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Paraná tem indefinição no grupo de Ratinho Jr. mesmo com desistência

A dificuldade do PSD na eleição estadual no Paraná pesou na decisão do governador Ratinho Junior de desistir de sua candidatura presidencial, de acordo com aliados. A desistência foi anunciada nesta segunda-feira (23).

Eles sustentam que Ratinho Junior teme não conseguir fazer um sucessor, diante da indefinição sobre um nome do PSD e do avanço nas pesquisas do senador Sergio Moro, que conseguiu o apoio do PL para disputar o Palácio Iguaçu.

Moro deixa o União Brasil e se filia ao PL do senador Flávio Bolsonaro nesta terça-feira (24). Até então, o grupo de Ratinho Junior contava com o apoio do PL para uma aliança local.

O senador também obteve outra vitória em meio às articulações para a eleição de 2026. O partido Novo, que no Paraná também estava afinado com o grupo de Ratinho Junior, ensaia agora apoiar Moro.

O ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo) é cotado para ocupar uma das vagas ao Senado na chapa encabeçada pelo ex-juiz. O segundo nome na chapa seria o do deputado federal Filipe Barros (PL).

O PSD entrou no ano de 2026 com três possíveis nomes para disputar o governo do Paraná: o secretário estadual das Cidades, Guto Silva; o deputado estadual Alexandre Curi, que preside a Assembleia Legislativa; e Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba e secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável.

O preferido de Ratinho Junior era Guto Silva, mas o governador evitou falar isso publicamente, postergando uma decisão final. A demora, contudo, fez com que Greca deixasse o partido. Na semana passada, o ex-prefeito da capital se filiou ao MDB e se dispôs a concorrer pela legenda.

Curi também está sendo cortejado por outros partidos, mas passou a ser um nome possível agora diante da saída de Greca e do desempenho de Guto Silva nas pesquisas de intenção de voto, abaixo na comparação com Moro, que tem liderado.

Além de Curi, até o nome do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), que venceu as eleições de 2024, foi cotado para concorrer ao Palácio Iguaçu nos últimos dias, diante da composição entre Moro e PL.

Nesse cenário, aliados de Ratinho Junior afirmam que o governador passou a avaliar que a permanência no Paraná poderia ser crucial para o desempenho do seu partido no estado nas urnas de outubro.

Em um comunicado divulgado nesta segunda, o governador afirmou que decidiu concluir seu mandato até o final do ano. Se tivesse intenção de se candidatar ao Planalto ou mesmo ao Senado, ele deveria se desincompatibilizar até 4 de abril, conforme a legislação eleitoral.

"Ratinho está convicto que deve manter o compromisso selado com os paranaenses nas eleições de 2018 e não pode interromper o projeto que tem garantido o ciclo de crescimento econômico do Paraná", diz trecho do comunicado.

Um aliado próximo do governador afirmou à Folha que a dificuldade na sucessão foi um dos fatores, mas que o que mais pesou na desistência dele foi a família. O correligionário disse que foi "uma decisão de família", atrelada a preocupações sobre o turbilhão de uma campanha eleitoral. O pai do governador é o apresentador de televisão e empresário Carlos Roberto Massa, o Ratinho.

O aliado lembra ainda que Ratinho Junior, 44, tem um histórico de eleições tranquilas e não estaria calejado para uma disputa ao Planalto. A políticos do seu grupo o governador também relatou dificuldades para furar a polarização.

Mas aliados também dizem que a desistência os pegou de surpresa e que a decisão de Ratinho Junior teria sido tomada neste domingo (22) em uma reunião da família. Um almoço do governador com os deputados da base já estava marcado para esta segunda e foi mantido.

O encontro serviria como uma despedida do governador, que na quarta-feira (25) renunciaria ao mandato e se lançaria pré-candidato a presidente com respaldo do PSD nacional. Durante o almoço, Ratinho Junior agradeceu aos deputados estaduais e não falou sobre a desistência.

De acordo com um aliado, ele não antecipou o anúncio da desistência porque queria conversar antes com o vice-governador, Darci Piana.

O governador anunciou que em nota que pretende voltar a atuar no setor privado e presidir o grupo de comunicação criado pelo pai, o apresentador Ratinho. O grupo empresarial inclui mais de 70 emissoras de rádio e a Rede Massa, afiliada do SBT no Paraná, além de fazendas.

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