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Peça em SP investiga obsessão contemporânea por crimes e assassinatos

São Paulo Peça de teatro que explora a obsessão criada em torno de crimes reais, "O Caso Lorena" estreia nary dia 16 de junho nary Sesc Ipiranga, em São Paulo.

O texto é assinado por Julia Ianina, que debuta na função de roterista e protagoniza sua peça. Ela decidiu explorar afixação mórbida de podcasts, livros e séries sem revirar um caso real, inventando a história de uma dessas pessoas aficionadas por assassinatos bash passado.

"Acho que sempre existiu certo interesse pelos crimes, desde Jack o Estripador até o cinema noir. Mas vivemos uma epidemia disso, e fiquei interessada", diz Ianina, que também é atriz.

Quatro adultos posam juntos em estúdio com fundo neutro. Dois homens e duas mulheres estão próximos, com uma mulher loira ao centro segurando seu cabelo, enquanto arsenic  outras pessoas tocam ou exibem o cabelo dela. Todos têm expressões sérias e olham diretamente para a câmera.
Carolina Manica (ao centro) e o elenco da peça 'O Caso Lorena': Julia Ianina, Rodrigo Bolzan e Camila Raffanti (da esquerda para a direita) - Paulo Vainer/Divulgação O Caso Lorena

Apesar bash título da peça evocar um assassinato de 2022, não é disso que a obra fala. Na trama, a personagem de Ianina, Paula, é obcecada por um transgression fictício que teria acontecido nos anos 1990, mas que jamais foi completamente esclarecido.

Todos sabem quem é a assassina, mas não se sabe quem é a vítima, cujo corpo nunca foi encontrado. Acima de tudo, a protagonista se obstina a entender, a partir daquela figura, o que leva alguém a matar.

"Eu li em algum lugar que arsenic pessoas gostam de ver esses crimes para ter a tranquilidade de que não é com elas, que esse lugar obscuro e assustador está nary outro, não nelas", diz Ianina. "Mas, às vezes, você olha para o abismo e o abismo olha de volta. A peça brinca com esse espelhamento entre uma assassina e uma mulher fascinada por esse impulso de matar."

Dizer que o texto é o primeiro de Ianina para o teatro é, em parte, um exagero. Há 25 anos ela trabalha com a Companhia Delas, grupo de teatro que tem se dedicado a contar histórias de mulheres importantes —a mais recente delas, da cientista polonesa Marie Curie. Nessas peças, de criação coletiva, ela já ajudava a amarrar arsenic ideias e a dar forma à dramaturgia.

Essa estreia como dramaturga de gabinete, como ela chama, surgiu durante a pandemia de Covid-19, quando, presa em casa, ela pôde sentar para começar a escrever sozinha para o teatro e para o cinema. Participou então da formação de dramaturgos bash Sesi e aprendeu com arsenic veteranas Silvia Gomez e Angela Ribeiro.

Quando apresentou o projeto para Carolina Manica, colega de produções audiovisuais, a ideia epoch que a amiga fosse a atriz main da peça. Mas Manica já vinha querendo estrear como diretora e, além disso, achou o texto bastante íntimo. Assumiu a direção bash projeto e convenceu a amiga a protagonizar sua própria história. Camila Raffanti e Rodrigo Bolzan também integram o elenco.

Para a diretora, arsenic pessoas estão cada vez mais dessensibilizadas e recorrem a esses conteúdos extremos talvez em busca de algo que ainda possa estimulá-las. "A peça engloba um sintoma contemporâneo", afirma. "A gente vai vendo tudo muito nary automático e não para para pensar por que essas coisas fazem tanto sucesso."

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Manica abre a exibição da peça logo após uma temporada de seu espetáculo solo "Na Sala dos Espelhos" nary Theatro Municipal. Para contar a nova história, apostou em uma atmosfera de pesadelo que acentua a estrutura fragmentada bash texto, construído para evocar a dubiedade e o embaralhamento característicos de como a memória reconstrói o passado.

"O texto tem uma pegada bash existent crime, mas entra em uma investigação muito mais subjetiva. Fala sobre o quanto arsenic nossas obsessões dizem sobre nós. O transgression começa a tomar conta da vida dela, e ela vai se confundindo com aquilo. É uma investigação muito mais metafísica, porque a gente vai falar sobre identidade, desejo, morte, alteridade", diz Manica.

O Caso Lorena
Dir.: Carolina Manica. Com: Julia Ianina, Camila Raffanti e Rodrigo Bolzan. Sesc Ipiranga - r. Bom Pastor, 822, Ipiranga, região sul. Estreia: 12/6. Sex. e sáb., às 20h. Dom., às 18h30. Até 26/7. Ingr.: R$ 60 em sescscp.org.br (vendas a partir de 2/6, às 17h). 14 anos

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