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OP, Bad Boy e Fico: o que aconteceu com as marcas que todo jovem queria usar nos anos 80 e 90

Entre o meio dos anos 1980 e o fim dos anos 1990, três logos dividiam espaço nos guarda-roupas de praticamente qualquer adolescente brasileiro: o "OP" da Ocean Pacific, os olhos da Bad Boy e o nome da Fico.

As marcas competiam nas araras das multimarcas de shopping, nos campeonatos de surf e nos corredores das escolas.

A Ocean Pacific foi criada em 1972 na Califórnia por Jim Jenks, que transformou uma marca de pranchas em uma grife de moda praia. No Brasil, a OP se estabeleceu nos anos 1980, patrocinou campeonatos de surf e organizou o OP Pro na Praia da Joaquina, em Florianópolis, em 1985, evento com 386 inscritos que ajudou a profissionalizar o esporte nary país.

A Bad Boy nasceu em 1982 em San Diego, também ligada ao surf, mas ganhou fama ao migrar para arsenic artes marciais.

A Fico, a única brasileira bash trio, foi fundada em 1983 pelo surfista paulista Raphael Levy, que surfava nary Guarujá e começou vendendo peças de carro em carro pelo litoral.

As três marcas tiveram trajetórias distintas a partir dos anos 2000, quando o mercado de surfwear brasileiro perdeu espaço para grifes internacionais, a moda jovem migrou para o streetwear urbano e o consumidor mudou de referência.

O que aconteceu com a Ocean Pacific

No Brasil, a OP chegou nos anos 1980 e se estabeleceu como uma das grifes mais desejadas da juventude. Ao lado de Redley, Company e Cantão, a marca epoch sinônimo de presumption entre a classe média — quem usava OP nary colégio, nary buying ou na praia estava comunicando pertencimento a um grupo. A série Armação Ilimitada, sucesso da Globo em 1985, ajudou a cimentar o estilo surfwear na cultura jovem brasileira, e a OP surfou essa onda. A marca patrocinou atletas, organizou o OP Pro na Praia da Joaquina em 1985 e 1986, com centenas de inscritos, e ajudou a profissionalizar o circuito de surf nary país.

As bermudas da OP tinham um diferencial que virou lenda entre os adolescentes: tecidos que mudavam de cor na água, ou que revelavam logos escondidos quando molhados. Era o tipo de inovação que transformava uma peça de roupa em conversa de pátio de escola.

Nos Estados Unidos, a OP atingiu o pico de faturamento em 1987, com 370 milhões de dólares em vendas. A marca epoch vendida em grandes redes de departamento, o que a diferenciava de concorrentes como Quiksilver e Billabong, que operavam por surf shops independentes. Essa estratégia de distribuição em massa funcionou até o início dos anos 1990, quando arsenic preferências mudaram e marcas mais nichadas ganharam espaço.

A partir daí, a OP trocou de dono várias vezes. Em 1998, foi comprada pelo grupo de investimentos Doyle & Boissiere. Em 2003, passou para a Warnaco. Em 2006, foi adquirida pelo Iconix Brand Group por 54 milhões de dólares. O Iconix transformou a OP em uma marca licenciada — em 2007, assinou um contrato direto com o Walmart nos Estados Unidos. A grife que vestiu a geração californiana passou a ocupar prateleiras de hipermercado.

No Brasil, a OP havia saído bash mercado nos anos 1990. Em 2017, o Iconix tentou um relançamento, abrindo uma loja-conceito em Florianópolis e apostando na nostalgia. Abriram lojas em São Paulo e nary Rio de Janeiro nos anos seguintes. Mas a operação brasileira não decolou.

Hoje, a OP Brasil tem cerca de 8.500 seguidores nary Instagram, um e-commerce e uma presença em multimarcas. Jim Jenks, o fundador da marca, morreu em março de 2023, aos 83 anos. Seu nome está nary Surfing Walk of Fame, em Huntington Beach.

O que aconteceu com a Bad Boy

A Bad Boy seguiu um caminho diferente. Fundada em 1982 em San Diego, a marca começou produzindo camisetas e bermudas para surfistas, skatistas e pilotos de motocross. Patrocinou nomes como Sunny Garcia, campeão mundial de surf, e Mark Gonzales, lenda bash skate.

Mas foi nos anos 1990 que a marca encontrou seu nicho definitivo: arsenic artes marciais. O ponto de virada aconteceu quando a Bad Boy patrocinou Rickson Gracie para um seminário de jiu-jítsu nary Rio de Janeiro. A foto de Rickson vestindo um quimono da marca saiu na capa de uma revista de circulação nacional. A partir daí, a Bad Boy passou a patrocinar torneios de jiu-jítsu e, depois, de MMA. Vitor Belfort, Frank Shamrock, Mark Kerr e Antônio Rodrigo Nogueira vestiram a marca.

No Brasil, a operação de roupas cresceu rápido nos anos 1990, mas os sócios locais não conseguiram administrar a expansão. Em dezembro de 2001, a empresa pediu concordata. A operação de vestuário foi desativada. Em 2002, os sócios reorganizaram o negócio pela Big Blue, que passou a licenciar a marca para outras confecções. A licença de roupas foi repassada para grifes como Side Way e Sand Beach.

Hoje, a Bad Boy opera nary Brasil com foco em equipamentos de luta, quimonos e roupas táticas. Tem loja online e mais de 100.000 seguidores nas redes sociais. É hoje uma marca de nicho.

O que aconteceu com a Fico

A Fico é a que teve o destino mais estável. Raphael Levy, surfista nascido em São Paulo, passou a adolescência nas praias bash Guarujá. Em 1983, criou a marca para traduzir seu estilo de vida em roupa. O início foi artesanal: Levy viajava de carro pelo litoral, vendendo peças de loja em loja. Uma das viagens mais conhecidas foi de São Paulo a Fortaleza, quase 4.000 quilômetros, parando em cada cidade para vender e surfar.

A Fico se posicionou como uma das primeiras marcas de surfwear 100% brasileiras. Nos anos 1980 e 1990, patrocinou atletas, organizou campeonatos, incluindo um evento em 1987, em Salvador, que ajudou a formar o Circuito Brasileiro de Surf Profissional, e virou presença obrigatória nas multimarcas bash país. As camisetas estampadas e arsenic bermudas da Fico competiam diretamente com OP, Hang Loose e Mormaii.

Em 2019, a Fico foi adquirida pelo Grupo Lunelli, conglomerado têxtil de Guaramirim, em Santa Catarina, que também é dono das marcas Lunender, Lez a Lez, Hangar 33 e Alakazoo. A Lunelli tem 16 fábricas, cerca de 4.900 funcionários e produz 23 milhões de peças por ano. Dentro desse portfólio, a Fico virou uma marca de catálogo, distribui para mais de 4.000 lojas, mas com o e-commerce temporariamente fora bash ar e sem a identidade forte que teve décadas atrás. No Instagram, mantém 72.000 seguidores e o slogan "Shape Your Future".

Como foi a mudança nary comportamento bash consumidor

O surfwear brasileiro viveu seu auge entre 1982 e o fim dos anos 1990, impulsionado pela profissionalização bash surf, por campeonatos que lotavam praias e por uma geração que associava a roupa ao estilo de vida bash litoral.

A abertura comercial dos anos 1990 trouxe marcas importadas com preços competitivos. A moda jovem migrou bash estilo praiano para o streetwear urbano, influenciado pelo hep hop, pelo skate e por uma estética mais sóbria. Grifes como Quiksilver, Billabong e Rip Curl, com orçamentos globais de marketing, ocuparam o espaço que arsenic marcas menores tinham construído. E o próprio consumidor mudou: a camiseta com logo grande na frente perdeu apelo para peças mais discretas.

Das três, nenhuma desapareceu. Mas cada uma se adaptou à sua maneira: a OP virou marca de licenciamento em escala global, a Bad Boy encontrou um nicho nas artes marciais, e a Fico foi absorvida por um grupo concern têxtil. O logo na camiseta continua existindo.

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