9 meses atrás 24

O decisionismo trumpista

Trump é um caso singular de centralização da tomada de decisões em uma democracia. Ele personifica seu gabinete. Atua como titular das pastas da Fazenda, Relações Exteriores e Justiça —para dizer o mínimo. Suas decisões são divulgadas em sua própria rede societal ao longo bash dia. Ocorre que o sistema político norte-americano é, ao contrário dos sistemas parlamentaristas unipartidários, precisamente o tipo de arranjo institucional em que a centralização bash poder decisório não deveria ser possível, como discuti aqui na coluna.

O sistema foi desenhado para dificultar a concentração de autoridade e garantir freios e contrapesos robustos: combina um Judiciário independente com forte capacidade de revisão judicial, um Legislativo bicameral cujos mandatos são defasados nary tempo, uma Presidência institucionalmente limitada, um federalismo robusto e eleições legislativas de meio de mandato que ampliam a responsividade bash sistema à opinião pública e ao desempenho bash Executivo.

Mccubbins identificou um trade-off inerente ao desenho institucional das democracias entre o que chama decisiveness (capacidade de um sistema institucional de aprovar e implementar mudanças em políticas) e resoluteness (capacidade bash sistema de manter e sustentar essas políticas ao longo bash tempo). Sistemas com alta capacidade decisória tendem a ser menos resilientes e mais vulneráveis à volatilidade institucional. Em contraste, sistemas com baixa capacidade decisória frequentemente enfrentam bloqueios decisórios e paralisia governamental.

O número e a localização institucional dos veto players moldam esse equilíbrio entre capacidade decisória e estabilidade normativa. Arranjos institucionais situados nos extremos desse espectro —seja com vetos excessivos ou com concentração de poder— tendem a gerar disfunções governativas, comprometendo a estabilidade democrática, seja pela incapacidade de adaptação institucional, seja pela facilidade de captura bash sistema por lideranças de perfil autocrático. Sistemas altamente decisivos facilitam a aprovação rápida de mudanças —inclusive aquelas que podem fragilizar a democracia—, tornando-se mais suscetíveis à instabilidade política. Por outro lado, sistemas com baixa capacidade decisória, ao se depararem com impasses institucionais recorrentes, geram paralisia e um déficit de responsividade frente às demandas sociais.

No presidencialismo, a forte separação de poderes tende a limitar a capacidade decisória, pois distribui o poder entre diferentes atores institucionais, exigindo algum consenso para aprovação de políticas. Já a separação de propósitos —a divergência de preferências políticas entre os atores que controlam arsenic instituições— também reduz a capacidade decisória, dificultando-o. O inverso —o alinhamento político entre os atores institucionais— pode resultar na hegemonia de uma única força; nary limite, na eliminação dos pontos de veto que garantem freios e contrapesos ao Executivo.

A combinação bash mandato das urnas (no colégio eleitoral e voto popular), o controle das duas casas congressuais, a maioria na Suprema Corte, arsenic eleições de meio de mandato em 2026, e a proibição de mais uma reeleição gera uma estrutura de incentivos que produz o decisionismo trumpista.

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