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Olimpíadas de Inverno: atleta ucraniano diz ter sido impedido de usar capacete com homenagem a mortos na guerra

O capacete reúne fotos de atletas ucranianos que morreram no conflito, incluindo amigos de Heraskevych. Segundo ele, o responsável no COI pela comunicação com atletas e comitês olímpicos nacionais foi até a Vila dos Atletas para informá-lo da decisão.

“Ele disse que é devido à Regra 50”, afirmou Heraskevych à Reuters. A regra 50.2 da Carta Olímpica estabelece que “nenhum tipo de demonstração ou propaganda política, religiosa ou racial é permitido em locais, instalações ou outras áreas olímpicas”.

Heraskevych disse que o capacete traz imagens da halterofilista adolescente Alina Perehudova, do boxeador Pavlo Ischenko, do jogador de hóquei Oleksiy Loginov, do ator e atleta Ivan Kononenko, do mergulhador e técnico Mykyta Kozubenko, do atirador Oleksiy Habarov e da dançarina Daria Kurdel.

A decisão de usar o capacete nos Jogos de Milão-Cortina recebeu elogios do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy. Em mensagem no Telegram, ele agradeceu a Heraskevych “por lembrar o mundo do preço da nossa luta”.

“Essa verdade não pode ser inconveniente, inadequada ou chamada de ‘ato político em evento esportivo’. É um lembrete ao mundo do que é a Rússia moderna”, disse.

“E é isso que recorda a todos o papel global do esporte e a missão histórica do movimento olímpico — tudo é sobre paz e pela vida. A Ucrânia permanece fiel a isso. A Rússia prova o contrário.”

Mais cedo, o COI informou não ter recebido pedido oficial do Comitê Olímpico da Ucrânia para o uso do capacete nas competições de skeleton, que começam em 12 de fevereiro.

Em 2022, nos Jogos de Pequim, Heraskevych exibiu um cartaz com a frase “No War in Ukraine” (Sem guerra na Ucrânia) dias antes da invasão russa.

Veja os vídeos que estão em alta no g1

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Após a invasão da Ucrânia, atletas da Rússia e de Belarus foram, em grande parte, barrados do esporte internacional. Posteriormente, o COI passou a apoiar um retorno gradual, sob condições.

Moscou e Minsk afirmam que o esporte deve permanecer separado de conflitos internacionais. Ao longo dos anos, no entanto, houve diversos episódios de protesto de atletas em campo ou no pódio.

O caso mais conhecido ocorreu nos Jogos de 1968, na Cidade do México, quando os velocistas norte-americanos Tommie Smith e John Carlos ergueram punhos com luvas pretas na cerimônia dos 200 metros em protesto contra a injustiça racial nos Estados Unidos.

Eles foram expulsos dos Jogos, embora Smith tenha mantido o ouro e Carlos, o bronze.

Mais recentemente, nos Jogos de Paris-2024, a breakdancer afegã Manizha Talash, integrante da equipe olímpica de refugiados, foi desclassificada após usar uma capa com o slogan “Free Afghan Women” (Liberte as mulheres afegãs) em uma competição classificatória.

Também houve casos sem punição quando a ação não foi considerada política. A seleção feminina de futebol da Austrália exibiu a bandeira dos povos originários do país nos Jogos de Tóquio e não foi punida.

Além disso, dois ciclistas chineses medalhistas que usaram broches com a imagem do ex-presidente chinês Mao Tsé-Tung no pódio em Tóquio receberam apenas advertência.

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