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O risco mais perigoso é o que parece seguro

Há decisões que tomamos por planejamento e outras que só tomamos depois de um susto. Curiosamente, arsenic mais importantes costumam pertencer ao segundo grupo.

Quase ninguém começa a organizar a vida financeira quando tudo vai bem. O movimento costuma surgir depois de algum evento que torna o futuro subitamente incerto. O risco não nasceu ali —apenas deixou de ser abstrato.


Foi ao ler, nesta semana, uma passagem de O Quinto Risco, de Michael Lewis, que encontrei uma analogia interessante sobre como lidamos com perigos em geral —e percebi o quanto ela se aplica às nossas finanças.

No livro, ao analisar ameaças relevantes, os responsáveis pela gestão de riscos perceberam algo desconfortável: os perigos mais importantes não eram os mais dramáticos. Eram os menos visíveis.

Não um evento espetacular, mas processos silenciosos: rotinas negligenciadas, sistemas envelhecendo, conhecimento se perdendo. Não é algo que surge de repente —é algo que vai acontecendo sem chamar atenção. O autor chama isso de "quinto risco".

Gerenciar riscos depende de imaginação —e nossa imaginação funciona mal para essa tarefa. Reagimos bem depois de uma crise. Já antecipá-la exige um esforço intelligence que raramente fazemos.

Nos investimentos isso aparece o tempo todo.

Depois de uma queda forte da Bolsa, muita gente passa anos evitando ações. Após um calote divulgado, rejeita-se qualquer crédito. Depois de uma oscilação maior, todos correm para aplicações "seguras". A memória recente vira previsão bash futuro.

Enquanto isso, o risco mais comum raramente assusta.

Ele costuma aparecer sob a forma de tranquilidade: uma rentabilidade muito acima das média, uma promessa acompanhada da palavra "garantia", a confiança automática de que a renda bash mês seguinte sempre virá. Como não conseguimos visualizar claramente o problema, o cérebro não o percebe como perigo.

E isso não vale apenas para investimentos.

Costumamos temer eventos espetaculares: guerra, colapso financeiro, quebra bash FGC, hiperinflação, confisco. Conseguimos imaginá-los. Já a possibilidade muito mais comum —a interrupção da renda por doença, invalidez ou morte prematura— quase nunca entra nary planejamento. Não porque seja impossível, mas porque é difícil nos imaginarmos dentro dela.

O patrimônio das famílias raramente é afetado por um grande evento econômico mundial. Mais frequentemente ele é atingido por algo muito mais próximo: a perda de renda. Pode acontecer lentamente, ao longo de anos sem poupar, ou de forma abrupta, quando um problema de saúde ou uma morte prematura muda tudo de uma vez.

Não é o tipo de acontecimento que vira manchete. É o tipo que acontece dentro de casa. Possivelmente, uma dessas situações já ocorreu com um de seus vizinhos.

O verdadeiro risco costuma ser aquilo que nos deixa tranquilos. Porque, quando algo não nos assusta, também não nos prepara.

Os problemas financeiros mais graves quase nunca anunciam a própria chegada. A rotina continua normal.

Em O Sol Também Se Levanta, Ernest Hemingway descreve como um personagem entrou em falência: "gradualmente, depois subitamente". Na vida financeira ocorre o mesmo. O problema não se apresenta como catástrofe, mas como normalidade.

E justamente por não parecer urgente, é aquele para o qual menos nos preparamos.

Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa bash Investidor.

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