O partido de extrema esquerda França Insubmissa (LFI) apresentou uma moção na manhã de sexta-feira, enquanto o partido de extrema direita Reunião Nacional (RN), liderado por Marine Le Pen, afirmou que também apresentaria uma contra o presidente da Comissão Europeia em Bruxelas.
É improvável, porém, que a RN e a LFI consigam votos suficientes no parlamento para derrubar o governo, liderado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu.
As moções de censura sublinham a reação política interna negativa que o governo do presidente Emmanuel Macron enfrenta devido ao acordo comercial com as nações sul-americanas, enquanto luta para aprovar um orçamento de 2026 já atrasado em um Parlamento sem maioria governista, algo sem precedentes na Quinta República francesa.

Comissão Europeia aprova acordo com Mercosul
Ainda assim, suas ameaças sublinham a perigosa corda bamba política em que o governo Macron continua a caminhar pouco mais de um ano antes da eleição presidencial de 2027, com analistas dizendo que o acordo poderia aumentar as chances da RN no próximo ano.
"As moções têm pouca chance de serem aprovadas", disse Stewart Chau, analista do Verian Group, à Reuters.
A França votou contra o acordo do Mercosul. No entanto, o tratado exige apenas o apoio de maioria qualificada entre os Estados-membros da UE para que o acordo seja assinado pela Comissão Europeia e pelo bloco sul-americano. O Parlamento Europeu precisaria então ratificar o acordo.
O presidente do partido RN, Jordan Bardella, disse que o voto de Macron contra o acordo foi mera postura, equivalendo a "uma traição aos agricultores franceses".
Sua chefe, Marine Le Pen, pediu a Macron que ameaçasse suspender a contribuição da França para o orçamento da União Europeia.
Lecornu disse que as moções de desconfiança enviaram um sinal negativo ao exterior em um momento em que a França deveria estar tentando convencer outras nações europeias e também estava atrasando as negociações orçamentárias.
Os Estados-membros da UE deram sinal verde provisório na sexta-feira para um acordo, que seria o maior acordo de livre comércio de sempre e que levou mais de 25 anos a ser elaborado. A França juntou-se à Polónia, Hungria, Irlanda e Áustria na votação contra o acordo, mas sem conseguir atingir o apoio mínimo para o bloqueio.
Com Donald Trump determinado a abalar o comércio global, a Comissão Europeia e países como a Alemanha e a Espanha argumentam que o acordo ajudará a compensar as perdas comerciais decorrentes das tarifas dos EUA e a reduzir a dependência da China, garantindo o acesso a minerais críticos.
Bandeiras da União Europeia tremulam em frente à sede da Comissão Europeia, em Bruxelas. — Foto: REUTERS/Yves Herman
Os opositores, liderados pela França, o maior produtor agrícola da UE, afirmam que o acordo aumentará as importações de alimentos baratos, incluindo carne de vaca, aves e açúcar, prejudicando os agricultores nacionais.
A França obteve concessões significativas de Bruxelas para proteger os agricultores do impacto total do acordo.
Mas, embora as principais indústrias francesas se beneficiassem do acordo, incluindo produtores de vinho, queijo e leite e os pecuaristas, que representam um terço dos agricultores franceses, mobilizaram com sucesso a opinião pública contra ele.

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