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Países do Golfo tentam conter crise entre EUA e Irã, diz agência

Temendo “graves repercussões” no Oriente Médio em um eventual bombardeio dos EUA em território iraniano, Arábia Saudita, Catar e Omã lideraram esforços para convencer Trump a desistir de um ataque, segundo a AFP com base em um oficial saudita de alto escalão.

O trio do Golfo “conduziu um longo e frenético esforço diplomático de última hora para convencer o presidente Trump a dar ao Irã a oportunidade de demonstrar boas intenções. (...) A comunicação ainda está em andamento para consolidar a confiança conquistada e o bom espírito atual”, afirmou a fonte saudita, sob condição de anonimato.

Apesar da articulação dos países do Golfo, aliados de Trump, diversos sinais vistos nas últimas horas mostraram que um ataque dos EUA ao Irã ainda não pode ser descartado. Forças norte-americanas se preparam para um bombardeio ao país de Khamenei, que prometeu atacar bases dos EUA no Oriente Médio caso isso aconteça.

EUA preparam bases militares no Oriente Médio para possível ataque contra o Irã

EUA preparam bases militares no Oriente Médio para possível ataque contra o Irã

Estados Unidos e Irã enfrentam uma nova escalada de tensões após o governo norte-americano sugerir a possibilidade de um ataque ao país do Oriente Médio. A ameaça ocorre em meio à onda de manifestações que se espalha pelo Irã. Teerã afirmou que irá retaliar qualquer ofensiva militar.

Desde 28 de dezembro, milhares de pessoas marcham nas principais cidades iranianas contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. Os protestos começaram diante da insatisfação popular com a situação econômica do país.

Nos últimos dias, o presidente Donald Trump tem sinalizado que os Estados Unidos podem interferir nos protestos.

  • No sábado (10), o norte-americano afirmou que o Irã está “buscando a liberdade” e disse que os EUA “estão prontos para ajudar”.
  • Três dias depois, ele pediu que os manifestantes continuassem nas ruas e declarou que “ajuda está a caminho”, sem detalhar o significado da afirmação.
  • A imprensa americana afirmou que Trump tende a atacar o Irã e que uma operação militar é considerada mais provável do que improvável.

Na terça-feira (13), em tom de ameaça, Trump disse que poderia adotar “medidas muito duras” caso o Irã começasse a executar manifestantes. A declaração ocorreu após uma ONG denunciar que um jovem de 26 anos detido nos protestos seria enforcado. Depois da fala do presidente, a organização afirmou que a execução foi adiada.

Na quarta-feira (14), a agência Reuters informou que os Estados Unidos começaram a retirar parte dos funcionários de bases militares estratégicas no Oriente Médio como medida de precaução.

“Todos os sinais indicam que um ataque dos EUA é iminente, mas esse é o comportamento desta administração para manter todos em alerta. A imprevisibilidade faz parte da estratégia”, disse um militar à Reuters.
  • Dois funcionários europeus ouvidos pela agência afirmaram que uma operação militar dos EUA poderia ocorrer dentro de 24 horas.
  • Uma autoridade de Israel disse que Trump aparentemente optou pela intervenção militar, mas que o tamanho da operação era incerto

Presidente dos EUA, Donald Trump. — Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

Ainda na terça-feira, o governo dos EUA emitiu um alerta determinando que todos os cidadãos americanos deixassem o Irã imediatamente. Canadá, França e Polônia adotaram medidas semelhantes.

O Reino Unido fechou temporariamente a embaixada em Teerã e pediu que cidadãos britânicos evitassem viajar também para Israel.

  • Movimentações em bases militares, além de embaixadas, e avisos sobre viagens também foram comuns dias antes do ataque de Israel ao Irã, em junho de 2024.

Foto de arquivo: Nesta foto divulgada por um site oficial do gabinete do líder supremo do Irã, o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, discursa durante uma cerimônia que marca o feriado xiita do Eid al-Ghadir, em Teerã, no Irã, em 25 de junho de 2024. — Foto: Gabinete do Líder Supremo do Irã via AP

Segundo a Reuters, o Irã tem pedido a países da região que tentem impedir um ataque dos EUA. Uma autoridade iraniana, sob condição de anonimato, disse que aliados foram contatados para auxiliar nas negociações.

Oficialmente, o Irã declarou que irá retaliar qualquer ataque dos Estados Unidos e prometeu atingir bases americanas e de Israel na região.

“Teerã informou países da região, da Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos à Turquia, que bases americanas nesses países serão atacadas”, disse um oficial iraniano à Reuters.

Onda de protestos no Irã — Foto: Bruna Azevedo/Editoria de Arte g1

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