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Petroleiros atravessam o Estreito de Ormuz apesar do bloqueio americano, mostram dados

Segundo dados da LSEG, MarineTraffic e Kpler, o navio-tanque Rich Starry foi o primeiro navio a atravessar o estreito e a sair do Golfo desde o início do bloqueio.

O navio-tanque e a proprietária, Shanghai Xuanrun Shipping Co Ltd, foram alvo de sanções dos Estados Unidos por negociarem com o Irã. A Reuters não conseguiu contato imediato com a empresa até a publicação desta matéria.

Segundo os dados, o Rich Starry é um navio-tanque de médio porte que transporta cerca de 250 mil barris de metanol. A carga foi carregada em seu último porto de escala, Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos. Os dados também mostraram que o petroleiro de propriedade chinesa tem tripulação chinesa a bordo.

Outro petroleiro sancionado pelos EUA, o Murlikishan, também entrou no estreito na terça-feira, segundo dados da LSEG. O petroleiro vazio, do tipo handysize, deve carregar óleo combustível no Iraque na quinta (16 de abril), de acordo com dados da Kpler. A embarcação, anteriormente conhecida como MKA, já transportou petróleo russo e iraniano.

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A crise no Estreito de Ormuz

O estreito nunca esteve completamente fechado. Os iranianos permitem a passagem de alguns petroleiros de parceiros estratégicos, porém, mediante o pagamento de um 'pedágio' que pode chegar a até US$ 2 milhões por navio.

Além disso, as próprias embarcações iranianas também tinham livre passagem, mantendo em funcionamento a principal fonte de receita do país. Segundo a empresa de dados e análise Kpler, o Irã exportou, em média, 1,85 milhão de barris de petróleo por dia.

Nesta segunda-feira (13), porém, Trump também passou a obstruir a rota. "Eu também instrui à nossa Marinha a procurar e abordar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago pedágio ao Irã. Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura em águas abertas", disse o republicano em postagem na rede social Truth Social.

A estratégia do presidente norte-americano é semelhante à adotada em janeiro deste ano na Venezuela: o estrangulamento financeiro.

Ao fechar a via para embarcações, Donald Trump corta uma importante fonte de receita do governo iraniano, já que o petróleo representa cerca de 10% a 15% do PIB do país.

Trump disse à emissora Fox News que "não vamos deixar o Irã lucrar vendendo petróleo para quem eles gostam e não para quem eles não gostam", afirmando que o objetivo do bloqueio naval americano era permitir a passagem de "tudo ou nada" pelo estreito de Ormuz.

Analistas sugerem que as declarações de Trump e o bloqueio naval visam pressionar o Irã a fechar um acordo de paz nos termos americanos, algo que não ocorreu nos últimos dias.

No programa "Face the Nation" ("Encarando a Nação", em tradução livre), da emissora americana CBS, o congressista republicano Mike Turner, de Ohio, afirmou que o bloqueio naval norte-americano era uma forma de forçar uma resolução para o fechamento do estreito de Ormuz.

Bloqueio ao Estreito de Ormuz — Foto: Editoria de Arte/g1

As consequências do bloqueio

A estratégia de Trump, porém, pode ser uma faca de dois gumes.

Enquanto a principal fonte de renda do governo iraniano é interrompida, por outro lado, com o bloqueio do pouco petróleo que ainda passava pelo Estreito de Ormuz, o preço da commodity pode voltar às alturas, o que pressiona ainda mais a inflação global e a norte-americana.

Para além do preço, alguns analistas também apontam que o bloqueio pode pressionar países com forte dependência do petróleo do Golfo, especialmente a China, a adotar uma postura mais ativa para influenciar o Irã. Principal compradora de petróleo da região, Pequim teria interesse direto na estabilização do fluxo energético.

Por fim, o bloqueio também pode colocar em risco o frágil cessar-fogo de duas semanas estabelecido entre EUA e Irã.

No domingo, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que qualquer embarcação militar que tente se aproximar do Estreito de Ormuz será considerada uma violação do cessar-fogo e será tratada de forma severa e decisiva.

O regime iraniano chamou a ação dos EUA de "ilegal e um exemplo de pirataria".

Embarcação no Estreito de Ormuz, ao largo da costa da província de Musandam, Omã, 12 de abril de 2026. — Foto: Reuters

*Com informações da Reuters.

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