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O Desenrola 2 tem tudo para virar Desenrola 3

Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de Macroeconomia da Tendências Consultoria, fez um estudo que mostra que, em 2011, a renda disponível do brasileiro para consumo após os compromissos (pagamento de contas básicas mensais, crédito e impostos) girava em torno de 26%. Hoje é de 21%. Apesar da redução do desemprego e aumento médio da renda, os fatores que explicam o aperto no bolso, segundo ela, são a inflação de itens essenciais - como alimentação, escola e transporte - os juros altos e o acesso mais fácil ao crédito a partir da bancarização do PIX e à entrada de fintechs e instituições financeiras no mercado. "O problema para esses brasileiros é entrar no mercado de crédito sem a educação financeira adequada, sem entender a dinâmica da dívida e o pagamento. Não recebem o devido suporte e esclarecimento das instituições", pondera.

Para ela, o Desenrola 2 deve trazer um alívio de curtíssimo prazo, mas não resolve questões fundamentais. "Temos juros altos porque temos politica fiscal ativa, com estímulo de gastos e demandas, que pressiona preços e faz o Banco Central aumentar a Selic", diz.

Por essas e outras, apesar de o ministro da Fazenda, Dario Durigan, avisar que não haverá outro programa de refinanciamento tão cedo, o risco moral ou 'moral hazard' é o brasileiro se acostumar a um pacote de socorro sempre que o cerco apertar ou a campanha eleitoral se aproximar.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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