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O que você precisa saber sobre os bombardeios de EUA e Israel, e a resposta do Irã

Israel afirmou que o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, e o presidente Masoud Pezeshkian foram alvos do ataque, mas os resultados da ação ainda são incertos.

Mais cedo, fontes disseram à agência Reuters que Ali Khamenei não está em Teerã. Não há detalhes sobre seu paradeiro. A agência estatal iraniana IRNA afirmou que o presidente está em segurança.

O ataque ocorreu após semanas de negociações tensas e pressão dos Estados Unidos para que Teerã encerrasse seu programa nuclear.

Veja abaixo, em tópicos, tudo o que se sabe sobre o ataque e suas consequências.

O que se sabe do ataque de EUA e Israel:

  • Agências de notícias informaram que mísseis atingiram áreas próximas ao palácio presidencial e a instalações utilizadas pelo líder supremo em Teerã, capital do Irã.
  • Segundo a agência estatal iraniana Fars, explosões também foram ouvidas nas cidades de Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah, em diferentes regiões do país.
  • O Exército israelense afirmou ter atingido “centenas de alvos militares iranianos”, incluindo lançadores de mísseis.
  • O ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour, morreram nos ataques israelenses, segundo três fontes ouvidas pela Reuters.
  • 51 estudantes de uma escola de meninas no sul do Irã morreram durante o ataque, segundo a imprensa estatal iraniana. Na mesma região, outras 15 pessoas morreram em um ginásio.

O que se sabe sobre a retaliação do Irã:

  • Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra o território israelense, onde sirenes de alerta foram acionadas.
  • Explosões também foram ouvidas em outros países da região, como Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque, Jordânia e Emirados Árabes Unidos — todos com presença de bases norte-americanas.
  • Vários prédios residenciais foram atingidos no Bahrein, segundo o governo local.
  • Em comunicado, os Emirados Árabes Unidos disseram ter interceptado vários mísseis iranianos e informaram que uma pessoa morreu na capital, Abu Dhabi. Uma explosão também foi ouvida em Dubai, segundo testemunhas.
  • Sistemas de defesa antimísseis foram acionados por Israel e por países do Golfo.
  • 4 pessoas morreram na Síria após um míssil iraniano atingir um prédio, informou a Reuters.

Veja os locais dos ataques e da retaliação

Mapa mostra os locais dos ataques no Irã e da retaliação — Foto: Arte/g1

Programa nuclear iraniano está no centro do confronto

A escalada militar entre Irã, Estados Unidos e Israel tem como pano de fundo uma disputa antiga: o programa nuclear iraniano.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o objetivo do ataque é destruir o programa nuclear iraniano e proteger o povo americano de ameaças.

"Nós garantiremos que o Irã não terá uma arma nuclear", afirmou. "Sempre foi a política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que este regime terrorista nunca poderá ter uma arma nuclear".

Trump considera o programa uma ameaça, embora o governo iraniano negue possuir uma bomba nuclear. Parte da comunidade internacional, incluindo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), responsável pela fiscalização nuclear no mundo, contesta a versão iraniana.

Essa é a segunda vez em menos de um ano que os EUA atacam o Irã. Em junho de 2025, uma operação norte-americana bombardeou estruturas nucleares iranianas. A ação ocorreu em apoio a Israel, que travava conflito com o país.

O resultado do ataque de nove meses atrás, no entanto, permanece incerto. Na época, o presidente americano disse que as instalações haviam sido destruídas. Em seguida, Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, afirmou que os ataques causaram danos graves, embora “não totais”.

Saiba mais na reportagem abaixo.

Paradeiro de Ali Khamenei é desconhecido

Israel afirmou que o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, e o presidente Masoud Pezeshkian foram alvos do ataque, mas os resultados da ação ainda são incertos, segundo a Reuters.

“Que eu saiba, o líder supremo está vivo”, disse o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, à NBC News.

Mais cedo, fontes disseram à Reuters que Ali Khamenei não está em Teerã. Não há detalhes sobre seu paradeiro. O líder não fez aparições públicas nos dias que antecederam o ataque e não foi visto até o momento. Durante os 12 dias de confronto, em junho de 2025, ele teria sido levado a um local seguro fora do complexo em Teerã.

A agência estatal iraniana IRNA afirmou que o presidente Masoud Pezeshkian está em segurança.

Veja detalhes na reportagem abaixo.

O que disse o presidente dos EUA, Donald Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou os ataques e disse que o objetivo é “defender o povo americano” de “ameaças do governo iraniano”.

“Nós garantiremos que o Irã não terá uma arma nuclear”, afirmou. “Sempre foi a política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que este regime terrorista nunca poderá ter uma arma nuclear.”

Sobre os alvos da operação, Trump disse que os EUA vão “arrasar a indústria de mísseis até o chão”.

Trump alertou que, como resultado da operação militar dos EUA, “podemos ter baixas”. Segundo o jornal “The New York Times”, o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, havia alertado Trump em reuniões privadas de que tropas americanas poderiam ser mortas ou feridas em uma guerra com o Irã.

Veja a íntegra do pronunciamento na reportagem abaixo.

O que disse o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o “Irã não deve ter permissão para se armar com armas nucleares” e que a ofensiva “criará as condições para que o povo iraniano tome as rédeas do próprio destino”.

“Chegou a hora de todos os setores da população do Irã removerem o jugo da tirania (do regime) e construírem um Irã livre e pacífico”, disse Netanyahu em comunicado.

Veja a íntegra do pronunciamento na reportagem abaixo.

O que disse o Ministério das Relações Exteriores do Irã

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que o país é alvo de uma “agressão militar criminosa” que coloca em risco a paz mundial e pediu providências à ONU.

“Neste momento, o povo do Irã se orgulha de ter feito tudo o que era necessário para evitar a guerra. Agora é tempo de defender a pátria e enfrentar a agressão militar do inimigo”, diz a nota.

“Assim como estávamos preparados para negociar, estamos ainda mais preparados do que nunca para defender a integridade do Irã. As Forças Armadas da República Islâmica do Irã responderão aos agressores com firmeza.”

Veja a íntegra do pronunciamento na reportagem abaixo.

'Momento de voltar às ruas está próximo', diz opositor iraniano

O príncipe herdeiro do Irã, Reza Pahlavi, publicou uma mensagem na rede social X logo após os ataques, dizendo que a “ajuda americana finalmente chegou” e que o “momento de voltar às ruas está próximo”.

“A ajuda que o presidente dos Estados Unidos prometeu ao bravo povo do Irã chegou agora. Trata-se de uma intervenção humanitária; e seu alvo é a República Islâmica, o aparelho de repressão e sua máquina de matar — não o grande país e o grande povo do Irã”, disse.

Durante os protestos de janeiro contra o regime dos aiatolás no Irã, Pahlavi surgiu como possível sucessor de Ali Khamenei. Para alguns, ele é a principal figura da oposição no país.

Ele, que deixou o país na juventude e não retorna ao Irã desde 1978, está longe de ser unanimidade entre analistas e mesmo entre aliados políticos. O jornalista Guga Chacra o descreveu como um “playboy, filho de ditador, que vive no exterior”.

Saiba mais na reportagem abaixo.

Quem são os aliados de EUA e Irã no Oriente Médio

Os ataques de EUA e Israel ao Irã são mais um capítulo no cenário geopolítico do Oriente Médio. A região, uma das mais conflituosas do mundo desde meados do século XX, também concentra diversas bases militares norte-americanas.

Veja abaixo os principais aliados dos EUA e do Irã na região:

  • Israel: é o principal aliado dos EUA no Oriente Médio, recebendo armamentos e compartilhando inteligência e tecnologia militar.
  • Arábia Saudita: Riad mantém laços estreitos com o Ocidente e com os EUA há décadas, apesar de divergências pontuais que nunca escalaram para conflito aberto. Como principal potência sunita da região e guardiã de Meca, cidade sagrada do Islã, o país mantém rivalidade com o Irã, de maioria xiita.
  • Emirados Árabes Unidos: o país da Península Arábica mantém forte cooperação militar e econômica com os EUA.
  • Jordânia: a monarquia da família Hashemita é tradicional aliada das potências ocidentais, assim como a família Saud, da Arábia Saudita.
  • Bahrein: aliado da Arábia Saudita e dos EUA, que mantêm no país insular do Golfo Pérsico a sede da Quinta Frota.
  • Kuwait: é aliado estratégico dos EUA no Golfo Pérsico. Os americanos defenderam o país quando foi invadido pelo regime de Saddam Hussein, do Iraque, em 1990. Desde então, mantêm parcerias em acordos de defesa.
  • Egito: embora não se alinhe automaticamente aos EUA em todas as questões regionais, o governo do Cairo recebe ajuda militar americana desde os anos 1970, quando reconheceu Israel e se aproximou do Ocidente para recuperar o controle da Península do Sinai, ocupada por Tel Aviv em 1967. Atualmente, busca atuar como mediador de conflitos.
  • Síria: o país era um dos principais aliados do Irã durante o regime de Bashar al-Assad, cuja família pertence a um ramo da minoria xiita local. Após a queda de Assad, o presidente interino, Ahmed Al-Sharaa, ex-integrante da Al-Qaeda local, busca aproximação com Trump e com Israel. Apesar da desconfiança ocidental, ele manteve o espaço aéreo aberto para ataques israelenses ao Irã durante o conflito de junho de 2025.
  • Iêmen (houthis): o país é amplamente controlado pelos houthis, grupo xiita que tomou a capital, Sanaa. O regime não tem amplo reconhecimento internacional. Os houthis recebem apoio militar de Teerã e realizam ataques ocasionais contra Israel.
  • Hezbollah: o grupo extremista é um partido libanês xiita com milícia própria que atua como força paramilitar. Embora o Líbano permaneça formalmente neutro, o Hezbollah mantém forte aliança com Teerã. O grupo foi enfraquecido em 2024 após ataques israelenses e a morte de seu líder, Hasan Nasrallah.
  • Hamas: um dos raros aliados sunitas do Irã. Tanto o Hamas, ligado à Irmandade Muçulmana, quanto os aiatolás compartilham oposição ao Estado de Israel.
  • Paquistão: não integra o Oriente Médio, mas faz fronteira com o Irã e costuma se alinhar a Teerã quando o país é atacado ou ameaçado.

Saiba mais na reportagem abaixo.

Veja a repercussão dos ataques

Líderes da Europa, China, Rússia, Japão, França e outros países se manifestaram sobre os ataques pela manhã.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou os ataques como “extremamente preocupantes”.

“Garantir a segurança nuclear e prevenir quaisquer ações que possam escalar ainda mais as tensões ou comprometer o regime global de não proliferação é de importância crítica”, disse.

O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, criticou Trump e questionou a posição de Washington.

“O ‘pacificador’ mostrou mais uma vez sua face”, disse Medvedev, ex-presidente da Rússia. “Todas as negociações com o Irã são uma operação de fachada. Ninguém duvidava disso. Ninguém realmente queria negociar coisa alguma.”

Saiba mais na reportagem abaixo.

O que disse o governo brasileiro

O Itamaraty condenou o ataque conjunto de EUA e Israel ao Irã e afirmou que a negociação entre as partes é o “único caminho viável para a paz”.

"O Governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados hoje (28/2) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região", afirmou o Itamaraty em nota.

Na manifestação, o Ministério das Relações Exteriores “apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção”, a fim de evitar a escalada das hostilidades e assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil.

O Itamaraty afirmou que as embaixadas do Brasil na região acompanham os desdobramentos do conflito e que o embaixador brasileiro em Teerã está em contato direto com a comunidade brasileira para transmitir atualizações sobre a situação e orientações de segurança.

Saiba mais na reportagem abaixo.

FOTOS e VÍDEOS mostram destruição em Teerã e retaliação iraniana

Estados Unidos e Israel realizaram ataque coordenado contra o Irã. Em resposta, o país disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio.

Veja as imagens na reportagem abaixo.

Relembre a onda de protestos que tomou o Irã

Os protestos no Irã começaram diante da insatisfação popular com a situação econômica do país. A moeda local sofreu forte desvalorização, enquanto o custo de vida aumentava.

O Irã enfrenta dificuldades econômicas há anos, principalmente após a reimposição de sanções pelos Estados Unidos e outros países. A medida foi adotada em 2018, quando Trump deixou o acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.

Os primeiros registros dos protestos ocorreram em 28 de dezembro, quando comerciantes iranianos iniciaram greve e fecharam lojas em reação à situação econômica.

Saiba mais na reportagem abaixo.

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