Segundo o relato, o Exército americano acionou uma arma de tecnologia sônica, ou seja, que utiliza ondas sonoras como munição. Até o momento, não há confirmação oficial, porém os rumores foram incentivados pela própria Casa Branca e pelo presidente Donald Trump.
A hipótese ganhou força quando a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, compartilhou em suas redes sociais o relato anônimo de um soldado venezuelano que disse ter presenciado as tropas dos EUA utilizarem uma arma que pareceu uma "onda sonora intensa" (leia mais abaixo). No post, Leavitt comentou: "Pare o que você está fazendo isso e leia isto".
Perguntado em uma entrevista à TV norte-americana "Newsmax" nesta semana sobre o possível uso de armas sônicas contra os soldados venezuelanos, Trump foi vago, mas indicou que tal armamento pode ter sido empregado e cravou que os EUA têm "armas secretas incríveis".
A fala provocou uma reação da Rússia. O Kremlin afirmou na última quarta (21) que gostaria de ter mais clareza sobre o que Trump quis dizer ao afirmar que os EUA possuem uma "arma sônica secreta".

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Também na quarta, em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump voltou a tocar no assunto: "Nós somos uma grande potência, muito maior do que as pessoas sequer imaginam. Acho que eles [outros países do mundo] descobriram isso há duas semanas, na Venezuela. (...) Há duas semanas, eles viram armas de que ninguém jamais tinha ouvido falar. Não conseguiram disparar um único tiro contra nós", disse Trump.
O g1 consultou o especialista em equipamento militares Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador de Harvard. Segundo ele, a tecnologia de armas sônicas existe há muito tempo, e exércitos ao redor do mundo estudam como desenvolver um armamento efetivo a partir dela —afinal, há uma corrida constante no meio militar por obter uma arma que o inimigo não tenha (a bomba nuclear é o caso mais emblemático).
Para Brustolin, é muito provável que os EUA tenham a tecnologia, porém, até o momento não é possível determinar se ela foi de fato utilizada na Venezuela.
Também não há informações públicas se o Exército norte-americano possua tal armamento em seu arsenal. O que se sabe é que elas funcionariam com alcance limitado.
A postura do governo Trump sobre o caso, de não confirmar nem negar o uso do armamento e até alimentar o rumor, pode indicar uma tática bastante utilizada na geopolítica mundial, de explorar a incerteza para deixar seus adversários com um pé atrás.
Não é a primeira vez que as armas sônicas ganham destaque no noticiário. Um dos casos mais emblemáticos foi o suposto ataque sônico em Havana, capital de Cuba, que provocou perda de audição em diplomatas dos EUA e do Canadá em 2017, porém uma investigação do incidente não encontrou evidências conclusivas do uso de armas acústicas.
'Começamos a sangrar pelo nariz'

Aeronaves são vistas voando baixo durante explosões em Caracas
O ataque contou com cerca de 150 aeronaves, entre jatos de guerra F-18, F-22 e F-35, bombardeiros B-1, helicópteros de operações especiais e drones de vigilância, segundo o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA. A operação foi descrita por Caine como "discreta, precisa e conduzida no escuro da madrugada".
A publicação no X com o relato do soldado venezuelano afetado pela suposta arma sônica e o compartilhamento de Leavitt obtiveram, juntos, mais de 37 milhões de visualizações.
Militar dos EUA utiliza arma sônica LRAD a bordo do navio USS Blue Ridge, em imagem de arquivo — Foto: Marinha dos EUA/Domínio Público
'Canhão de som': o que são armas sônicas?
As armas sônicas, ou armas acústicas, disparam ondas sonoras em vez de balas e emitem ruídos extremamente altos para desnortear o inimigo.
Uma modalidade mais comum desse armamento são os Dispositivos Acústicos de Longo Alcance (LRAD), considerados uma arma não letal e popularmente chamados de "canhão de som".
As LRAD podem atingir um volume máximo de 150 ou 160 decibéis — para efeito de comparação, um motor de avião pode atingir até os 130 decibéis durante a decolagem. Quanto mais próxima a pessoa estiver de uma arma sônica quando ela for disparada, mais fortemente ela será afetada. Qualquer som acima de 120 decibéis é capaz de causar dor.
Formalmente, o uso de armas sônicas não é proibido por tratados internacionais específicos, no entanto, grupos de direitos humanos criticam seu uso pelos riscos auditivos e psicológicos que causam nos alvos.

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