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O Dia do Trabalho dos invisíveis

Foi num desses almoços que uma Colaboradora da limpeza sentou perto de mim. Estávamos falando sobre a rotina, o cansaço, o trânsito. Até que ela soltou uma frase que me acertou no estômago:

Sabe o que é, Paulo... Para algumas pessoas aqui, a gente é invisível.

Ela não disse com raiva. Não era um protesto sindical. Disse com a naturalidade de quem diz que vai chover à tarde. Já tinha aceitado.

E essa naturalidade doeu muito mais do que um grito.

A dona Marta (vamos chamá-la assim) chega antes de todo mundo. Conhece cada lixeira do andar. Sabe quem deixa a caneca suja na mesa e quem empurra a cadeira antes de ir embora. Sabe quem responde ao "bom dia" e quem passa olhando para o celular.

A maioria nem levanta o olhar.

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O contrário do amor não é o ódio. É a indiferença.

Nas empresas, a indiferença cria uma hierarquia que não está em nenhum organograma. É a hierarquia de quem merece ser visto e quem é apenas parte da mobília.

Alguns meses atrás, fui ao shopping Villa-Lobos, que fica perto da minha casa. Entrei no banheiro e nunca tinha visto um banheiro público tão limpo e tão cheiroso. Eu me senti cuidado ali dentro.

Na saída, encontrei o Seu José. Ele era o responsável por aquele cuidado todo.

Fiz questão de parar, olhar nos olhos dele e agradecer. Disse o quanto o trabalho dele era importante para quem passava por ali, o quanto fazia diferença no dia das pessoas.

Ele me olhou surpreso. Os olhos encheram d'água.

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"Puxa... Ninguém nunca fez isso", ele respondeu.

Gravei um vídeo rápido ali mesmo, elogiando o trabalho, e postei.

O que aconteceu depois foi a melhor parte.

O Seu José pegou aquele vídeo e mostrou para a esposa dele, a Fátima. Ela também trabalha no shopping, fazendo exatamente a mesma coisa que ele. Limpando o que os outros sujam. Sendo invisível para a maioria.

Quando ele mostrou o vídeo para ela, disse uma frase que resume tudo o que qualquer líder precisa entender sobre gestão de pessoas:

Tá vendo, Fátima? Tá vendo como o nosso trabalho é importante?

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Ontem foi feriado. Dia do Trabalho.

O LinkedIn ficou cheio de textos bonitos sobre propósito, liderança e o valor do suor. As empresas postaram vídeos institucionais com trilha sonora emocionante.

Hoje é dia 2 de maio. Tudo voltou ao normal.

A dona Marta já chegou antes de todo mundo. Já esvaziou a sua lixeira. Já limpou a mesa onde você vai apoiar o notebook. O Seu José e a Fátima já estão com os carrinhos de limpeza nos corredores do shopping.

E a maioria continua sem saber o nome deles.

Se você lidera pessoas, ou apenas divide o mesmo teto com elas, o melhor que pode fazer hoje não é curtir post de feriado.

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É levantar a cabeça do celular.

Olhar nos olhos de quem está esvaziando a sua lixeira.

E perguntar o nome dela.

Opinião

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