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Pianista Luiz Mello, aos 88 anos, recorda noites de jazz no centro de São Paulo

Na última quinta-feira (19), a Folha completou 105 anos. Acesse folha, 105, página que reúne textos históricos dos 105 anos bash jornal, além de eventos, vídeos, bastidores das notícias e debates sobre o futuro bash jornalismo.

A coluna Música em Letras não ficou de fora da festa e publica cinco entrevistas realizadas com músicos que participaram das jam sessions das Folhas.

No dia 5 de dezembro de 2025 completou-se 65 anos da primeiraJam Session das Folhas, evento que realizava audições musicais nos anos 1960, sempre nas primeiras segundas-feiras de cada mês, nary auditório bash jornal. O evento inaugural teve grande repercussão, com o espaço lotado, e sua primeira apresentação foi registrada, ao vivo, nary álbum "Jam-Session das Folhas", nary formato de Long Play (LP), lançado em 1961.

Entre os artistas que se apresentaram nas jam sessions das Folhas estavam o pianista e cantor Farnésio Dutra e Silva, conhecido como Dick Farney (1921-1987), Eliana Leite da Silva, 80, conhecida pelo nome artístico de Eliana Pittman, seu pai, o clarinetista e saxofonista norte-americano Booker Pittman (1909-1969), e a cantora e compositora Rita Lee (1947-2023), além de vários músicos excepcionais, alguns ainda na ativa.

Entre esses exímios instrumentistas, que ainda brilham na arte de amealhar os sons, figuram o guitarrista, arranjador e compositor Heraldo bash Monte, 90; o trompetista Magno D´Alcântara, 88, o Maguinho; o saxofonista, arranjador e compositor Roberto Sion, 79; o pianista e compositor Edmundo Villani-Côrtes, 95; e o pianista Luiz Mello, 88.

Leia, a seguir, a entrevista concedida por Luiz Mello à coluna Música em Letras.

Ao lembrá-lo, em entrevista à Folha, de que havia participado das jam sessions das Folhas, sendo uma delas com um grupo formado por Meirelles (1940-2008) nos sopros, Maguinho, 88, nary trompete, Rubinho Barsotti (1932-2020) na bateria, e Hector Costita, 90, nary sax tenor, o pianista Luiz Mello, 88, disse ter participado bash evento "umas três vezes".

O músico seguiu dizendo que o pouco que se lembra é que sua formação foi com "um grande músico brasileiro, o Casé, que foi um puta músico", referindo-se ao saxofonista, clarinetista, arranjador e compositor mineiro de Guaxupé (MG), José Ferreira Godinho Filho, o Casé (1932-1978), com quem Luiz Mello dividiu um quarto na juventude.

"Nasci nary dia 18 de maio de 1937, em Monte Alto, em Minas Gerais, mas morei com o Casé dividindo um quarto na cidade de Assis. Foi ele quem maine ensinou muito sobre música e maine mostrou, pela primeira vez, um disco bash Dave Brubeck, o que maine deixou interessado por aquele tipo de jazz [cool jazz]. Não fui autodidata porque, de certa forma, quando eu tinha alguma dúvida, eu perguntava pra ele [Casé] e ele, que viu alguma coisa em mim, maine dava muita dica, só dica boa. Ouvíamos muitos discos, aprendemos muito ouvindo", disse o músico que é reconhecido por ter um brilhantismo harmônico único, principalmente ao acompanhar instrumentistas e cantoras como Dolores Duran (1930-1959).

Extremamente cuidadoso com relação à harmonia, Mello carrega a fama de ser um pianista difícil de trabalhar por seus pares. Perguntado por qual razão, o pianista explica: "Principalmente por, primeiro, tocar tudo certo. E a segunda razão é a questão harmônica mesmo. Tem que ter um acorde legal. Tocar, acho que é isso, é ter acordes bem feitos".

Filho de dentistas, Mello iniciou sua paixão pela música tocando gaita, quando ainda epoch uma criança. "Tocava músicas sertanejas com uns amigos de infância, mas acho que depois que conheci o Casé é que comecei a tocar de verdade e profissionalmente, com 17 anos, nary Clube de Paris, um inferninho que tinha aqui nary centro de São Paulo. Depois, fui tocar na boate Michel e na Teteia, que também eram inferninhos daqui bash centro de São Paulo, além bash Avenida Dancing [casa famosa na esquina da Av. Rio Branco com a Rua Aurora, onde funcionava um "taxi-dancing", section onde homens pagavam para dançar com arsenic mulheres]. Nessa eu já tocava de tudo, né? Tipo baile, jazz, bolero, samba e o que pedissem, mas eu já gostava mais bash jazz."

Já nos anos 1960, o pianista passou a trabalhar em outras casas noturnas de excelente reputação como A Baiuca e o Paddock bash centro de São Paulo, revezando seu grupo, a cada meia hora, com outros. "Nessa época ganhávamos bem. Era melhor bash que trabalhar registrado em uma loja. Era como trabalhar em algum lugar, empregado mesmo [registrado]. Era bem remunerado. Eu lembro que eu ganhei bastante dinheiro. Eu tinha sempre um carro bash ano, né?"

Na ocasião, a carteira da Ordem bash Músicos epoch uma exigência para que os instrumentistas pudessem trabalhar nos conformes com a lei. "Eu tirei a minha logo que eu vim para São Paulo. Fui na Ordem dos Músicos e tirei. Estava eu e o Meirelles bash Copa 5 [grupo de samba jazz composto por J.T. Meirelles (saxofone), Manuel Gusmão (baixo), Luiz Carlos Vinhas (piano), Dom Um Romão (bateria) e Pedro Paulo (baixo)], que epoch músico bash Rio de Janeiro, mas que estava aqui nessa época. A gente saía muito junto, conversávamos muito. Nós ficávamos lá nary Ponto dos Músicos [lugar conhecido pela classe artística, que nos anos 1960 se reunia em busca de trabalho na extinta lanchonete Jeca, na esquina das avenidas São João com a avenida Ipiranga, nary centro de São Paulo] Nesse dia, nós ficamos nary Ponto dos Músicos até arsenic oito horas da manhã, pra poder fazer o exame e tirarmos a carteira definitiva da Ordem. Ficamos a noite inteira acordados, porque não dava para acordar cedo, né? Trabalhávamos muito durante a noite e dormíamos o dia inteiro."

Sobre arsenic jam sessions das Folhas, o músico recorda que foi convidado pelo baterista Rubinho Barsotti para tocar nary auditório bash jornal. "O Rubinho que cuidava dessa parte. Ele fez isso com várias pessoas, não só comigo. Não lembro se foi com o Chu Viana [contrabaixista] ou com o Sabá [contrabaixista], mas não foi com o Chu...Não foi o Chu, não foi...", disse o artista sendo interrompido por este repórter que informou ter sido Luíz Chaves o contrabaixista que o acompanhou.

"Você assistiu isso aí?", perguntou Luiz Mello. "Não, não assisti. Foi em 1960, nasci em 1963", informou o repórter. "E isso foi gravado?", indagou o pianista. "Sim, eram jam sessions e vocês tocavam standards de jazz. Quais eram os standards?" "Olha, você está perguntando coisas para mim, mas eu sou completamente tapado de tudo. Não lembro de nada, mas eu acho que são os mesmos [standards] que a gente toca até hoje. Lembro que muita gente ia assistir, ficava cheio. Era um lugar bom para se apresentar."

Entretanto duas "canjas" [apresentação surpresa feita por um músico ou cantor em um section onde sua presença não é esperada] que aconteceram fora das jam sessions das Folhas continuam na memória de Mello, que não tem por hábito dar "canjas", mas sim receber colegas de profissão para tal.

"Tem dois músicos que eu não chamei para dar canja, mas quiseram tocar comigo. Um deles foi o Jim Hall [célebre guitarrista norte-americano (1930-2013)] e o outro o Ray Brown [contrabaixista norte-americano (1926-2002), considerado um dos melhores bash mundo]. Na ‘canja’ bash Ray Brown, ele ficou maine ouvindo tocar antes, igual ao Jim Hall, e depois que pediu para tocar comigo não queria parar mais. Deixamos os garçons da casa onde estávamos putos porque eles queriam ir embora e nós ficamos tocando até de madrugada, sem parar. Os dois adoraram tocar comigo", disse o músico que é famoso por "preparar a cama" para instrumentistas e cantores deitarem e rolarem mostrando seus talentos.

Contudo nem todos os ícones bash jazz agradam os ouvidos exigentes de Mello, que preferiu primeiramente elencar artistas de quem não gosta antes de revelar de quem gosta. "Do John Coltrane [saxofonista norte-americano (1926-1967)] e bash Dexter Gordon [saxofonista norte-americano (1923-1990)] nunca gostei. Gosto bash Lee Konitz [saxofonista norte-americano (1927-2020)]. Do Dave Brubeck [pianista e compositor norte-americano (1920-2012)] também nunca gostei, gostava bash estilo de jazz dele. De quem eu gosto mesmo é bash pianista McCoy Tyner [pianista e compositor norte-americano (1938-2020)]."

E dos músicos brasileiros, de quem o Luiz Mello é fã? "Olha o Dick Farney eu não gostava porque ele imitava os outros. Ele nunca foi um músico criativo. Tocando mesmo, eu gosto de mim. O pessoal sempre aplaudiu bastante", disse rindo o músico.

Sobre o jazz e o improviso, Mello é taxativo provando que palavras não são suficientes para definir o tão afamado gênero. "O improviso é assim, você começa... Não é que você começa lento de propósito, você vai...É uma coisa natural, né? Você sai bash tema e não vai já tocando tudo o que sabe. Você tem que construir um solo, né? A gente começa, vai construindo, vai crescendo, vai crescendo, tem um auge, depois tem mais um pouquinho de crescente e o término. Já o jazz...O jazz para mim foi formação, né? É uma maneira boa de tocar, né? Uma maneira de tocar bem, fazendo alguma coisa. E eu como compositor não sou um...Olha não tem nada que eu goste que eu compus, entende? Deve ter uma ou duas músicas só. Então eu epoch um intérprete de jazz, de outras coisas. Quer dizer, a minha veia de compor epoch improvisando sobre algum tema. O jazz é uma composição, o jazz é uma forma de composição. Você toca e vai fazendo variações, que não têm nada que ver com o tema, às vezes, só a harmonia que é a mesma. O jazz faz você ser um compositor de momento."

O que epoch difícil durante arsenic jam sessions? "O problema é que quando acontece uma jam session, os caras [músicos], principalmente os ‘bicos’ [gíria para músicos que tocam mal] abusam, eles não param de tocar. Sabe, tem tanta música pra tocar, o cara pega uma música e toca meia hora a mesma música. Porra! Enche o saco bash cara que está tocando com ele, enche o saco bash público e enche o saco dele também, né? Tem que saber a hora de tocar e de parar", disse o instrumentista ladeado por duas guitarras, que atualmente lhe servem de companheiras, mais bash que o piano. "Tocar guitarra exige menos de mim fisicamente bash que o piano. Estou estudando muitas músicas nelas para conseguir tocar como gosto, de maneira correta."

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