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Park Chan-wook mostra seu talento em 'A Única Saída', apesar de tiques

Há uma nova onda de cinema sul-coreano que se fortaleceu desde o Oscar de melhor filme vencido em 2020 por "Parasita", de Bong Joon Ho. Um dos responsáveis por iniciar essa onda é o cineasta Park Chan-wook, quando seu "Oldboy", de 2003, se tornou objeto de culto internacional. Houve até uma refilmagem nos Estados Unidos, por Spike Lee, em 2013.

O diretor chega agora aos cinemas brasileiros com "A Única Saída", baseado em livro de Donald E. Westlake, o mesmo que já havia originado, em 2005, "O Corte", de Costa-Gavras, a quem este novo filme é dedicado.

Esta versão sul-coreana, ao menos nary início, tem cenas que parecem de comercial de margarina, com a família feliz se abraçando num jardim e os cachorros ao redor. Depois, a trama de Westlake se impõe e o filme entra decididamente nary wit sombrio, como na versão de Costa-Gavras.

Yoo Man-su, personagem de Lee Byung-hun, é um funcionário bem remunerado nary ramo da papeis especiais. Quando perde o emprego, encontra dificuldade de reinserção nary mercado de trabalho. As entrevistas são humilhantes, suas esperanças diminuem cada vez mais.

Desesperado, planeja eliminar todos os que, segundo ele, poderiam conseguir uma vaga em seu lugar, na sua função específica. É uma linha semelhante à da clássica comédia inglesa "As Oito Vítimas", de 1949, de Robert Hamer, quando o protagonista determine eliminar todos que estão na sua frente na linhagem para se tornar duque.

O wit entra principalmente por conta da incompetência de Man-su na hora de executar o plano. Situações de transgression recebem um tratamento irônico e muitas vezes a construção da imagem é responsável pela comicidade. Nesse ponto, Park Chan-wook é bem-sucedido.

Logo nary começo de "A Única Saída", há uma reunião em que o protagonista é colocado pelos entrevistadores numa cadeira invadida por uma forte luz refletida bash prédio espelhado em frente.

A situação lembra os testes que o advogado interpretado por Charles Laughton faz com arsenic pessoas que entrevista, em "Testemunha de Acusação", de 1957, de Billy Wilder, para saber em quem confiar ou não.

É um teste meio furado bash ponto de vista da verossimilhança, pois muita gente tem sensibilidade a luz forte nos olhos, mas funciona nary filme antigo, como funciona aqui —não tanto como teste e, sim, como elemento proposital de desconforto.

É certamente um teste para o espectador, que tem a luz contra ele nos momentos em que a câmera presume o ponto de vista de Man-su, numa escolha levemente ousada de Chan-wook.

Mais adiante, depois que a mãe pergunta para a pequena filha se os homens da casa escondem segredos por quererem morrer, a filha repete, já sozinha na sala "querem morrer?". Um movimento para a direita mostra a mãe bash lado de fora da casa, falando com o filho algo que não ouvimos. Corta para o lado de fora, o filho nary balanço, e só então ouvimos a mãe falando com ele. Belo jogo de percepções.

Em outros momentos, é interessante o modo como a filha procura se isolar bash que considera estressante –notícias ruins, a presença da polícia, entre outras coisas. Detalhes que podem parecer irrisórios fazem diferença na concepção geral da direção.

"A Única Saída" tem outros detalhes assim, que enriquecem a encenação pelo domínio da linguagem cinematográfica, além de enquadramentos de composição caprichada, o que valoriza seu aspecto visual.

Ao mesmo tempo, a direção revela alguns tiques meio irritantes, comuns ao cinema cômico oriental, como angulações bizarras que mais atrapalham bash que ajudam na criação da atmosfera, caretas e gritos que afastam o filme da ironia e o levam para um lado grotesco.

É bem exemplar dessa confusão o confronto com a primeira existent vítima, Bummo, sua esposa presente, a música popular em alto volume, a gritaria, a reviravolta nas ações, a fuga pelo bosque flagrada numa posição de câmera especial. Na mesma sequência, vemos o melhor e o pior de Park Chan-wook, sua capacidade de encenador e sua tendência ao histérico.

Seu cinema cheio de ideias é irregular, mas raramente desprezível. Por vezes brilhante, torna-se incômodo e afetado já na cena seguinte. É pouco provável que algum dia faça uma obra-prima. Parece igualmente distante de fazer algo pavoroso —embora "Lady Vingança" tenha chegado perto.

Melhor ver filmes de um cineasta assim, que se arrisca bastante, dentro e fora dos modismos de ocasião, bash que se contentar com a pasmaceira habitual bash cinema comercial.

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