O governo federal trabalha com alta probabilidade de o El Niño ser muito forte, e com impactos diretos no Brasil, neste ano. A projeção de autoridades a par do assunto é de que o evento climático tenha 70% de chance de ser forte ou até extraforte.
As previsões, no entanto, ainda não são definitivas. Técnicos do governo dizem que só conseguirão ter uma estimativa mais assertiva a partir de julho.
Em um ofício enviado à Casa Civil no dia 19 de maio, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) traz projeções de ondas de calor mais intensas neste ano. A expectativa inicial é que o cenário seja parecido com o que aconteceu em 2023/2024, um dos mais fortes dos últimos anos.
A situação pode se agravar em setembro e outubro, segundo as projeções do órgão, que é vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Isso significaria estiagem mais longa, que pode piorar com as ondas de calor. A preocupação maior é com os biomas brasileiros.
Dependendo do grau de seca, o risco de incêndios no Pantanal e na Amazônia é maior, com potencial impacto à saúde da população.
"Nas regiões Norte e Nordeste, a tendência é de redução das chuvas e aumento das temperaturas, o que favorece períodos de estiagem mais severos e maior pressão sobre os recursos hídricos. Já nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o fenômeno pode comprometer parte da estação chuvosa, acompanhado de altas temperaturas, afetando a recuperação dos reservatórios hidrelétricos e elevando o risco hidrológico", diz o ofício.
Já no Sul, a preocupação é com as chuvas mais intensas e volumosas. Os técnicos afirmam que há mais chance de enchentes, enxurradas e alagamentos, além de instabilidade de encostas.
"Anomalias positivas em áreas onde os acumulados absolutos já são elevados podem produzir efeitos relevantes sobre bacias hidrográficas, sistemas urbanos, encostas e áreas vulneráveis".
O órgão emitiu seis recomendações ao governo federal, entre elas, o reforço do monitoramento de previsões de chuvas e secas, além do funcionamento pleno de radares meteorológicos.
O Cemaden ainda sugere a reavaliação de áreas críticas, incluindo encostas ocupadas, margens de rio e comunidades isoladas. Também pede mais integração entre União, estados e municípios, com monitoramento, análise de risco, alerta, comunicação pública e resposta.
Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, órgão do governo dos EUA, o El Niño pode se tornar um dos eventos mais intensos das últimas três décadas. A previsão é que o planeta bata o recorde de 2024 de ano mais quente.
O governo federal tem se reunido com frequência com técnicos e autoridades dos ministérios envolvidos para fazer um planejamento mais robusto e tentar evitar que os fortes impactos gerem ainda mais prejuízos à população.

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