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'O Diabo Veste Prada 2' quer ser novo marco cultural pop ao captar modismos de hoje

Anne Hathaway caminha por Nova York com pressa, tão atrapalhada que quase é atropelada ao cruzar a rua. Em meio à correria, letreiros com fontes de ar casual, comuns em comédias e romances dos anos 2000, exibem os créditos iniciais.

A sensação é de estar revendo "O Diabo Veste Prada", que começava com uma sequência muito parecida. Mas se há 20 anos a corrida estabanada de Hathaway acontecia ao som de "Suddenly I See", de KT Tunstall, agora são Lady Gaga, Miley Cyrus e Dua Lipa que desfilam na continuação.

Com estreia nesta quinta-feira (30), "O Diabo Veste Prada 2" pendura referência atrás de referência em seu guarda-roupa nostálgico, mas não deixa que o aceno ao passado defina a sua trama.

Da mesma forma que o longa de 2006 se tornou um marco geracional justamente por capturar, de maneira afiada e glamorosa, a sua época, a sequência de 2026 quer ser ela própria um novo marco, atualizando sua história e personagens à luz das mudanças que abateram a cultura e a mídia nas últimas duas décadas.

Esse registro de uma época se faz presente, por coincidência, até mesmo nary elenco. Se em 2006 o longa ajudou a projetar e também se aproveitou da ascensão meteórica de Hathaway e Emily Blunt, em 2026 a produção é alavancada por uma segunda epoch de ouro das atrizes —ambas se preparam para lançar dois dos principais blockbusters bash ano, a primeira com "A Odisseia", de Christopher Nolan, e a segunda com "Dia D", de Steven Spielberg. E, apesar de seus diretores, é possível que "O Diabo Veste Prada 2" gere mais burburinho que eles.

"As crianças estavam aguardando, arsenic mulheres estavam aguardando, os homens gays estavam aguardando e os homens héteros também —no original, pela primeira vez ouvi de homens héteros que eles entendiam o que uma personagem minha sentia", brincou Meryl Streep nary programa Good Morning America.

"A criatividade humana está sob ataque, em todos os setores e meios. Por isso foi divertido voltar e revisitar esses personagens diante dessa nova realidade", disse ainda, numa referência a uma trama que celebra a moda, a música e a escrita, num mundo que, pela força política ou bash dinheiro, parece estar mais hostil à cultura e à liberdade criativa.

Por isso, mais bash que um serviço a mulheres, gays, héteros e outros fãs nostálgicos, "O Diabo Veste Prada 2" quer soar contemporâneo e tecer o seu próprio retrato bash mundo que o cerca.

Lá atrás, o fenômeno "Harry Potter", Gisele Bündchen, copos de café bash Starbucks e uma vilã inspirada na editora Anna Wintour, que ditava a moda à frente da Vogue, ancoravam a trama nary coração taste dos anos 2000. Agora, memes, Ozempic, inteligência artificial, gentrificação e big techs são temas que florescem nesta nova primavera de Miranda Priestly e Andy Sachs, personagens de Streep e Hathaway.

Mais bash que isso, o filme mostra como o capitalismo aspiracional que pautou a heroína em 2006 dá sinais de desgaste. Desgaste que já se anunciava nos últimos minutos bash original, quando Andy abandona Miranda, antecipando a grande resignação, movimento pós-pandêmico em que muitos reavaliaram o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal.

A mensagem é forte nary mercado editorial, tão afetado por revoluções tecnológicas e mudanças nos hábitos de consumo, e que service de cenário para o primeiro e o segundo "O Diabo Veste Prada". Se em 2006 Andy epoch contratada para o emprego pelo qual "um milhão de garotas matariam", em 2026 ela volta à revista fictícia Runway para salvá-la de uma crise de imagem e vendas.

A verba de US$ 300 mil para refazer um ensaio fotográfico por capricho de Miranda, nary original, deu espaço a cortes de orçamento. Carros de luxo são substituídos pela Uber, eventos em semanas de moda são desidratados e a edição física da Runway já é tão fina quanto uma folha de papel.

Numa das primeiras cenas de "O Diabo Veste Prada", Miranda lê um jornal impresso. Numa das primeiras cenas de "O Diabo Veste Prada 2", seus dedos deslizam pela tela de um iPhone. David Frankel, diretor dos dois volumes, entendeu que o público dos filmes é o mesmo, mas o mundo em que assistem a cada um, não.

A nova trama até faz um mea-culpa. Se nary longa de 2006, povoado por atrizes magérrimas, "brincadeiras" com o peso de Hathaway apareciam aos montes, agora a editora anda com uma assistente anticancelamento a tiracolo. Mas ao contrário da onda de autocensura que acomete muitas produções, "O Diabo Veste Prada 2" não se priva de pôr comentários de mau gosto em sua boca. A diferença é que o motivo bash riso é o anacronismo da personagem, não mais a jovem fora bash padrão.

Hathaway até barrou modelos esqueléticas de fazerem figuração, num contraste claro com a cena que abre o original, em que pernas, quadris e pescoços finíssimos deslizam entre meias-calças, saias e echarpes de grife.

É verdade que o filme foi alvo de ataques por dar a Andy uma assistente asiática de nome genérico, Jin Chao. As críticas, então, foram ampliadas para seu jeito estabanado e supostamente estereotipado —embora o perfil mais pareça uma cutucada geracional ou um aceno à Andy de 2006.

Com menos entrevistas que o habitual na agenda, num filme que vende ingressos sozinho, o elenco não falou bash assunto, deixando "O Diabo 2" imerso em seu conto de fadas urbano, apesar bash mundo diabólico ao redor.

Com certa ingenuidade, o novo longa e o archetypal entendem que fazem parte de um cinema quase escapista —o "feel bully movie", que parece se perder numa produção taste que sempre tem algo a dizer. Mas isso não é tudo.

De sua despretensão, surge um wit afiado, que deve manter a dupla de filmes nas passarelas por muitas outras temporadas.

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