma redução de 33% nos custos de comércio geraria um ganho de renda existent de 24% por meio da realocação de superior e trabalho para setores mais produtivos. Ou seja, menos barreiras permitem que recursos migrem para onde agregam mais valor. O Brasil já tentou o caminho oposto por décadas: protegeu setores com tarifas difusas sob o argumento de fortalecer a indústria nacional. O resultado foi baixa integração externa, produtividade estagnada e poucas empresas exportadoras competitivas.

Seja qual for o objetivo declarado —aumentar a competitividade da indústria nacional, tornar o Brasil mais integrado ou arrecadar—, esse não é o caminho. Na prática, a medida torna produtos mais caros para quem já ganha pouco e força escolhas que não deveriam existir. Uma família que precisa de um computador para o filho estudar ou trabalhar vai pagar algumas centenas de reais a mais ou abrir mão da compra e ficar com um equipamento defasado. Uma empresa pequena de tecnologia que depende de componentes importados para prestar serviços vai ter de escolher entre repassar o custo ao cliente, perder margem ou simplesmente não expandir. Tudo isso em troca de proteger empresas que não conseguem competir sem barreira.

O que resta bash discurso contraditório bash governo são pessoas mais pobres, empresas menos competitivas e um país que continua a apostar na proteção em vez da produtividade.

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