
Crédito, Hannah McKay/Reuters
- Author, Noor Nanji
- Role, Correspondente da realeza
- Author, Doug Faulkner
Há 15 minutos
Tempo de leitura: 10 min
Depois de uma semana difícil, é possível dizer, sem exageros, o quão complicada é a situação na qual o ex-príncipe do Reino Unido Andrew Mountbatten-Windsor e sua ex-mulher, Sarah Ferguson, se encontram.
Mas, cada vez mais, parece que é uma situação da qual suas filhas também não conseguem escapar.
Uma das trocas de mensagens sugere que elas almoçaram com ele em Miami, poucos dias após sua libertação da prisão por prostituição de adolescentes. Em outro trecho, parece que elas foram chamadas por ele para entreter seus contatos e fazer visitas guiadas ao Palácio de Buckingham.
Para Beatrice, agora com 37 anos, e Eugenie, com 35, essas novas revelações podem colocar seu futuro em xeque.
"Isso levantará questionamentos do público sobre o que elas estavam fazendo", diz o comentarista da realeza Richard Palmer.
Mas a jornalista especializada na realeza, Victoria Murphy, afirma que, embora os e-mails sejam "uma leitura realmente muito desconfortável", ainda há simpatia pelas princesas.
E não há dúvida de que ver uma foto aparentemente do seu pai de quatro, agachado sobre uma jovem, só pode ser profundamente constrangedor.
Então, depois que a marca da família York foi arrastada na lama, onde as princesas se encaixam agora dentro da Família Real?

Crédito, Mark Cuthbert/UK Press via Getty Images
'Dificuldade em se distanciar' de Epstein
Ambas as princesas são mencionadas repetidamente na última divulgação de arquivos de Epstein.
Reportagens da mídia sobre o suposto almoço em Miami frequentemente se referem a "as meninas", sugerindo que elas eram mais jovens do que realmente eram.
Na época da visita, Eugenie tinha 19 anos e Beatrice, 21.
"Elas não eram meninas de cinco anos quando foram levadas para ver Epstein. Eram adultas", argumenta o autor Andrew Lownie, que escreveu o livro Entitled: The Rise and Fall of the House of York (ainda sem tradução em português) sobre Andrew.
"Há uma grande campanha para dizer que elas são inocentes apanhadas no fogo cruzado, mas não são, elas estão profundamente envolvidas."
Mas Murphy discorda dessa versão, argumentando que é compreensível imaginar por que elas aceitaram.
"É fácil criticar essa decisão agora que os crimes de Epstein estão em evidência, mas se ninguém as alertou na época, é fácil entender por que elas simplesmente aceitaram a viagem organizada pela mãe."

Crédito, Justin Goff Photos/Getty Images
As vantagens de ser amigo de Jeffrey Epstein também são evidentes.
Uma troca de mensagens entre Epstein e seu assistente parece sugerir que ele pagou pelas passagens aéreas da família, totalizando "US$ 14.080,10 para todas as passagens".
Mas nem tudo foi unilateral.
Em diversas ocasiões, Epstein parece perguntar a Sarah Ferguson se suas filhas podem encontrar pessoas, e em uma delas parece pedir que elas mostrem o Palácio de Buckingham à pessoa cujo nome foi omitido.
Em uma ocasião, Sarah Ferguson se desculpa, dizendo que elas não estavam presentes e explicando onde estavam.
Em outra troca de mensagens, uma pessoa denominada "Sarah" parece se referir à vida amorosa de Eugenie, dizendo que ela está voltando de um "fim de semana de sexo".
Em alguns dos e-mails, os contatos de Epstein também se referem às princesas.
Um e-mail, enviado a Epstein por um amigo, diz: "Acabei de falar com a Duquesa de Pork. Ela está em um almoço extravagante com Beatrice. Acabei de me apresentar a ela. Disse que conheço (mal) o pai dela e como ele é fantástico... mais detalhes depois."
Os representantes de Sarah Ferguson foram contatados para comentar.
Mas para Palmer, as menções repetidas a ambas as princesas nos e-mails "tornam difícil se distanciar" da saga. "Não há como evitar as ligações entre os York e Epstein", diz ele.
'Manter um perfil discreto'
Nenhuma das irmãs trabalha na realeza. Ambas são casadas, têm filhos e suas próprias carreiras. Mas, como outros membros da realeza, as duas princesas também têm iniciativas filantrópicas.
Eugenie cofundou o Anti-Slavery Collective, uma instituição de caridade cujo foco inclui vítimas do tráfico sexual.
"É uma causa absurdamente inadequada para [Eugenie] se envolver", disse Lownie.
De acordo com os registros mais recentes disponíveis, as doações despencaram - de 1,5 milhão de libras em 2024 para 48 mil libras em 2025, embora a instituição tenha uma quantia considerável em reservas. Nenhuma receita foi arrecadada com eventos ou leilões no ano até 2025, em comparação com o ano fiscal anterior, quando um grande evento beneficente de gala foi realizado.
A instituição de caridade afirmou que espera realizar um evento de gala semelhante a cada três anos. Mas uma fonte do setor disse que é "difícil, do ponto de vista da imagem, fazer algo de grande visibilidade novamente".
"Como era de se esperar, o evento está mantendo um perfil discreto", acrescentaram.

Crédito, EuropaNewswire/Gado/Getty Images
A BBC News contatou o Anti-Slavery Collective diversas vezes para pedir um comentário em vista da mais recente controvérsia envolvendo Andrew e Epstein, mas não obteve resposta.
Também contatamos várias outras instituições de caridade com as quais as princesas estão envolvidas, perguntando se elas mantêm sua confiança em vista dos e-mails recentes.
A Outward Bound afirmou que a Princesa Beatrice está envolvida com o grupo "em sua função honorária de Vice-Patrona".
Mas o Exército da Salvação, que tem uma parceria de longa data com Eugenie, adotou um tom mais cauteloso. "Colocamos as vítimas e sobreviventes no centro de todas as nossas decisões e estamos acompanhando de perto essa história", disse um porta-voz.

Crédito, Abaca Press / Alamy
Além do trabalho beneficente, as princesas também têm empregos.
Beatrice fundou a empresa de consultoria BY-EQ, enquanto Eugenie trabalha como diretora da galeria de arte Hauser & Wirth.
A empresa enfrentou recentemente contestações judiciais relacionadas a supostas violações das sanções russas, embora negue veementemente essas acusações. Não há nenhum indício de irregularidade por parte de Eugenie. O Tribunal da Coroa de Southwark informou à BBC News que a data do julgamento foi marcada para 2028.
No ano passado, por volta da época em que seu pai perdeu o título de príncipe, Beatrice foi fotografada em uma cúpula de investimentos na Arábia Saudita. Sua família tem laços antigos com o Oriente Médio e ela também apareceu recentemente em uma foto promocional de um banco dos Emirados Árabes Unidos.
Beatrice e seu marido, Edoardo Mapelli Mozzi, também estiveram envolvidos em algumas das atividades comerciais de seu pai. Eles estiveram presentes no Pitch@Palace, a rede de startups de Andrew, e foram fotografados reunidos com o então embaixador chinês no Reino Unido em 2020, ao lado de seus pais.
Palmer sugere que pode ter havido uma confusão entre o papel real e o lucro pessoal.
A princesa, disse ele, construiu sua carreira aproveitando seu status real e os contatos proporcionados por seus pais, "conhecendo todos os tipos de contatos comerciais e membros de famílias reais no exterior".
Suas próprias vidas familiares - e a família real em geral
Ambas as princesas têm maridos ricos e independentes, e dois filhos cada.
O marido de Beatrice, Edoardo Mapelli Mozzi, é um promotor imobiliário, descendente da nobreza italiana, enquanto o de Eugenie, Jack Brooksbank, trabalhou na área da hotelaria e marketing.
Beatrice divide seu tempo entre sua propriedade em Cotswolds e um apartamento no Palácio de St. James. Eugenie vive entre Portugal e Ivy Cottage, nos jardins do Palácio de Kensington.
Entende-se que as princesas pagam aluguel por suas propriedades reais. Mas o Palácio não confirmou se o valor é pago de acordo com o mercado. Isso ocorre em um momento de crescentes pedidos por maior transparência sobre as finanças da família real, após a polêmica em torno do contrato de arrendamento de Andrew em sua antiga mansão em Windsor.
Esta semana, Andrew se mudou para a propriedade do Rei em Sandringham, em Norfolk, o que significa que ele não está mais perto de suas filhas e netos. Atualmente, o paradeiro de Sarah Ferguson é desconhecido, embora haja especulações de que ela possa se mudar para Portugal para morar com sua filha mais nova.

Crédito, Max Mumby/Indigo/Getty Images
No privado, as princesas mantêm contato com seus pais, diz Palmer. "Pelo que entendi, elas ainda falam com eles", afirma, "e querem permanecer leais a eles."
Mas em público, diz ele, elas manterão distância. "Elas precisam se separar publicamente de seus pais, caso contrário, correm o risco de a toxicidade se espalhar ainda mais para elas."
Quando Andrew perdeu seus títulos, Beatrice e Eugenie mantiveram os seus. Também não houve alteração na linha de sucessão.

Crédito, Ricky Vigil M/Justin E Palmer/GC Images
Mas alguns questionaram qual é o lugar delas agora dentro da família real.
As irmãs sempre foram consideradas próximas do Príncipe de Gales e Duque de Sussex e compartilharam como é crescer sob os holofotes.
Há relatos de que Eugenie era particularmente próxima de Harry e viajou para a Califórnia para visitá-lo.
Imagens do documentário de Harry e Meghan a mostraram assistindo ao Super Bowl, andando de bicicleta com seu primo e brincando com o filho dele, Archie, na praia.

Crédito, Ken Goff/Getty Images
Assim como Harry, Beatrice e Eugenie agora se encontram à margem da família. Mas mesmo nos últimos anos, com a desgraça do pai pairando sobre elas, continuaram a comparecer e a participar de eventos reais.
A maior incógnita para muitos era onde elas passariam o último Natal.
Até o último minuto, não estava claro se as princesas apareceriam em Sandringham. Mas, no fim, elas apareceram, optando por passar o dia de Natal com a família real, e não com seus pais no Royal Lodge.

Crédito, Henry NICHOLLS / AFP via Getty Images
Para Lownie, é um sinal claro de que um acordo foi firmado entre Andrew e o Rei – que ele e Sarah Ferguson "sairiam de cena discretamente", desde que suas filhas fossem protegidas.
Mas também é claro que elas não estariam lá se o Rei Charles não as quisesse. A presença delas nos dá uma ideia de como o Palácio vê as coisas: Beatrice e Eugenie ainda são membros da Família Real. Elas ainda fazem parte da instituição e serão cuidadas.
Enquanto a Família Real caminhava a curta distância da Sandringham House até a Igreja de Santa Maria Madalena para a missa de Natal, Beatrice e Eugenie, ao lado de seus maridos, se destacavam no grupo, logo atrás do Rei e da Rainha.
É, talvez, um sinal de como eles pretendem seguir em frente em meio às consequências do caso Epstein.
Até agora, as princesas sempre foram vistas como parte de um pacote, juntamente com Andrew e Ferguson, como parte da Casa de York.
Independentemente do que aconteça a seguir, Beatrice e Eugenie precisarão sair da sua sombra se quiserem continuar a ser uma parte ativa da Família Real.

German (DE)
English (US)
Spanish (ES)
French (FR)
Hindi (IN)
Italian (IT)
Portuguese (BR)
Russian (RU)
1 hora atrás
2





:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/l/g/UvNZinRh2puy1SCdeg8w/cb1b14f2-970b-4f5c-a175-75a6c34ef729.jpg)







:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2024/o/u/v2hqAIQhAxupABJOskKg/1-captura-de-tela-2024-07-19-185812-39009722.png)


Comentários
Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro