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Os spreads bancários e o Desenrola 2.0

O programa também prevê a possibilidade de uso de parte do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para saldar dívidas contratadas. Nesse quesito, a atuação da Fazenda para calibrar o uso do fundo é central, uma vez que o FGTS é usado, atualmente, para fundear investimentos em infraestrutura, programas habitacionais e outros. Além disso, trata-se de instrumento de poupança, ainda que bastante imperfeito; quase único.

A atual situação do crédito para as famílias é bastante desafiadora. Segundo os informes do Banco Central, as taxas de juros praticadas, quando tomadas as taxas médias anuais para o total, estão em 61,5% (dados de março de 2026). Dado o custo de captação, por exemplo, equivalente à Selic (14,5% ao ano), observa-se, de imediato, uma distância relevante (spread).

Mas certas modalidades conhecidas e muito usadas pelo público apresentam percentuais ainda maiores, chegando a 428,3% ao ano, no caso do cartão de crédito, nas operações do chamado rotativo (quando não se paga a fatura na data estipulada). Nas operações de parcelamento do saldo devedor do cartão, os juros são de 192,1% ao ano. Na modalidade de cheque especial, 137,9% ao ano e, nas operações do crédito pessoal (sem contar o consignado), as taxas estão em 117,1% ao ano.

Esses percentuais suscitam o debate sobre a educação financeira, de um lado, e sobre os spreads bancários, de outro. O cheque especial, por exemplo, apesar das mudanças realizadas recentemente, ainda é visto como uma extensão da própria renda. Como se o recurso estivesse disponível, ao longo do mês, para uso complementar ao salário. Essa prática leva a que as famílias incorram em custos financeiros e comprometam seus rendimentos de maneira, muitas vezes, inconsciente.

Os dados de endividamento das famílias estão em 49,9%. Isso significa que as dívidas das famílias representam quase metade da sua renda somada em 12 meses até fevereiro de 2026, último dado divulgado pelo Banco Central. É uma informação alarmante, sobretudo quando combinada com o comprometimento da renda. A saber, o pagamento do serviço das dívidas das famílias (parcelas e juros), no trimestre encerrado em fevereiro, representa 29,7% da renda.

Além da questão da educação financeira, que permitiria às famílias elaborar seus planejamentos financeiros mensais e anuais, reduzindo a exposição a uma cunha de juros tão grande, é preciso debater a questão dos spreads bancários. De maneira direta, o spread é a diferença entre o quanto as instituições financeiras ganham nas suas operações de empréstimo, financiamento etc. e o seu custo de captação.

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